"Ainda me lembro como se fosse hoje” (Antonio das Mortes)
Confundimos lembranças com memórias. E lembranças começam a ficar difusas com o passar do tempo, o processo de recuperação da memória faz com que preenchamos o que falta, muitas vezes, com fantasias. Não lembro se já discuti isso aqui. Note-se que lembranças de infância vêm carregadas da nossa percepção infantil que se perpetuou na nossa memória como imagens, sons, cheiros, perfumes e tudo isso misturado e, muitas vezes, confundidos. Ao longo do tempo passamos a armazenar, na nossa memória, sonhos e nos lembramos deles, é mais uma coisa que mais confunde que explica. Existem, na minha memória, duas ou três pessoas que não tenho muita certeza se existiram. Assim como acontecimentos que não sei ao certo se foram fatos. Outra coisa que é interessante notar é que, o que nos contam, sofrem o mesmo processo nesta sopa de lembranças pois ao ouvir um relato, nossa mente transforma as palavras em imagens que nos sejam compreensíveis e estas imagens, muitas vezes, são memorizadas. Eu me orgulho de ter uma boa memória fotográfica e auditiva: nos tempos de escola, bastava assistir a aula, eu sempre me lembrava de tudo. Aos poucos desenvolvi uma maneira rápida de relacionar essas lembranças e informações de uma maneira lógica para tirar conclusões. Não é o método científico mas é um método. Quando dizem que não é preciso saber as coisas mas saber onde buscá-las, esse lugar é a memória. Creio que a obra mais importante sobre memória e lembranças é o “Em busca do tempo perdido” do Proust. Li os sete volumes antes dos meus 30 anos. É uma leitura árdua porém dignificante. Incentivo a todos irem em busca do tempo perdido, ainda há tempo.

Comentários
Postar um comentário