Somos Borg, nos adaptamos




 Muitos dos meus pares geracionais têm vivido e sofrido as “diferenças geracionais” que, um dia foram denominadas “conflito de gerações” (esses nomes numa de tempos em tempos para que os autores possam vender ideias “mais modernas”). O leque dessas “diferenças" muitas vezes são relacionadas a costumes sociais que, na percepção das gerações mais jovens, são tidas como “evolução" quando, na realidade, são “adaptações" a uma realidade sócio-econômica que se torna, a cada dia que passa, mais cruel. Como não conseguimos nos livrar do “sistema”, criamos uma série de desculpas e novas maneiras de ser e agir e pensar para sobrevivermos: isso é o que eu chamo de “adaptação". Eu insisto na influência da economia pois numa sociedade estruturada na troca (monetária ou não) de bens e serviços, isso definitivamente afeta o relacionamento entre as pessoas em todos os níveis, mesmo aqueles que não são percebidos por todos. Essa “inconsciência" pode ser uma resposta natural para que o indivíduo não perca totalmente a esperança de que “algo" vai acontecer para que ele tenha uma vida melhor de acordo com os seus desejos e necessidades. E essas tentativas de “ter uma vida melhor” passa, novamente, pela economia: que produto eu posso inventar para que as pessoas tenham “uma vida melhor”? Como é prática comum que os políticos trabalhem para eles tenham uma vida melhor, nos resta procurar produtos miraculosos para tanto. E esses produtos também “evoluíram" ao longo do tempo. Quem viveu como criança os anos 60 ou 70 lembra da propaganda das bicicletas Caloi: “lembre da minha Caloi” (para me dar de presente). Hoje em dia, por questões de segurança, as poucas crianças que andam de bicicleta, andam com seus pais nos finais de semana;  desta forma foi preciso criar um substituto para a bicicleta, aqueles que podem arcar com uma escola ou clube para que a criança/adolescente pratique algum esporte  são afortunados, já os outros têm que se satisfazer com um game no telefone para “se divertir”. Vejam que mesmo na “época da bicicleta”, nem todos podiam comprá-la logo, hoje muitos (mas muitos mesmo) não têm nem os “joguinhos”. É claro que existem centenas de outros aspectos que podem seguir mais ou menos o mesmo caminho que relatei e, isso tudo faz uma grande diferença na maneira de pensar, agir e reagir. Como não podemos comprar “uma vida melhor”, compramos um celular de última geração, em doze suaves prestações.




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