O violinista no telhado: sua vida foi salva pelo rock’n’roll



A vida é algo a ser saciada. Quando jovens temos mais fome e sede de descobrir como é viver e ao longo dos anos, após ter um vislumbre do que pode vir, tentamos administrar a coisa toda, da melhor maneira possível. Essa sede de viver nem sempre é dada a saciar devido as imposições das normas sociais que variam ao longo dos tempo, os “mores" como diziam os gregos. Sabe-se que a criança deve ser ensinada e corrigida e, esse processo pode frustrar as expectativas do indivíduo quanto aquilo que ele esperava conhecer e experimentar; desta forma as reações conhecidas são a revolta, se ele reagir e, o tédio, se se conformar com as restrições. As mudanças dos “usos e costumes”, morais e éticos, são, eventualmente mudados, devido ao processo de viver e conviver, simples assim. Essa fome de viver é conduzida pelo curiosidade e pela necessidade da satisfação dos desejos do indivíduo, desejos esses que, na medida em que são satisfeitos ou frustrados, são sempre agregados ao mecanismo natural de desenvolvimento individual, a tal da maturidade. Estou usando aqui a palavra “maturidade" no seu sentido lato, um indivíduo maduro é aquele que passou por diversas situações ao longo de sua vida e, sobreviveu. Criou-se uma falsa noção que um indivíduo “maduro" é aquele que é sensato e seguro de si - muita fruta acaba apodrecendo no galho. Então é a revolta ou o tédio que levam o indivíduo a “mudar o mundo” na medida em que ele encontra uma maneira de confrontar o establishment que frustra os seus desejos. Creio que a primeira tentativa de “liberdade” se encontra no plano da estética, no âmbito da satisfação desses desejos através dos sentidos, seja qual for. Quando se é jovem, a maneira mais fácil é afrontar a forma, trajes, cabelo, maquiagem, ou a maneira de comunicar que a música traz de maneira clara e precisa. Os desavisados chamam isso de “conflito de gerações” mas me parece mais um processo natural de desenvolvimento individual. É um questionamento sobre zeitstag que, nem sempre é respondido satisfatoriamente uma vez que, nem mesmo aqueles que já viveram bastante, têm uma visão clara e objetiva, vive-se muito por “tradição" (lembram do musical/filme “O violinista no telhado”?). Os jovens não conseguem formular uma pergunta clara e os velhos não têm background suficiente para dar uma resposta satisfatória. Não existe uma resposta satisfatória, alguém que seja detentor da “verdade”, ela se revela ao longo da vida e, ao vislumbrá-la, morremos.

O rock foi (digo “foi” porque estão tentando matá-lo e enterrá-lo a muitas décadas) o instrumento perfeito para servir a fúria ensandecida dos revoltados e encher os corações e mentes dos entediados que ficavam babando em frente da TV. Isso está lindamente descrito em “Rock'n'roll" do Velvet Underground:


“Jenny said when she was just five years old

There was nothing happening at all

Every time she puts on a radio

There was a nothing going down at all, not at all

Then one fine morning she puts on a New York station

You know, she couldn’t believe what she heard at all

She stared shaking to that fine fine music

You know her life was saved by rock’n'roll"


Mas como hoje ninguém mais se revolta pois os pais levam e trazem os filhos para a escola até terminar o doutorado e ninguém fica entediado pois as redes sociais não deixam ninguém dormir - estamos fadados e não mais progredir, seja como pessoas, seja como sociedade.

 P.S.: Eu sintonizei várias estações de radio de NYC, é só rap. Acho que o rock está morto mesmo. 



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