As telas Segundo reportagem (duvidosa) da BBC, o brasileiro passa, em média, 5:30hs interagindo co uma tela, seja de computador, seja de celular. A reportagem, não diz quem é esse “brasileiro”. Dado o meu trabalho e, de acordo com a reportagem, a meu tempo de “interação" passa a ser 13:30hs no máximo pois, mesmo quando tenho tarefas urgente urgentíssimas no trabalho não passo as oito horas olhando para o computador. Tirando esses descontos e, por não usar celular, digamos que a conta pode chegar a 6 horas em média. Agora, se eu tivesse aquele dispositivo, digamos que o usaria por uma 4 horas espaçadamente, ao longo do dia. A reportagem, intitulada “Porque os brasileiros são tão ansiosos”, elenca o uso das “telas" como um das principais causa dessa ansiedade. Não é para minimizar um problema, mas eu diria que a coisa está mais para uma urgência inexistente causada pela ilusão que se estamos ocupados, estamos fazendo “o melhor” para vivermos … melhor. Já comentei em o...
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Mostrando postagens de abril, 2023
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"Same old fears" Perguntaram para a transeunte do que ela tinha medo e, ela respondeu prontamente: “Tenho medo de bicho, qualquer bicho”. O Raul disse ter perdido o medo da chuva. A Regina disse que tinha medo de um partido político. A Amélia disse que é preciso encará-lo. O Bruce Lee disse que o medo não existe. Mas ele existe sim: o único medo dos gauleses era que o céu caísse sobre suas cabeças (saudades de França). Já tive daqueles que arrepia os cabelos da nuca enquanto suava frio. Tive medo de entrar e medo de sair. De subir e de descer. Algumas vezes fechei meus olhos e outras vezes parecia que tinham amarrado meus pulmões, não conseguia falar. Já tive medo do escuro e medo que as luzes se acendessem. Tem muita gente que tem medo da morte mas não de morrer, assim como muitos tem medo de viver pois não sabem o que é vida. Hoje temos medo de quem está ao nosso lado, em qualquer lugar. Medo do presente e medo do futuro. Creio que é paranóia, o medo de perceber a real id...
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E apesar das notícias serem um tanto tristes … Lembro perfeitamente quando recebi aquele telefonema de meu pai, me contando sobre o assassinato do John. Era uma manhã cinzenta de Dezembro. Imediatamente eu lembrei que foi meu pai que me apresentou os Beatles, no início dos anos 60. Lidar com a morte é sempre algo complicado e, quando se trata de algum “herói" é um misto de realidade e fantasia e lembranças. Isso é algo estranho, “conhecer" alguém através da sua música, ou suas realizações. Talvez a fantasia criada pela imaginação construa alguém que não é real, a diferença entre o artista e o indivíduo. Mas não era propriamente o John, era um dos Beatles. E eles não são mais o que foram para a minha geração, viraram história, a percepção das novas gerações é uma abordagem histórica e não histérica como era no tempo da Beatlemania, na época da morte do John já era assim, foi dez anos depois que o conjunto acabou. Então passamos a viver assim mesmo, sem o John, perdidos em ...
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Arte e AI: fake? Muito se falou, muito se tem falado e muito se falará mas não é nada disso, o que é conhecido como A.I. vai continuar sendo usado como uma bela ferramenta que produzirá coisarada, queriam ou não queiram. A discussão é a “validade" da produção gerada pela A.I. Quero me ater a arte pois me é algo mais lúdico e prazeroso. Já vi, não ao vivo, quadros “pintados” por A.I., me pareceram sem criatividade. Já ouvi música criada por A.I., me pareceu artificial. As fotos, idem, parecem still de filmes. Tudo isso me parece ser tão artificial como um tecido industrializado, mesmo que seja de algodão. Isso está me parecendo a mesma discussão que houve com o advento de mídias digitais para música, mesmo depois que melhoraram a coisa continua sendo artificial e, isso é inevitável porque é artificial. Da mesma forma tudo que é feito por máquinas, perde a essência da manufatura. Meu avô era alfaiate, fazia as minhas roupas, continuo me servindo dos serviços de um alfaiate para ...
