Fazendo cada dia do ano Vivemos uma era onde tudo é urgente, acreditamos que sempre estamos atrasados e, o maior medo é o de estar “desconectado”: medo de estar sozinho. Nunca se teve tanto medo, nem mesmo entre os trogloditas. Medo de perder o que está acontecendo, medo de perder uma mensagem e respondê-la, o mais rapidamente possível, com inteligência e graça. E o feedback são “likes" ou um emoji estúpido: as pessoas estão a perder a capacidade de ler, de escrever. Estive a observar, no trabalho, ninguém, exceto este escriba, usa uma caneta (tinteiro) para anotações. Uso um caderno pequeno, é um "diário de bordo”, com anotações, desenhos, lembretes e devaneios do percurso, seja trabalho sejam notas pessoais: me perco dentro de mim mesmo. Este WebLog é a minha janela, para ver de fora para dentro, day by day, travessia.
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Mostrando postagens de março, 2023
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Qual o caminho devo tomar? Perguntas devem ser bem formuladas, especialmente se você está se dirigindo a um maluco pois existe o risco de que ele não seja tão perturbado assim. Perguntas como esta não devem ser lançadas ao ar para que qualquer um responda, nossos caminhos são nossos caminhos, os escolhemos porque não é possível ficar “sentado à beira do caminho”. A vida é feita de escolhas, Kierkegaard que o diga. Mesmo que nos pareça não termos opção, escolhemos o chão que pisamos, antes de chegar na encruzilhada que, muitas vezes é aquela que Robert Johnson escolheu em Clarkesdale. Minha escolha foi outra.
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Peguei a conta e Rita a pagou Sou do tempo em que só havia meninos e meninas. Sou do tempo em que os meninos, andando com as meninas, eles ficavam do lado externo da calçada, para que elas tivessem mais chance no caso de um carro se desgovernar. Sou do tempo em que os meninos deixavam a menina passar à sua frente. Sou do tempo em que as meninas tinham preferência aos assentos. Sou do tempo em que os meninos perguntavam o que as meninas queriam. Sou do tempo em que os meninos ajudavam as meninas a subirem, oferecendo a mão para tal. Sou do tempo em que os meninos abriam as portas para as meninas. Sou do tempo em que era natural os meninos serem gentis para com as meninas. Sou do tempo em que meninos e meninas simplesmente se amavam.
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Como lágrimas na chuva Não há nada que possamos fazer para aumentar os dias das nossas vidas, um segundo sequer. A grande lição da pandemia foi que somos mortais, por mais que frequentemos uma academia, por mais que nossa alimentação seja saudável. A vida é tudo e nada ao mesmo tempo. O que nos move é a nossa arrogância e é o que também nos mata, andamos a passos largos para a beira do precipício crendo que somos passarinhos e poderemos mergulhar, voando no espaço vazio das nossas almas. “Acordei de um sonho estranho”, era a minha vida que deixei escorrer pelo vão dos dedos. Como discernir o que é importante das nossas fantasias? Ou a realidade sempre é insuportável? Já que é tão difícil assim, talvez encontrar a finalidade da vida seja perda de tempo e, o que importa é simplesmente, viver.
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Sim, perto da borda A música do YES é de todos mas não é para todos. Estou me referindo ao período de rock-progressivo deles e não ao pop-progressivo pós “Tormato" de 1978, onde começou aquela mistura de “gente de fora” que acabaram com a produção mais elaborada do grupo até então. O Yes tem muitos detratores pois suas composições não são tão simples como a música do Pink Floyd, por exemplo. Algumas pessoas já disseram que “não entendem” ou que a música do Yes é desencontrada e caótica. Talvez seja a mesma abordagem do impressionismo, assim como os quadros eram para ser visto “à distância”, a música do Yes, também. É claro que a música deles, como toda música, é o resultado da soma do que os instrumentos e vozes estão a fazer num dado momento e a progressão que segue. Se você prestar atenção a cada instrumento em separado, pode compreender cada um mas, assim como a música do século 20, a harmonia e sequências harmônicas nem sempre são as tradicionais. “Entender" a música...
