O sertanejo dos “modernos" 



Devido à migração dos habitantes do interior para as capitais, viemos a conhecer a música dita “sertaneja”; minha família nunca teve elo algum com o “interior”. Eu não sei exatamente em que ponto da história o que chamávamos de "música caipira" passou a ser sertanejo. Nos anos 1960 tal manifestação musical nos era levada aos ouvidos por algumas emissoras de rádio AM e por alguns pedintes, normalmente cegos que, munidos de uma sanfona ou uma viola, cantavam em praça pública por uns trocados. Naqueles dias, música "caipira" era música de gente antiga do interior, que eram avós nos dias da "Jovem Guarda". Curiosamente não era considerada música "brega", mas, definitivamente, não era "mainstream", era uma simples curiosidade de gente “velha do interior". Fora de moda era o bolero, o mambo e todos os ritmos de Latino América (afinal, "inventamos" a bossa-nova). Na medida em que a migração interna ia acontecendo, o "pessoal do interior" trouxe a sua música que passou a ser conhecida nos bailes de periferia. Esse fenômeno se manteve pelas décadas de 1970-1980 quando os fazendeiros mais abastados trocaram a fazenda pela capital. Isso trouxe a música para meios de comunicação mais nobres, programas de TV com "duplas sertanejas". A indústria musical reagiu abastecendo o mercado com esse tipo de música. E se a coisa dominou a mídia, é porque houve uma invasão do interior para a capital - atualmente, 85% da população do país deixou o campo pelas cidades, o campo está mecanizado. Pensando nisso tudo só posso chegar à conclusão que o nosso país não é, nem nunca foi o "país do samba", nosso país é o país do sertanejo.



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