Eu cheguei lá mas esqueci …



Não lembro se já escrevi aqui que atualmente só existem dois tipos de pessoas: aqueles que têm medo de morrer e as que têm medo de viver. Vivemos impulsionados pelos nossos desejos e agimos e reagimos se os mesmos são ou não satisfeitos, todo o resto são as consequências disso, como lidamos com nossas realizações e com nossas frustrações. Essa é a “luta pela vida”, existimos assim mesmo quando não sabemos da existência desse mecanismo. Sendo sexagenário, olho para trás e vejo que contabilizei muito mais frustrações que realizações, porém as frustrações não foram assim tão destruidoras nem as realizações exatamente como as desejei. Então, se o “balanço da vida” é contabilizar, de um lado as frustrações e, deu outro, as realizações (que não foram lá essas coisas), sempre estaremos no prejuízo. Ainda bem que não é assim. Encontramos, independente dos nossos desejos, compensações que nos satisfazem o suficiente para continuarmos a buscar a satisfação dos nossos desejos. Isso é o que os filósofos chamam de “sublimação” ou, “fazer das tripas coração”.  Ao passar por muitas e ruins acabamos aprendendo a viver à margem do mainstream comportamental, já não temos mais medo de nada pois as “coisas" acontecem independente dos nossos esforços que, para aquilo que mais desejamos, são vãos. Talvez essa insatisfação seja necessária para continuarmos tendo vontade de viver. Mas é preciso cuidado para não desesperar concluindo que não vale a pena viver, isso é pensar como criança. Se você acha que nada faz sentido, reavalie o que é viver. Tempo é vida e, é um desperdício ficar resmungando pelo o que eu gostaria de ter ou ser sem “degustar” o que tenho e sou. Tenho muita certeza que tenho vivido bem obrigado. É isso que temos para hoje e, se não quiser, tem quem queira.




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