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Indispensáveis O cinema francês The Beatles O teatro de Nelson Rodrigues A obra de Guimarães Rosa As peças de Shakespeare A Bauhaus Os concertos de Brandenburgo As sinfonia ímpares de Beethoven “O nascimento de Vênus” de Sandro Boticelli A poesia de Fernando Pessoa Os contos de Jorge Luis Borges O filme “Casablanca" Um “filé Oswaldo Aranha” Uma garrafa de Mouton Cadet Rothschild O colo de minha mãe
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Muzak É sabido que o processo de difusão da música, desde a invenção do gramofone até o streaming via internet, serviu, ao mesmo tempo, para aumentar a sua divulgação e. ao mesmo tempo, reduzir o seu "consumo", digamos assim. Seja por questões culturais ou socioeconômicas, a música está sendo colocado numa função secundária, como se fosse uma trilha sonora das nossas vidas. Me parece que, de maneira geral, as pessoas não gostam mais da música por ela mesma. Usa-se música para dirigir um veículo, para fazer exercícios físicos, para passear, para correr no parque. Essa "funcionalização" da música tirou o seu caráter expressivo para ser um ritmo que coordena nossas atividades, e isso a reduz a uma pulsação sem a necessidade de uma melodia. Como todo aprendizado, a percepção musical começa com algo simples que se desenvolve. Esse "algo simples" pode ser apresentado na escola ou ouvindo emissões no rádio, TV e, hoje, na internet. A percepção e compreensão d...
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O homem do coração do tamanho de um trem Não sei quando isso começou mas a dupla de compositores se reunia todas as noites, no apartamento do Rei, na Urca, para compor ou dedilhar o violão na esperança de uma nova música. Era uma maneira muito carinhosa de dois amigos trabalharem por tantas décadas. Em Dezembro saía o disco, propositadamente para o Natal. A devoção do Roberto sempre foi corroborada pelo Erasmo. Talvez ele se sentisse à sombra do sucesso do amigo mas ele sempre esteve presente, seja nas canções, seja nas letras. Eles foram os nossos Lennon & McCartney, nossos Simon & Garfunkel, nossos Lauren & Hardy, nossos Tom & Jerry. Eles estiveram na minha infância e adolescência, naquelas tardes de domingo, nas “flores do jardim de nossa casa”, enquanto tanta gente estava "sentada à beira do caminho”. Agora o Erasmo está lá naquele grande show no Céu, cantando para os anjos.
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Parece que foi ontem Todos os meus problemas parecem distantes? Não sei. Normalmente damos mais atenção ao que não importa e, isso era o aceitável e obrigatório naqueles dias, o que menos importava eram os seus problemas e não adiantava espernear, ninguém dava atenção. Hoje cremos que os “direitos" pessoais são, se não respeitados, pelo menos debatidos. Bobagem. É aquela coisa de não usar sacolas descartáveis achando que todo mundo está fazendo isso e, pior, achando que isso vai “salvar o mundo”. É claro que tudo o que se faz ou se omite gera consequências mas essas consequências são, no dia que se chama hoje, uma simples previsão e, por mais que exista um embasamento “científico" previsões, na maioria das vezes não se realizam e são sempre causa de riso daqueles que não vivem o tempo previsto. Esperamos muito da ciência para a solução de TODOS os nossos problemas e, como todos sabem, a esperança é a última que morre porque os esperançosos morrem antes. A ciência pode dar...
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Era um garoto que como eu amava os Beatles E os Rolling Stones Essa é do Gianni Morandi, gravada aqui em Pindorama pela primeira vez, em 1967 (o ano do “Verão do Amor”), pelos Incríveis. Muitos nunca ouviram falar desses senhores, e acham que os Incríveis são personagens de desenho animado. Já me acostumei a isso, “tolerar” (esta palavra também está na moda) a desinformação daqueles que nasceram num mundo informatizado. A música era um protesto contra a Guerra do Vietnã. Minha geração cresceu vendo soldados morrendo na TV e terroristas explodindo bancos, sequestrando embaixadores americanos, o programa espacial americano, a corrida para pousar na Lua “ainda nesta década”, conforme a promessa do presidente Kennedy. Esse era o Mundo, dito “livre”, onde esta liberdade nos era imposta por motivos da economia mundial, como sempre. Estávamos do lado do 007 pois, do outro lado da “cortina de ferro”, estavam os comunistas comedores de criancinhas (se lembrarmos do período de Stal...