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"Ainda me lembro como se fosse hoje” (Antonio das Mortes) Confundimos lembranças com memórias. E lembranças começam a ficar difusas com o passar do tempo, o processo de recuperação da memória faz com que preenchamos o que falta, muitas vezes, com fantasias. Não lembro se já discuti isso aqui. Note-se que lembranças de infância vêm carregadas da nossa percepção infantil que se perpetuou na nossa memória como imagens, sons, cheiros, perfumes e tudo isso misturado e, muitas vezes, confundidos. Ao longo do tempo passamos a armazenar, na nossa memória, sonhos e nos lembramos deles, é mais uma coisa que mais confunde que explica. Existem, na minha memória, duas ou três pessoas que não tenho muita certeza se existiram. Assim como acontecimentos que não sei ao certo se foram fatos. Outra coisa que é interessante notar é que, o que nos contam, sofrem o mesmo processo nesta sopa de lembranças pois ao ouvir um relato, nossa mente transforma as palavras em imagens que nos sejam compre...
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Somos Borg, nos adaptamos Muitos dos meus pares geracionais têm vivido e sofrido as “diferenças geracionais” que, um dia foram denominadas “conflito de gerações” (esses nomes numa de tempos em tempos para que os autores possam vender ideias “mais modernas”). O leque dessas “diferenças" muitas vezes são relacionadas a costumes sociais que, na percepção das gerações mais jovens, são tidas como “evolução" quando, na realidade, são “adaptações" a uma realidade sócio-econômica que se torna, a cada dia que passa, mais cruel. Como não conseguimos nos livrar do “sistema”, criamos uma série de desculpas e novas maneiras de ser e agir e pensar para sobrevivermos: isso é o que eu chamo de “adaptação". Eu insisto na influência da economia pois numa sociedade estruturada na troca (monetária ou não) de bens e serviços, isso definitivamente afeta o relacionamento entre as pessoas em todos os níveis, mesmo aqueles que não são percebidos por todos. Essa “inconsciência" pode ...
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Americanos Talvez o tal do “imperialismo”, na retórica da esquerda, seja algo muito mais insidioso que a própria esquerda teme. Dentre os poucos lúcidos em Pindorama, ouvi/li/assisti o pensamento de um desses seres raros: o politicamente correto (que daqui para frente será por mim grafado como PoCo) é mais uma ação bem sucedida do imperialismo estadunidense mundo afora. Fica mais fácil entender quem viveu o tempo da Guerra Fria. Quando a “America" (“eles” acham que os E.U.A. é a América) juntamente com seus aliados venceram a WWII e reconstruíram o “mundo livre” europeu, ganharam, tacitamente, o direito de serem os donos e protetores desse mundo livre através da defesa da democracia, tornando-se desta forma, os paladinos da democracia. Todos sabemos como tudo aconteceu desde então, até que a União Soviética, acabou, “com um suspiro”, como disse o T.S. Eliot. A KGB deixou de existir (acho) mas a CIA não. Como um filme de faroeste sem índios é uma grande bobagem, foi p...
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"After all we’re just ordinary men": o mito do “guitar hero” Comemoramos neste ano, não sei se todos, mas pelo menos o remanescente, os 5o anos do album “The dark Side of the moon” do Pink Floyd. Como tudo é economia, foi posta à venda uma caixa com a nova remasterização, um concerto ao vivo, em CD, Bluray e Vinyl, mais “memorabilia” (a um preço escandaloso). Mas não vou falar deste disco ou de sua música, isso seria uma redundância, talvez em outra ocasião. O que é interessante, seja no caso do Pink Floyd, seja tantos outros artistas, como os Beatles e o Led Zeppelin, por exemplo, como a sua produção e influência em suas épocas, marcaram tão profundamente a nossa cultura. A música sempre foi uma expressão cultural muito marcante e, o rock, desde sua gênese no rock’n'roll americano, deixou marcas profundas na cultura ocidental do século passado se extenso ate os dias de hoje. O rock, como conhecíamos, se “desenvolveu" (ou se deteriorou) para o que se houve atualm...
