Em 1959 eu ainda não sabia ler mas, foi o ano em meu pai comprou este disco que contêm a música "The diary". Minhas lembranças mais antigas são de 1959, tinha 3 anos de idade. Ouvi muito esse disco e especialmente "The diary", eu tinha autorização de ouvir os discos que quisesse, não lembro quando aprendi a operar o toca-discos. Anos mais tarde, quando aprendi inglês compreendi o que dizia a letra mas, tudo era rock'n'roll. Ouvia-se rádio, muito rádio, somente rádio. Compramos nossa primeira TV em 1960. À noite, na casa dos meus avós, ouvíamos, no rádio valvulado, programas da Rádio Nacional do Rio que mais tarde se tornariam programas de TV: "O edifício Balança mas não Cai", "O cassino do Chacrinha" e a "radionovela" "Gerônimo, o herói do sertão". O cinema reinava absoluto e lembro de assistir filmes no colo da minha mãe, no Cine Luz, ali na praça Zacarias, na Curitiba de verdade, a "Cidade Maravilhosa" que começou a acabar nos anos 70, mas vive no coração dos "verdadeiros" curitibanos que hoje, somando todos, somos 40% da população. Então somos estes que restaram, o remanescente de uma geração fadada ao esquecimento. Ouso, ao escrever aqui, não ser lembrado mas, lembrar o que foi e não é mais, trazer à memória dos que lá estiveram comigo e não estão mais aqui, fazer conhecer aos mais jovens o que um dia fomos e que ninguém mais quer ser. Espero que essas postagens sirvam para mostrar o que aconteceu entre onde estávamos e onde estamos.

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