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O que se perde, se encontra Recebi, semana passada, um notícia que me desequilibrou. Como quase sempre acontece, as coisas nem sempre são como gostaríamos que fossem. Existem as conspirações mundiais e as pessoais, essas ultimas são as que mais me fazem mal. Frustrações acontecem por algo que não aconteceu ou por algo que foi interrompido, a primeira nos consolamos dizendo que era fantasia, a segunda é mais dolorosa pois é como escorrer água entre nossos dedos. No entanto, ninguém nos tira o que já conquistamos; o que tivemos, sempre poderemos ter novamente.
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Th e Beatles eram mesmo tudo o que dizem ser? Eram. E muito mais além do que um grupo de pop-rock. Como fui contemporâneo dos Beatles desde o começo do conjunto até o fim, muitos julgam que sei tudo sobre eles. Sou um fã somente. Não sei se isso aconteceu só comigo, mas me parece que não temos uma objetividade e um juízo estético desenvolvido o suficiente para reconhecermos, ou melhor, discernirmos entre o que é bom e o que gostamos. Sei que o meu gostar influencia o meu julgamento, mas vou procurar me ater aos fatos que presenciei. Conheci a música deles em 1964, através de um compacto que tinha "Long Tall Sally", "I call your name". Foi um presente do meu pai e eu ouvia aquilo à exaustão. Fico pensando qual foi o apelo, acho que foi o ritmo e o volume da voz, não era uma música cantada, era gritada, eu nunca tinha ouvido semelhante coisa. Algum tempo depois passei a ouvir no rádio, insistentemente, "I wanna hold your hand" e "She loves you" ...
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Como "apreciar" música erudita Adorno rejeitava o termo “apreciação musical” pois julgava ser algo superficial, preferia “compreensão” - era de se esperar de um discípulo de Alban Berg. De maneira geral a música erudita é vista, ou melhor, ouvida com muita desconfiança; muitos a ouvem porque julgam ser algo sofisticado e inteligente e buscam nela uma satisfação narcisista, se assim pode-se dizer, uma espécie de "ostentação intelectual". Isso me parece o mesmo que muitos vegetarianos o são para serem reconhecidos como pessoas politicamente corretas, se é que existe alguma outra motivação neste comportamento (talvez elas se sintam superiores aos primitivos carnívoros). Outro público da música erudita é composto dos que, por não gostarem dela, procuram uma forma mais palatável em "artistas" que as pasteurizam para o gosto da maioria; normalmente são "clássicos" onde se percebem as melodias com arranjos mais simples e, especialmente, em versões ma...
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Porque eu não gosto de jazz … Tesla nos ensina que TUDO depende ou está ligada à um tipo qualquer de vibração: “se você quer descobrir os segredos do universo, pense em termos de energia, frequência e vibrações”. Então está tudo vibrando, o universo vive numa tremedeira eterna e, essas frequências interagem com as “nossas" frequências, das nossas moléculas, dos nossos átomos mas, nem sempre há ressonância. Tenho muita certeza que é o que acontece comigo ao ouvir jazz, mas é do be-bop para cá, isso não acontece com fusion. É uma espécie de vertigem, como se fosse um enjôo e, se insisto em ouvir, me dá vontade de vomitar, é muito desconfortável. Pensando nos elementos que compõe uma música cheguei à conclusão que o que “me faz mal” é a sequência harmônica. Talvez traga à tona uma experiência desagradável da minha infância, reprimida nas profundezas. Talvez não seja nada disso mas a coisa é real, talvez seja uma fobia na qual, a reação física é uma forma de avisar o consciente para...
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O Maestro Duas vezes, ao menos, me perguntaram qual era a função do Maestro, o regente da orquestra. A princípio não entendi bem o que estavam a perguntar pois me pareceu o mesmo que perguntar o que um motorista faz segurando o volante do carro. Talvez, por falta de costume e/ou conhecimento, as pessoas ficam confusas ao ver o maestro frente à orquestra pois sabem que todo e qualquer músico pode e faz música, sozinho. E fazem, duos, trios, quartetos. Porque uma orquestra não faz música sozinha? Porque ele não é uma caixa de música! Os músicos, por mais precisos que possam ser, não podem “resolver" a sua partitura sozinhos pois não têm a “visão" (no caso, audição) do todo. Ainda é muito difícil manter o andamento e, impossível, fazer e retomar um "ralentando" ou um "accelerando". Ou seja, mesmo que os músicos consigam manter o andamento o resultado seria algo mecânico, artificial. Se a orquestra é um instrumento, o maestro é o músico que “toca" a...
