Americanos




Talvez o tal do “imperialismo”, na retórica da esquerda, seja algo muito mais insidioso que a própria esquerda teme. Dentre os poucos lúcidos em Pindorama, ouvi/li/assisti o pensamento de um desses seres raros: o politicamente correto (que daqui para frente será por mim grafado como PoCo) é mais uma ação bem sucedida do imperialismo estadunidense mundo afora.  Fica mais fácil entender quem viveu o tempo da Guerra Fria. Quando a “America" (“eles” acham que os E.U.A. é a América) juntamente com seus aliados venceram a WWII e reconstruíram o “mundo livre” europeu, ganharam, tacitamente, o direito de serem os donos  e protetores desse mundo livre através da defesa da democracia, tornando-se desta forma, os paladinos da democracia. Todos sabemos como tudo aconteceu desde então, até que a União Soviética, acabou, “com um suspiro”, como disse o T.S. Eliot. A KGB deixou de existir (acho) mas a CIA não. Como um filme de faroeste sem índios é uma grande bobagem, foi preciso encontrar um novo inimigo, o que se resolveu, de certa forma, com o terrorismo internacional que se consolidou com a tragédia das Torres Gêmeas. A inteligência ganhou um inimigo para se justificar mas a esquerda americana (ela existe, pode ter certeza disso) iria reclamar de quê? O modus operandi das revoluções russas e chinesas não faziam sentido na sociedade americana do pós guerra (se é que faziam sentido antes da guerra) a ainda por cima, a “America" teve que lidar com o problema interno dos Direitos Civis ligados ao racismo a partir de 1955, se bem que isso ainda não foi totalmente resolvido (se é que um dia virá a ser). Aqueles que lideraram esse movimento foram de suma importância à conquistas igualitárias dos cidadãos americanos e, são hoje conhecidos como “ativistas”. Isso abriu portas para outros tipos de “ativismo" e a esquerda reinvidicou para si todas essas causas que, no jargão do PoCo são chamadas de “pautas”. Não estou dizendo que não se deve defender as injustiças perpetradas mas, cada cultura têm o seu “método” que foi desconsiderado pelo modus operandi “internacional" das ditas “redes sociais”, que se tornaram o pior pesadelo do Orwell. Já se disse que as “redes" aproximam os distantes e afastam os próximos: ninguém que discutir coisa alguma, querem ouvir somente o que  pensam ser certo e querem ser aplaudidos pelo que dizem. Inevitavelmente, num ambiente em que todos podem se exprimir livremente (ainda), isso gera uma decomposição gigantesca do que se chamava "sociedade" e, surgem grupelhos de toda a espécie de pensamento: é como o “gremialismo” do J.L. Borges. O raciocínio é o seguinte: "se existe tanta gente que pensa como eu penso, então devo estar certo". Não estou muito convencido se temos maturidade suficiente para lidar com isso, aparentemente não. De certo modo é uma estratégia “dividir para conquistar”: “America para americanos” e, o que é bom para a America é bom para o mundo, não é mesmo?




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog