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Mostrando postagens de novembro, 2023
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"Porque me olhas assim?"  Coleridge Essa é uma história do Pato Donald. Eu li muito gibi do Donald, era quinzenal na década de 60. Houve um concurso em Patópolis que consistia em declamar partes do poema épico “The rime of the ancient Mariner”  do poeta Coleridge. O prêmio era um cruzeiro num transatlântico luxuosíssimo. Todos se dedicam a decorar o tal poema e o Donald, devido muito mais à sua teimosia que habilidade em decorar o poema, quase enlouquece para decorar e, no dia do concurso, delirante, ele só lembra de dois versos: “Porque me olhas assim? Com a minha besta abati o albatroz” . É feito o sorteio de quais versos ele deveria declamar e são exatamente os únicos dois versos que ela sabe e repete incessantemente no seu delírio: ele ganha a passagem. O que ele não sabia era que a passagem lhe dava o direito de ocupar um compartimento no fundo do casco do navio, ao lado do eixo das hélices do navio, na casa das máquinas. Mas o que eu queria contar é que essa busca ten...
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  Something in the way she moves  ("E pur si muove!" Galileu Galilei) O quanto a humanidade pode crescer até colapsar? Teremos capacidade (tecnologia, sabedoria?) de nos manter com um número sempre crescente de gente a viver neste planeta? Talvez a colonização de Marte ou outros planetas possa ser a solução … Não faltam livros e filmes de ficção científica que tratam disso, de um possível êxodo devido à superpopulação, a colonização de outros mundos. Existe um esforço, e agora de outras organizações além das agências espaciais governamentais, que têm projetos para alcançar Marte num vôo tripulado antes do final deste século. Enquanto isso o planeta se revolve em terremotos, maremotos (hoje se diz tsunamis), erupções vulcânicas, tempestades, enchentes, secas, tornados e decisões políticas ensandecidas. É uma tentativa da “Gaia" se livrar de nós. Torço para que possamos desenvolver uma solução menos áspera. Espero que dê tempo.  
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 "THX1138" = "Waterloo Sunset"? A “herança" dos Kinks é muito mais universal que julgamos ser. As referências que temos, aqui em Pindorama, são duas música, “You really got me” e “Waterloo Sunset”, quando muito. O banimento do grupo da “America" foi uma das causas do desconhecimento deles em nossas plagas. As referências diretas dos “usos e costumes” ingleses estão presentes e isso de certa forma nos dificulta entender suas músicas, algo como “aquelas tardes de Domingo” do Roberto. Toda obra intelectual exige de quem a frui, atenção e um certo conhecimento do Zeitgeist; considerem que é muito mais difícil “explicar", em termos de arte, porque “O nascimento de Venus” do Botticelli é mais atraente que “Les demoiselles d’Avignon" do Picasso. Talvez o mais importante não é questionar o “diferente" mas o usual, aquilo que julgamos ser “natural”. A maioria das respostas à essas indagações é um redondo “não sei”. Me parece que “coisas” que não sa...
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Vera, Chuck & Dave Sempre pensei que algo aconteceria quando completasse 64 anos. Isso é coisa de fan. Eu tinha um amigo de infância, que gostava dos Beatles como eu. Quando completamos 64 anos, ele morreu. Foi isso o que aconteceu, mais nada.
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 O que aconteceu ... Com aquele nosso amigo de infância que pensamos ser inseparáveis? Com aquela menina que sonhamos envelhecer juntos e nunca mais encontramos? Com aquela promessa que nunca foi cumprida? Com aquela bicicleta com a qual tantas vezes tomamos chuva uma de verão? Com aquela sorveteria que tinha o melhor sorvete do mundo? Com a turma do beco? Com nossos professores? Com nossos planos de mudar o mundo? Com as sessões de cinema à meia-noite? Com o pipoqueiro do portão do colégio? Com o tempo que não passava? Com as férias escolares que nunca eram o suficiente? Com todos aqueles que passaram pelas nossas vidas? Comigo …
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 Conhecimento Muitas vezes, simplesmente não sabemos.