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ちょっと待ってください。 A urgência que nos foi imposta, pela automatização dos processos, é a urgência de nos livrarmos de nós mesmos. A “linha de produção” procura produzir o máximo com o mínimo de gasto, o pátio das montadoras está cheio de carros pois não há quem os compre. Capitalismo é uma coisa, ganância é outra. A busca desenfreada do aumento da produção visando um crescimento desmedido às custas da redução do salário dos consumidores é matar a galinha de ovos de ouro. Desde que comecei a trabalhar, nos anos 70, já se dizia que a automação iria liberar as pessoas para “tarefas mais nobres”. Obviamente isso é um discurso absurdo pois implica que TODAS as pessoas são capazes de atividades “criativas" e isso não é o que acontece. Criatividade não é algo que se ensine, no máximo podem ser ensinadas técnicas para “direcionar” ou desenvolver uma criatividade latente. Lembro que na escola de música, era possível escolher a prática de coral ou prática de orquestra pois, nem todos tinham as ...
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Os "clássicos populares" Lendo um artigo de Camilo Vannuchi, colunista da UOL, sobre os 50 anos do "Clube da esquina", disco do Milton Nascimento, ficou mais claro para mim a diferença entre a "música popular" e a "música erudita". O colunista conta suas memórias sobre como conheceu o álbum dez anos ou mais depois do seu lançamento. Como ele não "viveu" os anos do "Clube da esquina" e mostra não ser alguém que tem os discos como hobby, criou conceitos truncados sobre o álbum e sobre o que ele imaginou ser a música do Milton naquele tempo. É uma visão histórica baseada na experiência vivida pelo colunista, é algo impreciso e principalmente, emocional. Ele se refere ao álbum como um "clássico" da nossa MPB, o que é a mais pura verdade no sentido da sua importância cultural. Podemos, desta forma, inferir que o termo "clássico", para a cultura popular, se aplica a fatores socioculturais de uma época que per...
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"O que sinto, não posso dizer" … “What's life” do George Harrison todos conhecemos mas, com essa neura sobre A.I. essa pergunta passa a ter outro significado. "Existem centenas, se não milhares” (essa é velha) de papers e videos por aí discutindo uma possível consciência da máquina e bobagens semelhantes. Não é preciso pensar muito pois somente humanos cometem besteiras e, como bobagens não podem ser objeto da lógica algorítmica, a “inteligência artificial” (a bobagem humana começou com esse rótulo) NUNCA se equiparará nem subjugará a humanidade pois antes que isso aconteça alguém vai cometer uma asneira e melar tudo.
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" Um quarto da minha vida quase passou" … Em 1967 John Sebastian fez eles constatação, acho que vocês lembram disso, talvez ele esperasse viver por 100 anos; lembro muito bem quando eu completei um quarto de século, essa música ficou martelando na minha cabeça (tecnicamente começamos a envelhecer a partir dos 25 anos de idade). O “Clube dos 27" ainda não havia sido “fundado" mas os jovens, aparentemente, já haviam tomado consciência que a vida é finita. A urgência artificial que hoje nos é imposta não existia mas, o ciclo natural era algo … natural. Consciência é algo perigoso, “a ignorância é uma benção", como dizem. Naqueles dias e, talvez ainda nos nossos, a saída era “expandir” essa consciência, agora despertada, até os limites do Universo: naqueles dias pensava-se que o Universo era infinito. Essa “expansão" se dava pela meditação, trazida do oriente ou pela ingestão de drogas “psicodélicas”, como se dizia. Por falar em “expansão”, pensa-se que os...
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Música erudita e as Normas Li um artigo no qual, indignado, o articulista comentava a irrelevância da "nossa" gramática que se preocupa com o uso formal da língua. A indignação era dirigida ao uso informal de próclises em detrimento das ênclises. Ora, TODOS sabem que existem duas línguas, uma formal para a escrita e outra informal para uso diário e que esta última sofre simplificações regidas pela praticidade e conhecimento gramatical. A escrita tem que ser mais precisa pois é sempre a exposição do nosso pensamento, sem a ajuda da expressão corporal existente num diálogo face a face. É claro que muitas palavras e expressões são utilizadas livremente de acordo com o uso "popular" como gírias ou vício de linguagem; gramática alguma calará a "voz do povo", mesmo porque o "povo" não se atêm à normas ou regras que, nos nossos dias, são consideradas aviltantes pois "não preciso de gramática para ser entendido” (esse pecado tem nome: arrogância...
