HiRes audio





O dito audio de alta resolução está entre nós já a algum tempo mas, me parece que é sub-utilizado devido ao equipamento exigido para tal e quem ouve audio digital. O mainstream do consumo de músicas atualmente são os streamings de vinte reais que andam por aí e a maioria deles não disponibiliza música de alta resolução, música com uma qualidade maior que CDs (se é que alguém lembra deles). Desses estou a experimentar o da Apple que “entrega" audio de até 196KHz (o CD é 41KHz). O problema, se é que é problema, é que a qualidade do audio vem da maneira em que foi gravado, produzido como dizem. É como você ter uma garrafa que pode conter 1 litro de água mas isso não quer dizer que ela sempre terá 1 litro de água dentro dela, depende do quanto é ali colocado. De qualquer forma essa coisa de HiRes me parece mais um preciosismo audiófilo ou pior, aquela ideia ensandecida de que tudo o que é “tecnologia de ponta” é “melhor" do que existia antes. Vocês podem pensar que me repito muito nos meus posts mas são as pessoas que repetem as mesmas bobagens, as perpetrando de maneira diferente: a bobagem é a mesma porém aplicada à outro objeto. Talvez exista a necessidade de se apegar à tecnologia de ponta para parecer moderno e “integrado”, sob a ótica do Humberto Eco (ver “Apocalípticos e integrados”) . Independente da intenção a fruição desta benesse moderna nem sempre será apreciada devidamente uma vez que A MAIORIA (eu nunca diria TODO MUNDO) das pessoas ouve música no telefone, dito celular. Talvez, reitero o talvez, chegou ao consumidor desavisado a existência de audio de alta resolução e ele ouviu algo em seu telefone e não percebeu diferença alguma e concluiu que isso era mais uma isca publicitária para arrecadar mais dinheiro daqueles que se aplicam à modernidade e ele, que é finório, não vai cair nesse engodo. Mas se ele for curioso e procurar como fruir a totalidade dessa possibilidade vai se deparar com a dificuldade (ou o investimento) para que se possa fruir a coisa devidamente. É preciso um DAC (existem alguns do tamanho de um pendrive) e o conectar ao telefone além de ter que investir num fone de ouvido melhorzinho: “então o meu celular não é tão perfeito como eu pensava?” (ou como me prometeram). Mas como as pessoas são espertas, basta comprar uma caixa (caixinha) acústica Bluetooth (na Amazon podem ser encontradas à partir de R$ 32,00) e pronto! Não. Bluetooth não trabalha na faixa de alta resolução, tem que usar cabos, a conexão tem que ser física. Ligar o DAC a um sistema de som ou a uma caixa com amplificador pode ser uma opção mas o sistema usado vai responder com fidelidade na medida de sua construção: sistema vagabundo vai entregar um som vagabundo. Então a coisa vai ficando mais cara e acaba desanimando o possível consumidor que, muitas vezes reage como a raposa e as uvas e se contenta com o som que ele está acostumado. É claro que o importante é ouvir música, assim como existe gente que não consegue distinguir água mineralizada de água mineral, existem as que não conseguem ouvir a diferença do som de MP3 e o som de alta resolução. Ainda esta noite ouvi, na Apple Music, o álbum “Animals" do Pink Floyd: o som estava soberbo, irrepreensível (mesmo não sendo analógico, mas essa é outra discussão), o timbre dos instrumentos e vozes era muito natural, o palco sonoro escandalosamente grande. Preciso ouvir esse mesmo disco sem ser HiRes na mesma configuração do sistema de audio, não creio que esses atributos sejam devidos somente à alta resolução. De qualquer forma gostei do resultado, a “presença" dos músicos me pareceu mais palpável. Obviamente continua sendo um “som digital”, com todas as mazelas inerentes da tecnologia que, mesmo de ponta (cabeça) pretende ser “melhor”. Conselho: aproveitem o máximo “o som do vinyl” uma vez que os eco-chatos inventaram uma técnica de fazer discos de “outra coisa” injetada em moldes. Definitivamente estou, assim como muitos de nós, como prazo de validade vencido.  



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