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Todas as coisas devem passar Quando vimos aquela foto do “pálido ponto azul”, creio que alguns realmente compreenderam qual é o nosso “lugar no universo” … 
  É melhor correr (por algum motivo que me escapa, não foi possível colocar um gif aqui) Prudência é algo muito mais difícil que pensamos, não que sejamos descuidados mas muitas vezes a adrenalina é incontrolável.
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 How I wish you were here ... Creio que já falei aqui que minhas lembranças de infância são um misto de memórias e fantasia mas a rua onde eu morava foi muito real, inesquecível. Pode parecer uma bobagem mas, de certa forma, aquela quadra, nem era a quadra inteira mas aquele segmento da rua entre uma esquina e outra, foi para mim um universo quase que infinito. Quem a conhece hoje não acredita como era algo de fantástico. Eu morava na rua São Francisco, entre a Riachuelo e a Barão do Cerro Azul. Naqueles dias não havia shopping centers e todo o comércio da cidade se concentrava no centro, na XV, na Tiradentes, na Marechal Deodoro e as ruas que se entremeavam ali. Aquela quadra tinha um comércio fabuloso: Duas papelarias, a João Haupt e a Max Roesner; Uma floricultura; Um hospital; Uma funerária; Um restaurante; Dois barbeiros; Uma loja de laticínios; Uma confeitaria; Uma verduraria; Um armarinho; Uma funilaria; Um hotel. Virando a esquina, na Riachuelo, uma padaria e, ...
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 Tally-ho! Naqueles momentos em que eu fico olhando e não vendo penso que o melhor período da minha vida foi até os meus 17 anos; depois disso veio toda a carga de ser adulto, mesmo que eu não estivesse preparado, se é que alguém se prepara realmente. Ser responsável por si mesmo nunca é fácil e, os contras são maiores que os prós. Talvez seja por isso que se passa a vida “construindo” coisas para justificar ou tentar satisfazer o que perdemos. Quando dizem que “antigamente" era melhor, na realidade estão dizendo que o mundo adulto sucks. No período em que estudei na AF tive a oportunidade de conversar com jovens que, mesmo sendo maiores de 18 anos, relutavam e recusavam ter as responsabilidades que a vida impõe, muitas vezes ouvi, com todas as letras: "não quero ser adulto". Nada muda, as pessoas sempre são as mesmas durante séculos, milênios … O Saint-Exupéry dizia que os adultos sempre precisam de explicação para tudo e isso é algo muito cansativo. Adultos são muito i...
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  Amigo é coisa pra se guardar do lado direito do peito ... A internet, além de ser um trunfo tecnológico, é também um fenômeno sociológico. Dada a facilidade de todos “se expressarem” isso nos traz todo um universo de pessoas que expõe, sem censura alguma, seus mais íntimos desejos e sentimentos. Para a minha geração isso é algo tremendamente desconcertante, ao ponto de duvidarmos da veracidade da coisa, uma vez que a própria tecnologia permite que tudo que entra num computador pode ser forjado. Tenho deparado, com muita frequência, depoimentos de jovens que, aos prantos, reclamam que NUNCA (?) tiveram amigos. Para uma espécie que é naturalmente gregária isso me parece um absurdo. A primeira coisa que me ocorre é que essas pessoas não sabem o que é amizade, não sabem discernir o “ter” amigos e o “ser" amigo. Obviamente existem pessoas que naturalmente são mais sociáveis que outras mas, uma total inabilidade de se relacionar é algo que beira um desequilíbrio emocional muito gran...