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Você grita e ninguém parece ouvir “a multidão vendo atônita, a multidão vendo em pânico ainda que tarde, o seu despertar” C.B. Conformismo. “Não se deixem conformar pelas coisas do mundo”, nos ensina o apóstolo (São) Paulo em suas epístolas. Não se está falando de utilizar a tecnologia para o nosso conforto mas se deixar dominar por ela. Na semana passada foi disponibilizado um novo dispositivo, acho que era um novo “release" de um smartphone ou de um console de video game e, se noticiou a “invasão" de uma loja onde a o produto foi disputado a tapas pela turba ensandecida. Isso ocorria quando, nas grandes lojas (se falava nos grandes “magazines”) havia liquidações, coisas do tipo “somente 50 unidades por cliente” onde o produto era, às vezes, um desentortados de bananas. Creio existir uma busca, junto aos produtos “de última geração”, de soluções para nossas dificuldades, como se a última versão do Windows fosse a cura para o câncer. Uma possibilidade, dessa busca desenfre...
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CENSURA A censura pode ter uma lógica atravessada. Atualmente as pessoas não sabem como é viver sob a censura institucional, gerada por uma motivação política para garantir um status governamental. Isso é coisa conhecida e facilmente identificada (e não INdentificada como muitos dizem) mas, quando a coisa está na esfera da “moral e bons costumes” começa sendo ridícula e rapidamente passa a ser perigosa. Aconteceu na “America”, em 1967. Para promover o disco dos Beatles “Magical mystery tour”, na capa havia uma citação de “Strawberry Fields forever”: “Nothing is real”. Foi censurada. Explico: isso foi considerado como algo que poderia fazer com que os jovens americanos desacreditassem do “american way of life”. Naqueles dias, lá e cá a censura era perpetrada por instituições, hoje é por grupo de pessoas que compactuam com uma mesmo pensamento, seja lá qual for. Qualquer um que “pense" diferente, é nosso inimigo e é “cancelado”. O “procedimento" segue os mesmos passos do tot...
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Amanhã será segunda-feira Como esta quadrinha infantil é algo um tanto desconhecida em Pindorama, tomo a liberdade de transcreve-la aqui: As Tommy Snooks and Bessy Brooks Were walking out one Sunday, Says Tommy Snooks to Bessy Brooks, “To-morrow will be Monday” Creio que todos nós ansiamos pelo final de semana. Seja por cansaço da lida semanal, seja porque não gostamos mesmo do nosso trabalho. Ao longo desses 45 anos de contribuição previdenciária, aprendi que maioria das pessoas tem muito pouco prazer no seu trabalho. Raros são aqueles que realmente gostam do que fazem. Mesmo assim todos nós (exceto alguns “gentlemen”) trabalhamos e um dia, chega a aposentadoria. Pelo menos costumava chegar. O “problema" dos aposentandos e aposentados é o custo para o pessoal da ativa. O nosso país ainda por algum tempo n...
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Lembranças ociosas Tenho muitas lembranças, todo mundo as tem. Mas o curioso é que muitas vezes não sei quando a fantasia preenche os “vazios”, sonhei ou não sonhei, vivi ou fantasiei? Houve um tempo em que eu tinha um sonho recorrente no qual eu comprava um disco do Yes e outro do George Harrison que só existiam no sonho, eram músicas muito boas mas nunca existiram realmente. Como se não bastasse a realidade, ainda tenho que sofrer frustrações oníricas? Talvez isso faça parte do remoer as experiências mal resolvidas durante o dia que passou. Ao seu término o dia sempre deixa um gosto de “quero mais”, uma incompletude. Deve ser para ansiarmos pelo dia que se chama amanhã, quando nos lembraremos dos dias anteriores e assim vivermos de lembranças. Há quem diga que não lembra do que comeu ontem, o que é uma deselegância para com os memoriosos, como se as lembranças fossem algo inútil que só acontece com gente frívola e desocupadas mas, sabemos que é inveja desses tais por não...
