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Mostrando postagens de junho, 2023
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  A extinção dos programadores Minha primeira linguagem de programação foi, como para muitos da minha geração, o FORTRAN, aprendido magicamente na faculdade, coisas da IBM. Foi meu primeiro contato com a IBM, eu passaria toda a minha vida trabalhando com IBM. Depois COBOL, a linguagem que possui mais linhas de código em toda a história do “Processamento de Dados” (naquela época não existia o termo “informática”, no máximo, computação). Depois APL, Natural e C. Com o advento das linguagens de quarta geração começou o declínio da programação, tudo passou a ser automático, duvido que atualmente exista alguém, fora do círculo ibeemista, que saiba codificar um programa de canal. Talvez esses nem saibam o que é “canal”. Em nome da “produtividade" estupidificaram o pensamento e as “limitações" do código foram compensadas com processadores mais rápidos. Atualmente, a linguagem da moda é Phyton, devido ao seu uso em A.I. Mas o que se codifica são chamadas a funções prontas e, não re...
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  Os desvanecidos No Japão, 90.000 pessoas desaparecem por ano. A maioria delas voluntariamente. Já se falou muito em suicídios mas parece que acharam melhor simplesmente abandonar tudo e começar uma outra vida em outro lugar, com outras pessoas. Logo um chato de plantão vai lembrar do Vandré: “mas a vida não mudava, mudando só de lugar”. “Dizem" que todos merecem uma segunda chance. Será que isso é merecimento ou questão de sobrevivência? Nossos valores não dão chance alguma para alguns tipos de crimes, mesmo que a lei dê. Resta-nos saber, se é que isso é necessário, qual a intenção do desaparecido, do “evaporado" como os japoneses dizem. Muitas famílias os procuram como podem, uma vez que a polícia não se presta à essas buscas. Essas buscas entendemos ser por amor ao desaparecido ou busca de redenção: o leite derramado. Existem serviços que auxiliam o indivíduo desaparecer, isso não é crime. O Japão é um país pequeno com muita gente, talvez seja fácil sumir no mapa. Aqui ...
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Qualquer dia a gente se vê Naquele dia eu estava com um pressentimento estranho, aquelas coisas que a gente não sabe mas, de certa forma tem medo porque na realidade não queremos enfrentar ou aceitar que tudo aquilo que um dia sonhamos e desejamos e, sabemos já ter acontecido e nunca mais se repetirá. Todos os que passam por nós, nesse dia, nos parecem alheios à tudo e a todos e aquela coisa fica martelando sem sabermos de onde vem mas que vem de dentro de nós mesmos. Uma vontade de sumir uns dias ou meses ou anos para ver se quando voltarmos tudo se arranjou e todos estão morrendo de saudades de nós. Mas, como disse o MiNas: “sei que nada será como antes”. Amanhã.
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  Cinema Houve um tempo em que era permitido fumar no cinema e, se a sessão estivesse lotada, voltava-se para casa defumado. Houve um tempo em que as filas para assistir um filme viravam a quadra e. muitas vezes assisti o filme sentado no chão por não ter mais poltronas disponíveis. Houve um tempo em que abria-se a cortina que cobria a tela quando a sessão começava. Houve um tempo em que havia vendedores de balas com tabuleiros, vendendo na fila, fora do cinema. Houve um tempo em que alguns filmes, por serem muito longos, tinham um intervalo para as pessoas irem ao banheiro. Houve um tempo em que os casais se vestiam, como estivessem indo à uma festa mas, era uma sessão de cinema. Houve um tempo que eu não perdia as sessões da meia-noite, quando passavam filmes de arte. Houve um tempo em que eu frequentava a cinemateca da prefeitura. Houve um tempo em que se namorava no cinema.  Houve um tempo.
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Bach & Beethoven Assistindo um concerto, no Wigmore Hall, do pianista András Schiif, ele fez uma comparação interessante: A música de Bach é o Antigo Testamento da música e Beethoven o Novo Testamento. Há quem não goste de coisas definitivas mas, vamos venhamos, não creio que haverá quem os supere, mesmo porque o tempo não pára e talvez estejamos vivendo o “pós-música”. Estou falando estritamente da música ocidental, que é fruto e molde para o que deixamos de ouvir após Wagner. Obviamente existem outros bons compositores mas como não teria existido Beethoven sem Bach então a pergunta é explicar o trabalho de Bach. Sabemos que Bach e Vivaldi foram contemporâneos e Bach conhecia muito bem as obras de Vivaldi. Creio que o que elevou Bach a alguns degraus acima de Vivaldi foi a normatização que ele fez das escalas, através do “Cravo bem temperado” e de suas pesquisas no contraponto. Ele normatizou toda a música que conhecemos até o início do século 20. Os esforços feitos depois de Wa...
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  No limiar do sonho Estou ouvindo, enquanto escrevo, o derradeiro disco dos “Moody Blues", antes do flautista nos deixar ("Strange Times"). Isso nã o é uma crítica à esse disco mas umas observações sobre alguns grupos que conhecemos na adolescência e nos acompanham a vida inteira. Sei que nem todos ouvem música como eu ouço, a música tem um lugar muito grande para mim quando que para a maioria das pessoas é “algo" que muitas vezes é um pano de fundo e não uma trilha sonora da vida. Os Moody Blues, sempre estiveram ao meu lado assim como muitos (não sei se tantos assim) outros. Nem posso afirmar que todos mas, muitos de nós tivemos momentos importantes da vida que lembramos ao ouvir uma música, seja porque ela estava tocando naquele momento crucial ou porque era da época em que algo importante nos aconteceu. Quem não os ouviu naqueles dias, pode julgar que era mais um conjuntinho qualquer que queria ser como os Beatles (todo mundo queria ser como os Beatles) mas e...
