Old rockers Gosto de trocar experiências com gente que gosta de música e sistemas de audio, para tanto participo de um forum que tem esse objetivo. A princípio a coisa estava boa mas, ao longo do tempo, comecei a me sentir um tanto isolado, devido ao distanciamento geracional. Dos 50 ou 60 membros do forum que participam ativamente, além de mim, só há um boomer e é daqueles que gostam de ouvi o equipamento e não música, pode ser qualquer coisa desde que esteja “bem gravado”. Ele me parece aqueles adolescentes que querem mostrar como o meu carro é mais potente que o teu. Desta forma muitas vezes me pago falando sozinho, “eles" acham que o big bang aconteceu em 1980, é uma dificuldade. Eu nunca imaginei como isso poderia ser difícil, conviver com gente mais jovem e olha que é gente de 30, 40 anos … Creio que já postei isso aqui mas esses acontecimentos nesse forum só vêm reiterar alguns fatos do comportamento, especificamente o orgulho dos “feitos" da geração em que nascemos....
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Mostrando postagens de maio, 2024
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"Se você está só você pode conversar comigo" Lendo um artigo no UOL, sobre IA, me deparei com um possivel modus operandi das "redes sociais" ... O texto, escrito por uma neurocientista diz o seguinte: "Interações supostamente sociais nas quais alguém que se importa com a gente e compartilha algo novo conosco" O ambiente virtual é exatamente isso: virtual, não é real, é o mesmo mecanismo de correspondência por cartas, o que difere é o tempo de resposta (ou não). Nas cartas, ao menos, sabíamos que era uma pessoa que a lie e respondia, n a internet nunca sabemos quem está "do outro lado", pode ser gente, pode ser IA, pode ser um cachorro. Mas voltando ao texto. Me chamou a atenção o "supostamente socias" : quanto a suposição já falei acima, mas o “social" é algo que as pessoas não sabem exatamente o que é. Isso me lembra que u m colega não sabia o que era um "ícone" no seu sentido original. Ele achava que eram aq...
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The grass is greening Eu não desisto. Não é teimosia, é a certeza de tudo aquilo que penso e penso ser, meus valores. Obviamente nem todos conseguem compreender a minha abordagem em relação à vida. Alguns amigos de infância já não estão mais entre nós e eu estou aqui. Creio que criamos hábitos para não desperdiçar energia e tempo, tempo é o que temos de mais precioso. Talvez eu não busque a modernidade (mesmo porque isso não é necessário) pois gastaria tempo para aprender, estou muito bem com o que sei e uso. É de se esperar que, ao longo do tempo, os hábitos se cristalizem e, até mesmo, se congelem. Existem "modernidades" (não estou falando só de tecnologia) que são inevitáveis, outras não. Quando eu era mais jovem, minha geração acreditava que o rock iria salvar o mundo, hoje as pessoas acham que isso é o papel delas. Não é possível abraçar essa modernidade. Decididamente para os jovens esse nosso conservadorismo é totalmente incompreensível. "O problema dos jovens é ...
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Abbey Road Mais uma vez, perdido em Abbey Road. Atravessar essa faixa acontece a todos aqueles que estão lá, naqueles dias, em qualquer parte do mundo. Muito se falou, muito se fala e muito se falará mas “eles" sempre estão presentes nas nossas vidas. Outro dia um colega de trabalho veio me perguntar, com um certo ódio no coração, porque os Beatles ainda são tão aclamados. Me pareceu que ele estava com aquele sentimento "o que ele pensam que são?". Todas e quaisquer explicações são insuficientes porque são teóricas, só que viveu e cresceu ouvindo-os na medida em que os discos apareciam, consegue entender plenamente porque essas coisas nascem no coração: “because the wind is high”. Expliquei tudo isso mas, naturalmente, não foi satisfatório. Talvez seja como tentar explicar como é o sabor de marzipã para quem só conhece chocolate. Mas o que mais me causa espécie é essa inveja que sentem aqueles que acham que, no seu cinismo não se deixam influenciar pela beleza da músic...
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Olá escuridão, minha velha amiga! Existe uma esperança intrínseca na humanidade de que nos tornemos melhores ao longo do tempo. Dizem, equivocadamente, que existe “evolução" no comportamento humano. Existe sim desenvolvimento científico mas, quanto ao comportamento, estamos ainda a poucos passos das cavernas … Talvez esse mito da "evolução comportamental" nasceu para dar um alento a todos nós que padecemos de sermos o que sempre fomos, somos e seremos: seres humanos limitados pela nossa própria natureza. Muitos foram e são os esforços para que a convivência seja pacífica mas deve-se levar em consideração que não é possível satisfazer a todos. O contrato social nos vê como um grupo social heterogêneo e tenta estabelecer alguns modus operandi para não sairmos nos matando. Ofuscados pelas falácias do politicamente correto, ampliamos o conceito darwiniano de evolução para o social e, pior, para o interpessoal. Já ouvi muita gente reclamando “mas o fulano não evolui” quando...
