Tonalismo, atonalismo, tonalismo ...
Quando Schoenberg propôs (antes de Adorno) uma "compreensão" da música ao invés de uma "fruição estética-emocional" a música passou ter um novo caráter e assumiu um papel de exprimir, através de sons, o zeitstag do ocidente através da música (no caso do Schoenberg, do "povo germânico"). Por mais que se tentasse um "novo estilo" buscado, muitas vezes no folclore ou nos modos da música oriental, o romantismo, fruto de uma tradição centenária, estava definitivamente gravado nos genes da civilização ocidental. A dissonância sempre foi aceita como um "tempero" para se compor uma música "agradável" e Schoenberg propunha, o que ele mesmo chamou de a "emancipação da dissonância", baseando-se na "evolução" da harmonia ao longo do tempo. Era chegado o tempo de exorcizar os demônios que a revolução industrial havia trazido, destruir a chaminé que contaminava o ar do Parnasso. Uma vez que essa "destruição" se estabeleceu através do atonalismo, dodecafonismo, serialismo e serialismo total (ou integral, vejam que a "evolução" continuou acontecendo), cria-se um ambiente favorável, pós Segunda Guerra, para que o tonalismo (chamado de "prática comum") fosse revisitado, agora "purificado", ou "curado", pelo atonalismo. Seria o neo-romantismo fruto da Guerra Fria?

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