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Migração Sediando a universidade mais antiga do país, estabelecida em Dezembro de 1912, era natural que o único atrativo para a nossa cidade era os cursos universitários. Os estudantes vinham de todos as regiões do país e dos nossos vizinhos de latino América. Ao término dos cursos, pouquíssimos ficavam na cidade. Isso manteve nossa cidade, governável, o censo de 1970, lembro bem, contou 470 mil almas. Com o advento da gestão daquele nosso amado prefeito e, a criação da “Cidade Industrial”, nossa cidade começou a receber um borbotão de gente que vinha para cá a não ia embora, “uma cidade sem portas” … Tivemos fôlego até o final da década de 70, depois a coisa degringolou completamente, começou a aparecer gente pedindo salsicha no açougue e mandioquinha na feira, um horror. Hoje têm até corretor nordestino no Youtube dando dicas de como vir e ficar aqui, apesar do “frio" que não existe mais. E cada migrante acha que todos os moradores são nativos, e começam a falar com sotaque ...
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... Buscamos respostas. Respostas para perguntas que muitas vezes nem percebemos que estamos as buscando. Talvez o que mais buscamos é como acabar com a dor. E somos tão limitados que reclamamos da nossa dor como crianças que a sentem mas não conseguem dizer onde dói. A dor vem da frustração de nossos desejos que também é algo que nem sempre percebemos como tal. Não sei se nos conscientizarmos disso resolve alguma coisa, saber que dói a cabeça não faz cessar o desconforto mas, obviamente, sabemos por onde começar. O Iluminismo nos trouxe a quimera que a ciência era a resposta para tudo, todos os dias isso se prova ao contrário, é como tomar remédio para os efeitos colaterais de outro. Mesmo assim, a esperança de que alguém faça uma descoberta miraculosa, não cessa, buscamos nas novidades as respostas. Então criou-se um culto ao novo, às últimas descobertas e realizações do “moderno”. A última moda, o último pensamento filosófico, a última ideologia, o último salvador da pátria....
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4’33” Creio que esta composição de John Cage, “para qualquer instrumento ou nenhum”, seja a música conceitual que mais causou celeuma quando foi composta em 1952. A peça, como todos sabem, consiste numa pausa de quatro minutos e trinta a três segundos. Pausa não é silêncio somente mas, um momento de espera. Para a platéia é sempre uma experiência sonora ímpar mas, para o(s) executante(s) é uma árdua prova de profissionalismo. Executei-a duas vezes, de cor. Pode parecer uma bobagem mas, a partitura foi editada pela Henmar Press (hoje C. F. Peters Corporation) e o que aparece é uma pausa. O formato da partitura é totalmente formal e acadêmico e, isso invalida toda e qualquer crítica infantil de dizer que aquilo não é música. Creio que foi Miles Davies quem disse que “o silêncio é o que acontece entre uma nota e outra” mas, no caso, executa-se uma pausa e não “um silêncio”. O resultado, para a platéia pode ser o mesmo mas, para o músico são coisas completamente diferentes e, talve...
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Os heróis chegaram muito tarde em 1977 Donna Summer chegou antes, no outono, para ser mais preciso. “Música é cultura” mas, a música também é um bem de consumo e “I feel love” foi, e poucos perceberam, um ponto de inflexão nas música pop, na cultura pop. Os anos da contracultura desprezaram o dançar pois não era considerada uma atividade que fosse primordial para um desenvolvimento Zen visando uma compreensão do Universo objetivando a "Paz na Terra”. Como sempre, prazeres mais simples e primários de sacudir o traseiro, subjugaram os ideais mais nobres de todos terem uma vida tranquila, sem a exploração do establishment. E muitos dos nossos deixaram de lado aqueles “três dias de Paz e Amor” e se deixaram levar pelos "Embalos de sábado à noite", Narciso havia voltado para ficar. E se fortaleceu tanto que o culto ao corpo foi, naturalmente, integrado à economia, resultando numa profusão de academias de fitness e de “jazz”, onde não se ensinava música … Depois disso foi...
