Curitiba, imperialismo ou doutrina Monroe?
Pois então. Pertencendo ao remanescente nativo (60% da população de Curitiba são “estrangeiros”) tenho um sentimento ambíguo em relação ao desenvolvimento urbano-social da nossa cidade, quando se nasce-cresce-morre numa mesma cidade, se estabelece um caráter mais, digamos assim, conservador, esse comportamento, atualmente, é anátema mas, como diz o nosso prefeito, “cada um cai do bonde como pode”. Gosto de assistir no Youtube, os testemunhos daqueles que vêm morar aqui. Os testemunhos são muito diversos, dependendo a origem dos migrantes. Os cariocas são aqueles que mais se espantam e gostam do que a cidade oferece. Num desses videos um rapaz estava grato por estar aqui pois quando chegava do trabalho, ao comprar pão na esquina, não era assaltado no caminho e o padeiro não o enganava no troco. Que horror! Para uma situação dessas, qualquer coisa diferente é o paraíso.
Vivemos numa época onde “egoístas são aqueles que não pensam no meu bem estar”. Quando não temos mais nenhuma instituição para nos apoiar e/ou conduzir, o risco de (sobre)viver aumenta. Houve um tempo no qual a lei era algo definitivo e, hoje, é sempre contestável, todo mundo tem uma justificativa para a sua atitude. Já passou o tempo no qual as questões giravam em torno do status de riqueza/pobreza. É obvio que a questão econômica é fundamental e ainda é a causa de muitos dos conflitos que vivemos mas, hoje existem outras “pautas”, como “eles" dizem. E existem “pautas" impostas pelo que costumavam chamar de “imperialismo americano”, creio que atualmente isso também é algo que foi banido do vocabulário. Isso posto, lembro que nos anos 70, quanto nossa cidade “floresceu" para o resto do país, como a “cidade modelo”, obra e graça do extinto prefeito e urbanista, começamos a notar o aparecimento de turistas e depois migrantes de outras regiões do país, graças à essa publicidade atraente (não existe publicidade negativa). Já nos anos oitenta tínhamos gente de todos os lugares, trazidos pelas fábricas da Cidade Industrial. Foi quando começaram a vender “mandioquinha" aqui, antes só existia batata salsa. Graças a Deus o "Bar do Cachorro-Quente" resiste e nunca deixamos de ter vina. A sociologia nos ensina que as culturas que chegam, acabam por engolir a nativa e, hoje a nossa cidade é muito diferente do que costumava ser. Poucos sabem onde era o “Verde Batel”, ou os sorvetes “Caramba”, quase ninguém, “O buraco do tatu”. Curitiba sempre será para os curitibanos, porque ela sempre viverá nos nossos corações e mentes, nas nossas lembranças. Os que não nasceram aqui nunca comerão pão com vina, só o hot-dog do japa.

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