ちょっと待ってください。



A urgência que nos foi imposta, pela automatização dos processos, é a urgência de nos livrarmos de nós mesmos. A “linha de produção” procura produzir o máximo com o mínimo de gasto, o pátio das montadoras está cheio de carros pois não há quem os compre. Capitalismo é uma coisa, ganância é outra. A busca desenfreada do aumento da produção visando um crescimento desmedido às custas da redução do salário dos consumidores é matar a galinha de ovos de ouro. Desde que comecei a trabalhar, nos anos 70, já se dizia que a automação iria liberar as pessoas para “tarefas mais nobres”. Obviamente isso é um discurso absurdo pois implica que TODAS as pessoas são capazes de atividades “criativas" e isso não é o que acontece. Criatividade não é algo que se ensine, no máximo podem ser ensinadas técnicas para “direcionar” ou desenvolver uma criatividade latente. Lembro que na escola de música, era possível escolher a prática de coral ou prática de orquestra pois, nem todos tinham as duas habilidades. Mas o que acontece com quem, já adulto, perde o seu emprego para um processo de automatização? Em 1980 visitei, em Santo André, a fábrica da GM e ainda havia algumas etapas da linha de montagem que não haviam sido automatizadas. Vi, nessa linha de montagem algo inacreditável: numa esteira, vinham as rodas e, numa outra esteira, em direção à primeira, pneus. Quando o pneu chegava no final da esteira, um operário o pegava e colocava em cima da roda para que uma prensa encaixasse as duas partes. O trabalho dele, por seis horas ininterruptas, era colocar um pneu sobre um a roda. Fico imaginando o que aconteceu com ele quando esse processo foi automatizado. Qual foi a “tarefa mais nobre” para a qual ele foi transferido? Não sou ludita, todos podem ter uma ocupação digna com a qual ganhe a vida honestamente mas, acho que vocês entenderam o problema, de que vale produzir muito ao preço de eliminar os consumidores?



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