Eu gosto de estar aqui quando posso
Viajar é bom mas, "não há lugar como nossa casa”. Foi o que respondi quando alguém na alfândega do Schiphol , o aeroporto de Amsterdam, me perguntou se eu havia gostado da Holanda. Eu estava em casa, quando ouvi pela primeira vez o “Dark Side of the Moon”, eu tinha acabado de comprar o novíssimo disco do Pink Floyd. O “som" ficava na sala, coloquei o disco para rodar, abri a janela, abri o volume e sentei no jardim, onde a música se derramava pela rua, para quem estivesse passando a ouvisse. Eu estava sozinho, sentado na grama e, essa é a lembrança que tenho da primeira de centenas (será que milhares) de vezes que ouvi o disco (não é este o PF que mais gosto) nestes últimos 50 anos. Como era a primeira vez que ouvi o disco quando ouvi que “the lunatic is on the grass”, tive muita certeza que aquilo tinha sido dito para mim, não existem coincidências. Revelações podem acontecer em qualquer lugar mas, é algo especial quando acontece em casa e, “lar é onde o coração está” (lembram daquele filme do Elvis?). Houveram muitas ocasiões em que reuni meus amigos para ouvirmos o disco mas, a Dorothy nunca aceitou o meu convite. Creio que foi nos anos 90 que ouvi, pela primeira vez aquela teoria da sincronização do disco com “O mágico de Oz” e, é claro, a sincronização em “funcionamento”, para quem ainda não assistiu, experimentem, é algo muito convincente: “The Dark Side of the Rainbow”. Essas novas visões (na realidade audições) nos fazem ir aos poucos, misturando as lembranças com as fantasias que se enchem os gaps de memória. Muitas vezes voltamos aos lugares pois, “existem lugares que me lembro toda a minha vida, muito embora alguns tenham mudado” e, tentamos recuperar a memória matando as saudades. Muitos anos depois passei em frente da casa onde eu conheci o DSOTM, não havia mais casa nem jardim, isso me fez pensar se aquelas lembranças só existiram na minha fantasia, essas coisas me fazem questionar a minha própria existência. “Coisas" aparecem e desaparecem, nós mudamos, de várias maneiras. Como o Elvis dizia, “talvez eu seja uma pedra rolante”.

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