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Ouvido absoluto e ouvinte absoluto Existe, entre os leigos, um fascínio muito grande sobre o "ouvido absoluto", que é a capacidade de ouvir e discernir as frequências sonoras. No imaginário, se pensa que o possuidor de um ouvido absoluto é alguém que possui uma capacidade musical excepcional. Tenho uma amiga, pianista por excelência e violista ocasional, que possui tal dom. O relato dela é algo, até certo ponto, decepcionante. Ela descreve comparando a visão que capta todos os espectros de luz, visíveis e invisíveis e os envia para um cérebro que só entende o espectro visível: o resultado é uma bagunça. É um impressionismo às avessas, o cérebro decompõe o som e não o compõe. Talvez, sem uma formação acadêmica, o ouvido absoluto seja com o um espectrômetro sonoro, onde se identifica cada instrumento, cada timbre, cada altura do som. O treino deve ser o inverso, onde ouvimos um acorde, ouve-se um empilhamento de notas individuais e independentes, é necessário haver uma recla...
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É só um salto à esquerda: “renda-se Dorothy” Todos nós que participamos de alguma das apresentações do “Rocky Horror Show” temos plena consciência da catarse que tudo aquilo representava para aqueles tempos. Mesmo que a metáfora do “alienígena trans” não fosse levada à sério (o musical poderia ter sido escrito pelo Nelson Rodrigues), sabíamos que tudo aquilo era um delírio daqueles que, de alguma forma, se sentiam lesados pelo establishment. Mas a mensagem era direta e clara: todos os transgressores não “voltariam para casa”, não adiantava bater os calcanhares pois só a Dorothy é quem tinha os sapatinhos de rubi verdadeiros. Os companheiros do Frank o abandonaram aqui na Terra (do Nunca) devido à sua vida “extrema”. Extremismos nunca foram tolerados, nem por alienígenas andróginos (Ziggy Stardust?) em qualquer tempo. Saltos à esquerda ou direita devem ser “bem calculados", caso contrário nos levam ao precipício. Ásperos tempos. Mas continuamos dançando o “Time Warp”.
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O som e o ruído Foi o André Gide que nos disse que "não há ruído, mas sons". Ou algo semelhante. Num dos capítulos do seriado, de década de 1960, "Perdidos no espaço", ouve-se um estrondo e perguntam ao robô o que era aquilo ao que ele responde: "Um som". Por outro lado, quando André Varèse foi questionado sobre às suas obras de percussão ele disse que aquilo era "ruído organizado". Entre o filósofo, o robô e o músico, fico com o músico (que é um filósofo delirante). Quando Varèse se refere à sua música como "ruído" ele está se referindo, obviamente, a sons alheios às escalas musicais do uso comum. A percepção de um acorde consonante vai ser modificada de acordo com a maneira que as notas, tocadas ao mesmo tempo, nos é apresentada: se são tocadas num volume "normal" e num tempo não muito rápido, esse acorde nos parece agradável, mas, se esse mesmo acorde é executado rapidamente e forte, nos parecerá um ruído. Podemos concl...
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"Quem vocês pensam que são? Os Beatles?" Os Beach Boys foram uma tentativa "cívica" da “America" provar que eles, americanos, eram os melhores em tudo, até em música. Os Beatles “aprovaram" a música deles mas … eles não eram os Beatles. Os americanos ainda estavam tontos com o assassinato do presidente Kennedy quando os Beatles “invadiram" a America. Nada seria como antes. A música dos BB não era ruim mas assim como as composições dos Stones, era repetitiva e, os jovens gostam de novidades. Eles não “cresceram” junto com seus fãs que, aos poucos, foram sendo levados para o Vietnã. Esse vácuo da "música branca”, nos E.U.A., que começou com a morte do Buddy Holy, foi ocupado pelos Beatles (assim com tem todo mundo), pelo Soul e rythm and blues. Mas isso foi bom para o público, que ganhou com uma maior variedade de músicas. Em 1966 os Beach Boys lançaram o “Pet Sounds”, um álbum ambicioso que não passou do décimo lugar em vendas, os fãs não gosta...
