Lembranças ociosas
Tenho muitas lembranças, todo mundo as tem. Mas o curioso é que muitas vezes não sei quando a fantasia preenche os “vazios”, sonhei ou não sonhei, vivi ou fantasiei? Houve um tempo em que eu tinha um sonho recorrente no qual eu comprava um disco do Yes e outro do George Harrison que só existiam no sonho, eram músicas muito boas mas nunca existiram realmente. Como se não bastasse a realidade, ainda tenho que sofrer frustrações oníricas? Talvez isso faça parte do remoer as experiências mal resolvidas durante o dia que passou. Ao seu término o dia sempre deixa um gosto de “quero mais”, uma incompletude. Deve ser para ansiarmos pelo dia que se chama amanhã, quando nos lembraremos dos dias anteriores e assim vivermos de lembranças. Há quem diga que não lembra do que comeu ontem, o que é uma deselegância para com os memoriosos, como se as lembranças fossem algo inútil que só acontece com gente frívola e desocupadas mas, sabemos que é inveja desses tais por não terem realizações pessoais mas somente, tarefas que lhes foram impostas. Viver momentos de puro ócio é poder e saber viver para si, sem culpa nem medo de matar o tempo pois tempo, é vida.

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