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  O questionário de Proust Este questionário foi atribuído à Marcel  Proust mas não é dele, ele o respondeu  simplesmente. Eu também. 1) Sua virtude favorita. A responsabilidade. 2) Suas qualidades preferidas num homem. A lealdade. 3) Suas qualidades preferidas numa mulher. O carinho, o cuidado. 4) Sua característica principal. O improviso. 5) O que você mais gosta em seus amigos. Sua disponibilidade. 6) Seu maior defeito. A preguiça. 7) Sua ocupação preferida. A música. 8) Sua ideia de felicidade. Amar e ser amado. 9) Sua ideia de infelicidade. Ser esquecido. 10) Se você não fosse você, quem gostaria de ser? Johan Sebastian Bach. 11) Onde você gostaria de viver? Junto de quem me ama. 12) Sua cor e flor favoritas. Azul, Rosa. 13) Seus autores de prosa favoritos. H.P. Lovecraft, Jane Austen 14) Seus poetas favoritos. T.S. Eliot, Fernando Pessoa, Augusto de Campos. 15) Seus heróis favoritos n...
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  Nelson, meu professor (24/10/2020) Esse foi do científico. Professor de matemática (esses sempre foram os melhores). Nunca vi tanta didática bem aplicada, aliada ao dom que ele tinha de dar aula: se você assistia as aulas dele, era impossível não aprender. É claro que ele cobrava isso muito bem nas provas. Nós o chamávamos de “mestre”, e não estávamos a brincar, assim como as aulas dele não eram brincadeira. Lembro que quando estava a nos ensinar números complexos, uma vez entramos na sala de aula, enfileirados, marchando e entoando: “Um i, menos 1, menos i ! Um i, menos um, menos i !”. Ele, ao nos ver passar disse: “Já vi que meus discípulos aprenderam a lição!” Ele era fantástico. Já na faculdade, na disciplina de cálculo numérico, para minha surpresa ele entrou na sala para, mais uma vez, ser meu mestre. Os que já tinham sido alunos dele, aplaudiram. Aquele foi, com certeza o meu melhor período do curso - terminei a disciplina com média 9,8 e fui parabenizado por ele: “eu n...
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TEMPO Sempre é uma questão de tempo. Às vezes demora muito para passar, às vezes passa muito, muito rápido. Precisamos de tempo para por nossas ideias em ordem e o dispendemos tentando faze-las funcionar. Vivemos aquele momento tão esperado com toda a intensidade que podemos, na esperança que o tempo páre e vivamos para sempre o que já está acabando. Não é justo, não é bom que seja assim e só nos resta as lembranças mesmo que possamos repetir o que perdemos, o tempo gasto, as horas que se tornaram minutos. Memórias, isso ao menos ninguém tira de nós, somente o tempo. 
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  Dona Cleide, minha professora  Era a minha professora do segundo ano primário. Professora de matemática. Quando ela olhava para nós, através daqueles óculos de gatinho, tudo mundo gelava, ela era muito “enérgica”, digamos assim. Todo mundo terminou aquele ano com louvor, não porque queríamos passar de ano, mas por medo de tê-la novamente como professora. Quarenta ano depois eu a encontro na feira, aquela ao lado do campo de futebol. Ela estava vestindo uma capa de chuva e, não havia mudado nada em sua aparência, até o óculos era do mesmo modelo. Me apresentei e me identifiquei como seu ex-aluno. Ela olhou nos meus olhos exatamente como sempre olhou para seus alunos e disparou: “Que faculdade você fez?” “Processamento de dados”, respondi. Seu rosto relaxou: “Ah bom. TODOS os meus alunos foram para as exatas”. Ai de mim se eu tivesse feito medicina ou qualquer outro curso que não fosse, como ela disse, das “exatas”. Mais uma vez escapei dela.
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  Há vida em Marte? Houve um tempo, antes do início da corrida espacial, no qual o imaginário das pessoas ia até Marte com seus canais e com discos voadores cheios de homenzinhos verdes. Ninguém pensava em ir à Lua ou qualquer outro planeta, naquele tempo até os planetas tinham menos satélites e somente Saturno tinha anéis. Quando a União Soviética colocou o Sputnik em órbita, que muitos não acreditaram, esse imaginário pôs os pés no chão e o programa espacial se tornou realidade. Até o advento da série televisiva “Jornada nas estrelas”, em 1966, os filmes de ficção científica nos mostravam mais perigos que alguma vantagem para a humanidade se aventurar pelo "espaço sideral". Os “homenzinhos verdes” passaram a “alienígenas" e Marte ficou mais perto. Após o término do programa Apollo, houve um hiato de mais de vinte (ou trinta?) anos quando se voltou a especular retomada de outro programa espacial, voltando-nos novamente para Marte, mas agora para levar o homem e a huma...