"Aqui o tempo se torna espaço"



Falar sobre Wagner é falar sobre um ponto de inflexão da música erudita ocidental. O título do post, como vocês notaram, é da ópera “Parsifal”, o mito dos mitos: a busca do Graal. " Zum Raum wird hier die Zeit”: aqui o tempo se torna espaço. Onde? No palco, onde o espaço einsteniano separa os músicos da plateia, a música dos ouvintes. Só os músicos encontraram o Graal. Tenho muita certeza que Wagner sabia que essa seria sua última ópera, ele tinha encontrado o Graal da música com o “acorde de Tristão”, sua “obra aberta”. Nada seria como antes pois se viu (e ouvi) que tudo era possível. O mundo estava sofrendo uma convulsão no final do século 19 devido à revolução industrial e, as artes também, uma vez que são um reflexo do Zeitgeist. As exigências da produção industrial se alastrou nos corações e mentes do todos e a vida passou a ser mais áspera. E a música procurou o “seu lugar no universo”: a angústia provocada pela sanha capitalista foi buscar seu alento na estética musical e, como era de se esperar, se frustrou (Kieerkgard já nos avisara disso). Aquilo que Wagner havia legado, que pensamos ser a solução para uma música libertadora, nos levou à mais extrema miséria humana pois, mesmo sendo transcendente, a música sempre será fruto dos corações e mentes humanas, logo imperfeita, incompleta e insatisfatória para os “tempos modernos”: o concerto acaba e a vida continua. Talvez seja esse o motivo que as pessoas, de maneira geral não gostam da música erudita do século 20, ela nos denuncia, nos lembra que os gigantes já não andam mais pela Terra, que o sonho romântico iniciado por Beethoven era, só um sonho.




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