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" There’s a whole generation with a new explanation: people emotion” Muitos pais dizem: “onde foi que erramos?” Pergunta recorrente que deixa as pessoas desorientadas. A minha geração tem muita culpa não tanto pelo que fizemos mas pelo que deixamos de fazer. Em nome de uma “não interferência” à tudo, que chamamos de “liberdade", as pessoas deixaram de confiar umas nas outras não porque as inteferências eram danosas mas porque a falta delas foi danosa. Quem é muito independente é, além de solitário, orgulhoso de ser estúpido. “Eu me amo, eu me adoro” … Aprendemos com que os outros acertaram e erraram, os intelectuais lêem muito para não perder tempo reinventando a roda, quem não lê têm a mentalidade das pessoas da idade do bronze e agem como as tais, em todos os sentidos. Todos as vicissitudes são tratadas como se fossem a primeira vez. É claro que ler Piaget não vai fazer você “entender" as crianças mas vai te saber que crianças devem ser tratadas como crianças não com...
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  Minha Curitiba Não fico um dia sem agradecer a Deus por morar aqui. Mesmo tendo sido invadidos (somos 40% da população) a cidade verdadeira não morre, está sempre dentro desse remanescente que permanece alheio às barbaridades que o progresso fez à nossa cidade. Só nós temos em nós a Schaffer, as Americanas da XV, a Casa da Manteiga, a Sloper, o restaurante Nino, o Verde Batel, o Buraco do Tatu, o Cine Luz (quando era na praça Zacarias), o museu ali no Batel, o Teatro de Bolso, o Papai Noel do Prosdócimo …  
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 I saw a film today, oh boy ... O cinema americano está cada vez mais difícil de assistir. A “necessidade" de incluir “coisas" pertencentes ao “universo Woke” além de produzir o desconforto obvio, produz filmes ruins. Não vou falar aqui da falta de criatividade para gerar roteiros, daí as “adaptações" de filmes que estão fora do circuito hollywoodiano e são bons argumentos: a ideia é simplesmente roubada e naturalmente não há referência alguma nos créditos ao filme original. Me parece que quanto mais a tecnologia progride, mais acomodadas e burras as pessoas ficam pois com o advento da “inteligência" artificial, pra que pensar?
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A guerra e suas consequências Assistindo ao noticiário me deparo com a indignação da mídia em relação à "violência e hostilidades" praticadas. Isso me causa espécie pois é algo inerente de um conflito armado, como dizem para suavizar. Não é possível haver uma guerra pacífica e benigna. Morrem pessoas na guerra, militares e civis, homens e mulheres, adultos e crianças, velhos e bebês. Claro que a morte de semelhantes nos gera, ao menos, compaixão para com as vítimas (atualmente confunde-se compaixão com amor) mas, isso ocorre porque somos expectadores e fantasiamos que todos os seres humanos são bons por natureza (para nos excluirmos dos beligerantes) e que quem comete atrocidades (olha aí outra palavra que está na moda) não é humano e nós, que sabemos escolher e praticar o bem, temos o dever de propalar a quatro ventos esse comportamento, mostrando desta forma como somos éticos e corretos. Com muita certeza esse nosso comportamento é inconsciente pois afinal, como é possíve...
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  Coisas que não acredito Regimes alimentares Leite fervido Café frio Blue jeans Sushi California Histeria Música depois de década de 1970 Adultos vestidos de criança Wokes Os bem resolvidos Margarina Rock brasileiro Culinária mexicana Cultura latina Tisanas Cerveja Falar alto em lugares públicos Telefone celular Água mineralizada Michael Jackson
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Coisas que eu gosto Mobiliário da Bauhaus Polos Lacoste Jaguar (o carro) Viajar pela França Queijo (Bleue d’Auvergne) Vinho (um St. Émilion) Discos (de vinil como dizem atualmente) Sorvete de baunilha (de verdade) Ouvir música que gosto de ouvir Cinema europeu Por de sol  Ile flotante Gaufre Culinária francesa Culinária japonesa Bolacha Cracknel ...
