Era um garoto que como eu amava os Beatles E os Rolling Stones




Essa é do Gianni Morandi, gravada aqui em Pindorama  pela primeira vez, em 1967 (o ano do “Verão do Amor”), pelos Incríveis. Muitos nunca ouviram falar desses senhores, e acham que os Incríveis são personagens de desenho animado. Já me acostumei a isso, “tolerar” (esta palavra também está na moda) a desinformação daqueles que nasceram num mundo informatizado. A música era um protesto contra a Guerra do Vietnã. Minha geração cresceu vendo soldados morrendo na TV e terroristas explodindo bancos, sequestrando embaixadores americanos, o programa espacial americano, a corrida para pousar na Lua “ainda nesta década”, conforme a promessa do presidente Kennedy. Esse era o Mundo, dito “livre”, onde esta liberdade nos era imposta por motivos da economia mundial, como sempre. Estávamos do lado do 007 pois, do outro lado da “cortina de ferro”, estavam os comunistas comedores de criancinhas (se lembrarmos do período de Stalin, é uma grande probabilidade disso ter acontecido). De certa forma o mundo era mais simples, para os simples. Yin-Yang era o que estava na moda: as escolhas eram fáceis pois não havia mais do que duas, a certa e a errada. Atualmente a moda é querer  satisfazer a todos pois existem milhares de escolhas “certas”, dada a “diversidade”. Seguir a moda, o comportamento aceito, foi e sempre será uma maneira de sermos aceitos pelo meio social em que vivemos. Perdoem-me a obviedade da “constatação” mas me parece que o orgulho e a arrogância naturalmente humanos, não nos permite sequer pensar nisso, tanto que imediatamente vem a pergunta, em tom de desprezo: “quem você pensa que você é para dizer isso?” 

Mas enfim, eu estava a comentar a dificuldade de vivermos os dias de hoje. A minha geração ainda tem a liberdade de escolher entre dois mundos, os mais jovens estão aprisionados na realidade criada pela modernidade digital. Ganhamos muito com o “progresso tecnológico” mas perdemos algumas coisas no relacionamento interpessoal. Já vi gente "conversando" com quem está ao seu lado via celular. Talvez eu esteja com o meu prazo de validade vencido mas, esse uso compulsivo da tecnologia, me causa espécie. Apesar, ou devido a isso tudo continuo gostando dos Beatles e dos Rolling Stones, não posso me dar ao luxo de ter a minha “mente aberta”, meu cérebro pode escorregar para fora. Claro que esse risco não se estende aos “modernos".




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