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A antimúsica e a não música Toda "revolução" tem consequências e incontestavelmente, a revolução industrial foi um ponto de inflexão estrondoso nos últimos séculos e a música, como todas as artes, sofreu "modificações"; não digo que " evoluiu" porque essa palavra é muito mal compreendida. Das muitas motivações para a mudança nas expressões artísticas, a mais infundada é aquela que diz que é preciso uma nova música para um novo tempo. O apelo do novo, do moderno é sempre uma tentativa de nos projetarmos com alguma segurança num futuro incerto e, no caso da música, não é para uma "música melhor", mas sim, uma música "adequada". Todos sabemos que essas mudanças começaram com as complexidades de Liszt, o politonialismo e polirritmia de Richard Strauss e Gustav Mahler (já no século 20), os delírios místicos de Scriabin e a conceitualidade de Charles Ives, MAS o que desequilibrou totalmente a música em termos harmônicos, foi o cromatismo wa...
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Mas o Google sempre diz a verdade … A cultura atual de buscar tudo (ou quase tudo) na internet favoreceu o uso de algoritmos de pesquisa e, dentre eles, o Google passou a ser um oráculo. Como vivemos uma era de desconfiança e medo, todas as informações, que não são do “common knowledge” (se é que isso ainda existe), são verificadas no Google. Creio que estou sendo otimista, tem gente que pede tudo para o Google. O que me incomoda é, ao conversar com alguém, o indivíduo, ao ouvir algo que não conhece, ou duvida, consulta o Google para se certificar da veracidade da coisa. E é algo tão descarado que é ofensivo, dá a impressão que o “consulente" do Google não acredita em nada que o seu interlocutor diz. Cada vez que isso acontece comigo me sinto como se o meu interlocutor não acreditasse no que estou a dizer. Eu poderia dizer que me sinto “ofendido" mas, em tempos de politicamente correto, isso é uma redundância, essa geração “mimimi" se sente ofendida pela existência ...
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Never could be any other way Não acredito em “destino" mas em causa e efeito. Somos o que somos porque nos tornamos, obviamente. Existe a possibilidade de sermos “melhores" sem atrapalhar? Nossos pesos e medidas precisam estar ou ser muito extremos para os percebermos, somos como carro que vai estragando aos poucos e nos acostumamos com isso. Não tenho muita certeza se quando nos damos conta de nós mesmos, ainda há algo que se possa ser feito para, de alguma forma, mudarmos. Sempre existiu essa cobrança de “sermos melhores” visando resultados que nem sempre nos são compreensíveis. Talvez aí resida aquele “ah se eu soubesse disso” … Mas agora que “sabemos daquilo” ou é tarde ou para nada nos serve. “Agregamos valor” a nós mesmos sem nos valorizarmos. Me dá a impressão que esse “ser melhor” é algo somente para os outros nos medirem e nos denunciar, veladamente, que ainda não está bom. Antigamente era suficiente ser “bom”, isso era o que bastava mas, na modernidade é preciso...
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Alhata de ovos mexidos Para o café da manhã, rápido e saboroso (pelo menos para mim). Ingredientes para um ovo: 1 ovo (temperatura ambiente) 1 fatia de torrada 1 raminho de salsinha para enfeitar 1 dente de alho finissimamente picado Salagosto Pimenta do Reino branca agosto (se quiser) 1 colher de sobremesa de manteiga 1/2 colher de sobremesa de azeite de olivas 1 frigideira 1 fogo baixo Modo de fazer: Frite o alho no azeite de olivas até ficar dourado, reserve e espere a frigideira esfriar. Bata o ovo e acrescente o sal e a pimenta. Na frigideira, em fogo baixo, derreta a manteiga e acrescente o ovo e o alho frito. Vá mexendo rápida e vigorosamente para que o ovo coagule sem endurecer. Quando perceber que está coagulando no fundo, retire do fogo e misture bem, volte para o fogo repetindo o processo até que o ovo fique cremoso sem secar, a manteiga faz com que o ovo cozinhe sem endurecer, não reduza a quantidade de manteiga se não não dá certo. Coloque o o...