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BLUES Ouvindo “Since I’ve been loving you” do Led Zeppelin mais uma vez pensei porque o blues é sempre envolvente mesmo sendo sempre igual. Talvez seja o único gênero que nos arrebata completamente: paixão, paixão e mais paixão. Nosso coração é massageado pela sequência de acordes e pela ritmo, que sempre, de alguma forma, se alinha ao nosso batimento cardíaco: não há música mais “orgânica”. Na realidade é sempre uma catarse, algo que está dentro de nós que sabemos que mais cedo ou mais tarde virá à tona, vem de uma maneira crua e simplesmente devastadora, nos virando do avesso, mostrando ao mundo quem realmente somos: blues sempre é perigoso.
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"O segredo é ignorar a dor" Para mim essa afirmação contida no filme “Lawrence da Arábia” seja um dos ensinamentos mais importantes que o cinema me deu. Existem muitas coisas que nos acontecem que não vale a pena reclamar se a coisa não acontece como queremos. O desejo é algo que só faz sentido enquanto não é satisfeito pois sua realização o mata. Fico pensando quanta gente não busque sua satisfação para ter algo em que se agarrar, o tal do “sentido da vida”, afinal a vida não seria vida sem desejos. Talvez mais do que a frustração de um desejo não satisfeito é a frustração da fantasia contida no desejo: “mas é só isso? Eu esperava mais ...” Muitas vezes, a fantasia é algo muito mais prazeroso que a realização do desejo, alimentamos a fantasia sem buscar o que desejamos. Desculpe-me estar sendo repetitivo mas é pela clareza do que escrevo. Conheço gente que a um passo de realizar seu desejo, que muitas vezes chamamos de “sonho”, desistiram porque talvez aquilo era o que a f...
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Nunca pensamos em nós mesmos Creio que, ao lado de “In my life”, “She's leaving home” é a música mais séria dos Beatles. “Onde foi que erramos?” Tenho ouvido isso de pais, em relação aos seus filhos desde minha tenra idade. Gosto dessa expressão: tenra idade. Isso implica que existe uma idade mais dura. Talvez seja isso, a paternidade flexibiliza a "idade dura", os filhos fazem isso. Amor aos filhos é um amor instintivo, daqueles que até matar justifica pra proteger a prole. Quem tem filhos sabe que é assim mesmo não sendo, ou não podendo ser. Então para que a civilidade se mantenha vem todo o desprendimento e empenho para que os filhos tenham e sejam “o melhor possível” (isso é o lema dos Lobinhos). O melhor possível nunca vai ser o melhor, às vezes nem bom. Talvez seja aí que começa o “onde foi que erramos”. Mas não erraram não, o amor tudo perdoa.
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Nunca fiz nada repentinamente É melhor você nunca brincar com o Major Tom. Muitas vezes tenha a sensação de que minhas escolhas são equivocadas. Imagino que isso não é meu privilégio, as pessoas falam isso ou desconfiam. Nos dias de hoje é inadmissível não “ter sucesso” seja lá o que isso for. Você tem que “garantir" como dizem. Tenho saudades do tempo em que podíamos morrer do nosso próprio veneno, e depois vêm nos dizer que somos livres. Não somos livres nem para viver quanto mais para morrer. Então vamos devagar, não, não é devagar, é cautelosamente. Se temos tudo a perder não temos nada a perder. Viver sem expectativas é diferente de se viver sem desejos, a expectativa traz ansiedade, o desejo, vontade de viver. Todos sabemos que o Major Tom era um viciado. Viver é muito melhor.
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Só por um dia, eu desejo pode nadar Nunca aprendi a nadar, medo de encher meus pulmões de água, medo da morte sem saber exatamente que era morrer (não creio que alguém realmente o saiba). Lembro muito bem, havia (ou ainda há, não sei) uma piscina na Ouvidor Pardinho, davam aulas de natação para crianças. Os professores eram um casal de americanos, naturalmente; eram os anos da “Aliança para o Progresso” do presidente Kennedy. Não lembro quanto tempo estive ali, me debatendo para não afundar e lutar para que a água não entrasse pelas minhas narinas e boca, não me afoguei mas a sensação era essa, de sufocamento. Talvez o método não fosse muito racional, eu não conseguia flutuar, cheio de medo e sem ar para respirar. Nunca mais tive aulas mas ao menos aprendi, anos mais tarde, a flutuar, ou melhor, não afundar, como os golfinhos.