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 ? Não se dá asas às cobras. A “criatura" do Dr. Frankenstein era talvez uma tentativa de “melhorar" a humanidade e ele acabou criando um monstro. Essa tentativa é uma monstruosidade: melhorar a humanidade? Toda boa causa é ingênua pois espera um desenvolvimento ideal em todos os sentidos. Imagino que essas coisas sejam conduzidas na pretensão que todos sejam bons e éticos e amantes da paz e do progresso científico. O único progresso que realmente existe é o progresso científico e, isso não implica em mudança na natureza humana. O século 20 foi palco de grandes descobertas e isso não impediu o holocausto, o Stalinismo, o Khmer Vermelho. A humanidade tem a arrogância de achar que aprende com a história: agora vai dar certo, não vou cometer todos aqueles erros. Vai cometer outros. 
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Os boomers curitibanos As “gerações" como as conhecemos hoje foram inventadas a pouco tempo, o termo baby boomer “surgiu" nos anos 60, as long as I remember. Assistindo um video sobre os boomers muita gente achava que era boomer e não o são. Como datas não são muito precisas para esse tipo de coisa, acho que posso dar algumas pistas se você é ou não um baby boomer (pelo menos aqui em Pindorama, na Vila de N.S. da Luz dos Pinhais de Curitiba): Ouvia a Rádio Ouro Verde Assistia (muito) a Rede Globo Jogava “bets" na Praça N.S. de Salete Frequentava a "sessão da meia-noite” no cine Astor Não perdia um episódio de “Jornada nas estrelas” Ia de trem escalar o Marumbi  Frequentava o Bar do Cachorro Quente, a Confeitaria das Famílias e a Schaffer Comprava discos na “Wings"  Ia para Guaratuba nas férias de verão    Passeava à noite pela XV para “ver as vitrines”
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 Papa Zappa A guitarra do Zappa é alucinante. Não conheço todos os guitarristas do mundo mas ele é muito, muito bom. A princípio a transgressão de sua música me atraiu, depois a construção, a arquitetura, depois a leveza do simples dizer o que ele estava a pensar e, por último, a guitarra. Minha geração é a geração da guitarra, claro que foi o Clapton quem primeiramente me chamou a atenção, blues é algo intuitivo, natural. Depois o visceralismo do Hendrix, os melismas do Gilmour (hoje dizem “licks”), a precisão do Fripp, a revelação do Page, o misticismo do McLaughlin a  criatividade do Howe, o swing do Santana descobri, por último, o delírio do Zappa. Estes são os meus guitarristas favoritos. A música do Zappa pode não ser para todos mas os solos de guitarra sim. A Rolling Stone o colocou na posição 46 dos 250 melhores guitarristas. É claro que todas as listas são absurdas mas podem ser uma referência para nós mesmos, na biblioteca de Babel. Imagino que deva existir uma lista...
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 A new hope Semana passada, passeando pelo Youtube, encontrei um canal de uma menina (menina mesmo) falando sobre os Beatles. Fiquei curioso para saber o que as “novas gerações” pensam do Beatles e como os percebem. Ela conta que “descobriu" os Beatles em 2013. Pelo que pude perceber vendo alguns videos (ou são postagens? Não sei) percebi que ela realmente gosta e se empenha em trazer “novidades" dos Beatles em especial “coisas" do Paul McCartney. Agora que está disponível uma “nova" música dos Beatles há um alvoroço entre os fans e é reconfortante saber que “eles" ainda despertam a paixão das pessoas depois de tantas décadas. Isso me faz pensar que, no final das contas, minha geração não é a monstruosidade que a mídia pinta: aprende-se ao longo do tempo, "conhecimento não é sabedoria”, como diria o Zappa. Congratulações para aqueles que descobriram que “já naquele tempo fazia-se música boa” …
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 As time goes by Às vezes eu gostaria que hoje fosse ontem.
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  The world will always welcome lovers Ah os amantes! Essa palavra, “aqueles que amam” se tornou quase um palavrão na nossa língua. Pura inveja.