O Maestro



Duas vezes, ao menos, me perguntaram qual era a função do Maestro, o regente da orquestra. A princípio não entendi bem o que estavam a perguntar pois me pareceu o mesmo que perguntar o que um motorista faz segurando o volante do carro. Talvez, por falta de costume e/ou conhecimento, as pessoas ficam  confusas ao ver o maestro frente à orquestra pois sabem que todo e qualquer músico pode e faz música, sozinho. E fazem, duos, trios, quartetos. Porque uma orquestra não faz música sozinha? Porque ele não é uma caixa de música! Os músicos, por mais precisos que possam ser, não podem “resolver" a sua partitura sozinhos pois não têm a “visão" (no caso, audição) do todo. Ainda é muito difícil manter o andamento e, impossível, fazer e retomar um "ralentando" ou  um "accelerando". Ou seja, mesmo que os músicos consigam manter o andamento o resultado seria algo mecânico, artificial. Se a orquestra é um instrumento, o maestro é o músico que “toca" a orquestra. Através do movimento de suas mãos ele estabelece e altera o andamento, dá os ênfases e “controla" a intensidade (volume) de cada naipe de instrumentos. Em última análise, a interpretação de uma música cabe ao maestro e não à orquestra. Isso é fácil de constatar quando ouvimos uma mesma peça, com uma mesma orquestra sob a batuta de maestros diferentes. Sob a ótica dos músicos ele é alguém que nos ajuda a tocar os nossos instrumentos, ficamos com um olho na partitura e outro nele, a confiança mútua é fundamental. Uma historinha: estávamos no poço de orquestra do Teatro Guaíra para um concerto de piano. O elevador foi acionado e subimos esperando a entrada da pianista e da maestrina. Aplausos, etc e tal. A pianista sentou ao piano, a maestrina subiu no pódio, olhou para a pianista, olhou para nós e, levantando as mãos, começou a reger. Não lembro se foi no segundo ou terceiro movimento mas, durante a execução (não lembro que concerto era), alguém apertou o botão para que o palco descesse ao poço. Aquilo faz um barulho audível medonho e começamos a descer. Imediatamente olhamos para a maestrina e ela deu um sinal com a cabeça que entendemos que era para continuar tocando. O palco desceu até a metade, parou e “corrigiram" a situação, nos levando de volta “à superfície”. Ao terminar o teatro veio abaixo. Músicos curitibanos.




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