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Nos dias de hoje, não lhes dê motivo … Não sei exatamente como definir mas, as pessoas estão cada vez mais agressivas por medo de sentirem agredidas ou acharem que todo mundo está conspirando contra elas. Assisti um programa onde se falava de narcisismo e entrevistaram gente comum perguntado se elas conheciam algum narcisista, houveram muitos testemunhos mas, o que me chamou a atenção foi que, entre as adolescentes (só as meninas), todas elas identificaram suas mães como narcisistas, justificando essa pecha porque suas mães não satisfaziam suas vontades e desejos. O programa identificou o narcisismo como um desvio de personalidade e isso bastou para que as adolescentes enquadrassem suas próprias mães para justificarem sua bandalheiras, afinal elas estavam sendo vítimas de mães que deviam ser internadas em hospitais psiquiátricos. Mais uma vez o nosso querido Nelson Rodrigues demonstra sua sapiência no conhecimento humano: o problema dos jovens é que eles não são velhos. Nossa s...
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"Deem tudo que ele pedir, exceto sua liberdade" Tudo, ou muita coisa que publico, tem uma referência a música ou cinema ou … A ordem do título deste post foi dada por Ming, o impiedoso, num episódio de “Flash Gordon”. “Ele" era o Dr. Zarkoff, cientista e companheiro que ajudou o Flash a salvar o universo. Apesar da responsabilidade que lhes foi imputada (de salvar o universo), o nosso ajudante de herói se deixou conduzir ao laboratório do vilão pelo seu amor à ciência. Isso sempre me causou espécie pois ele estava ajudando o vilão e não ao herói! Então é possível conciliar nossos gostos e desejos com nossas responsabilidades? Aparentemente sim. Nossas escolhas quase sempre são equivocadas mas no fim, tudo dá certo (ou quase). Esses equívocos se dão devido à urgência natural da vida que não pára enquanto fazemos nossas escolhas. E, mais uma vez, nos enganamos quando julgamos escolher a direita ou a esquerda, o certo e o errado pois ao escolhermos, já estamos tenden...
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O "Cravo bem temperado" e o dodecafonismo Em 2022 comemoramos os 300 anos da primeira publicação do "Cravo bem temperado". O prefácio da obra faz notar que ela é para "jovens estudantes" e para aqueles que já estudaram, então esse pretenso "elitismo" está baseado em conhecimento puro e simples, as pessoas são "letradas" em música ou não. A obra estabelece todas as escalas possíveis, maiores e menores com uma afinação satisfatória, diferente da até então utilizada de modo a "equilibrar" os tons e semitons das escalas resolvendo o problema da enarmonia (o mesmo "som" com nomes diferentes em diferentes escalas). Esse trabalho de organização das escalas se manteve, pois, foi uma solução definitiva para toda a música feita desde então. Isso foi em 1722; três séculos de música ocidental calam profundamente em nossos cromossomos. Desta forma podemos, com algum grau de certeza, dizer que o dodecafonismo foi uma abordagem...
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Para onde foram os velhos tempos? Quando sentimos nostalgia é porque estamos velhos, mesmo sendo jovens. A idade cronológica, assim como o “tempo" pela qual a medimos é algo, intangível. Desta forma “velhice” passa a ser algo que transcende a medida de algo que não sabemos o que é. “Sentimo-nos” jovens ou velhos devido à nossa interação com os outros ou quando gememos ao fazer um esforço. Limitações físicas são inevitáveis (porque o tempo é inevitável) mas, as trocas afetivas são sempre bem vindas, independente da idade; talvez isso seja a tal da “maturidade”: continuar se relacionando com os “próximos" sem muito atrito. Nostalgia é também uma forma de inadequação ao presente, ao “zeitgeist" … mas é tão bom!