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Eu cheguei lá mas esqueci … Não lembro se já escrevi aqui que atualmente só existem dois tipos de pessoas: aqueles que têm medo de morrer e as que têm medo de viver. Vivemos impulsionados pelos nossos desejos e agimos e reagimos se os mesmos são ou não satisfeitos, todo o resto são as consequências disso, como lidamos com nossas realizações e com nossas frustrações. Essa é a “luta pela vida”, existimos assim mesmo quando não sabemos da existência desse mecanismo. Sendo sexagenário, olho para trás e vejo que contabilizei muito mais frustrações que realizações, porém as frustrações não foram assim tão destruidoras nem as realizações exatamente como as desejei. Então, se o “balanço da vida” é contabilizar, de um lado as frustrações e, deu outro, as realizações (que não foram lá essas coisas), sempre estaremos no prejuízo. Ainda bem que não é assim. Encontramos, independente dos nossos desejos, compensações que nos satisfazem o suficiente para continuarmos a buscar a satisfação dos n...
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Eu gosto de estar aqui quando posso Viajar é bom mas, "não há lugar como nossa casa”. Foi o que respondi quando alguém na alfândega do Schiphol , o aeroporto de Amsterdam, me perguntou se eu havia gostado da Holanda. Eu estava em casa, quando ouvi pela primeira vez o “Dark Side of the Moon”, eu tinha acabado de comprar o novíssimo disco do Pink Floyd. O “som" ficava na sala, coloquei o disco para rodar, abri a janela, abri o volume e sentei no jardim, onde a música se derramava pela rua, para quem estivesse passando a ouvisse. Eu estava sozinho, sentado na grama e, essa é a lembrança que tenho da primeira de centenas (será que milhares) de vezes que ouvi o disco (não é este o PF que mais gosto) nestes últimos 50 anos. Como era a primeira vez que ouvi o disco quando ouvi que “the lunatic is on the grass”, tive muita certeza que aquilo tinha sido dito para mim, não existem coincidências. Revelações podem acontecer em qualquer lugar mas, é algo especial quando acontece e...
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Rock brasileiro é feijoada de milho Acho que foi nos anos 80, ou 90 que apareceram uns conjuntinhos aqui em Pindorama se dizendo “bandas de rock brasileiro”. O brasileiro me parece correto mas, “banda" eles não eram pois tocavam baixo, guitarra e bateria, coisa que, definitivamente não são instrumentos de banda e, o “rock" que faziam era um popzinho de qualidade musical duvidosa. Pelo que lembro, a única música que me impressionou foi “Sonífera Ilha” dos Titãs, é uma peça bem criativa com um arranjo muitíssimo bom. Mas a coisa pára por aí. No mesmo disco de “Sonífera Ilha” eles fizeram uma versão da “Ballad for John & Yoko” que deixa bem claro que era tudo brincadeira, como dizem por aí, “sem atitude”. Claro que tudo é música, algumas até "bonitinhas" mas, nada que sobrevivesse mais que alguns poucos meses, não me pareceu que era um “expressão cultural” daqueles tempos. Mundialmente os anos 80 foi uma décadas de equívocos tanto que ficou conhecida como a “d...
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O sertanejo dos “modernos" Devido à migração dos habitantes do interior para as capitais, viemos a conhecer a música dita “sertaneja”; minha família nunca teve elo algum com o “interior”. Eu não sei exatamente em que ponto da história o que chamávamos de "música caipira" passou a ser sertanejo. Nos anos 1960 tal manifestação musical nos era levada aos ouvidos por algumas emissoras de rádio AM e por alguns pedintes, normalmente cegos que, munidos de uma sanfona ou uma viola, cantavam em praça pública por uns trocados. Naqueles dias, música "caipira" era música de gente antiga do interior, que eram avós nos dias da "Jovem Guarda". Curiosamente não era considerada música "brega", mas, definitivamente, não era "mainstream", era uma simples curiosidade de gente “velha do interior". Fora de moda era o bolero, o mambo e todos os ritmos de Latino América (afinal, "inventamos" a bossa-nova). Na medida em que a migração i...