Os desvanecidos




No Japão, 90.000 pessoas desaparecem por ano. A maioria delas voluntariamente. Já se falou muito em suicídios mas parece que acharam melhor simplesmente abandonar tudo e começar uma outra vida em outro lugar, com outras pessoas. Logo um chato de plantão vai lembrar do Vandré: “mas a vida não mudava, mudando só de lugar”. “Dizem" que todos merecem uma segunda chance. Será que isso é merecimento ou questão de sobrevivência? Nossos valores não dão chance alguma para alguns tipos de crimes, mesmo que a lei dê. Resta-nos saber, se é que isso é necessário, qual a intenção do desaparecido, do “evaporado" como os japoneses dizem. Muitas famílias os procuram como podem, uma vez que a polícia não se presta à essas buscas. Essas buscas entendemos ser por amor ao desaparecido ou busca de redenção: o leite derramado. Existem serviços que auxiliam o indivíduo desaparecer, isso não é crime. O Japão é um país pequeno com muita gente, talvez seja fácil sumir no mapa. Aqui em Pindorama tenho experimentado, durante a minha vida, gente que também “desapareceu" do meu convívio e, para mim ao menos, é admirável que nunca as encontre, por ventura ou desventura. Gente que frequentava os mesmo lugares, cinemas, bares, parques, ruas que eu frequentava e, de repente, sumiram. Não mudaram de cidade não, uns poucos que encontrei confirmaram isso, sempre estiveram aqui, alguns morando a pouca quadras da minha casa e invisíveis. Talvez isso aconteça porque só as temos na memória e não no coração. 




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