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Ah mas não era assim que eu queria … Já falei sobre a satisfação dos desejos e suas consequências e, como a frustração muitas vezes nos faz regredir à infância … Mas o que assusta é quando se estabelece uma regra de consenso geral (se é que isso alguma vez existiu) e, se o resultado não é o que o indivíduo quer, esperneia. Estou falando da operacionalização da Democracia em termos dos nossos “representantes" no governo do Estado. Lembro que há alguns anos se um político fazia algo que um cidadão não gostava ele (o cidadão, o eleitor, o contribuinte) dizia “o fulano não me representa”. O que se queria dizer, na realidade, é que aquele cidadão não concordava com a atitude do “representante”. Ao dizer que um político não é representante da “vontade” dos eleitores, isso sim, é uma desprezo ao processo democrático de uma maneira bem infantil, afinal “ele" não fez a minha vontade e, como dizem que posso me manifestar, aqui estou. Os gregos, que “inventaram” a democracia, alerta...
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Eu achava que o único lugar solitário era na Lua Essa história de solidão é algo batido, não misturado, como o “James” não gostava. Somente os heróis são realmente solitários. Obviamente a pergunta é se “somos" ou “estamos" sós. Talvez isso nunca nos seja revelado pois, o que sabemos é que, às vezes, nos sentimos sós. Na maioria das vezes esse sentimento é causado diretamente pela rejeição que supomos estar sofrendo. Exceto por narcisismo (isso está muito em moda), nunca estaremos completamente satisfeitos com nós mesmos, isso é uma condição que nos leva em frente: precisamos da frustração, da rejeição mas, todos sabemos o quanto isso pode ser desconfortável, se não, doloroso. Então aprendemos como nos livrar desse desconforto e, durante esse período de aprendizado, que pode durar toda uma vida, nos consolamos pois, afinal “ele(a)s não sabem o que estão perdendo” …
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Tonalismo, atonalismo, tonalismo ... Quando Schoenberg propôs (antes de Adorno) uma "compreensão" da música ao invés de uma "fruição estética-emocional" a música passou ter um novo caráter e assumiu um papel de exprimir, através de sons, o zeitstag do ocidente através da música (no caso do Schoenberg, do "povo germânico"). Por mais que se tentasse um "novo estilo" buscado, muitas vezes no folclore ou nos modos da música oriental, o romantismo, fruto de uma tradição centenária, estava definitivamente gravado nos genes da civilização ocidental. A dissonância sempre foi aceita como um "tempero" para se compor uma música "agradável" e Schoenberg propunha, o que ele mesmo chamou de a "emancipação da dissonância", baseando-se na "evolução" da harmonia ao longo do tempo. Era chegado o tempo de exorcizar os demônios que a revolução industrial havia trazido, destruir a chaminé que contaminava o ar do Parnasso. U...
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Enquanto corria a barca Houve um tempo em que a minha janela estava fechada. Assim como na pandemia, não podíamos fazer tudo o que queríamos mas podíamos fazer muita coisa. Liberdade não é fazer o que se dá na telha, isso é imaturidade. A lei era duríssima mas continuava lei. Quando se tem uma arma apontada para a cabeça, é prudente obedecer. Sempre foi bobagem tentar revidar pois, sabíamos que tudo muda, tudo se transforma. Então para mim e para os meus, aqueles anos foram tranquilos. "Não pode isso", eu posso viver sem isso, "não pode aquilo", também posso viver sem aquilo. Aqueles que espernearam se deram mal, obviamente. Resistência não é provar que você está certo mas sobreviver pois tudo passa. "Contra a força não há argumento", como nos ensinou La Fontaine.