Arte & Fatos
Fazia muitos anos que eu não era convidado para uma vernissage. Convite de uma amiga, acabei não indo. Dias mais tarde fui à exposição, gravuras muito boas, criatividade à solta. Em tempos de IA, que nos libera para "atividades mais nobres", resta a criatividade, para os artistas e, o delírio para o resto do mundo, "só os poetas podem ver na escuridão" ... Não tenho muita certeza se a arte, como nos é apresentada, ainda é passível de ser consumida por delirantes. A "comoditização" de tudo, inclusive de nós mesmos, mudou muito, não digo os padrões, mas os valores estéticos em se tratando do que entendemos por "arte". O mito do museu ou da galeria é algo determinante, porque assim aprendemos pois, se encontrarmos a "Mona Lisa" pendurada num poste, não é possível que seja a "de verdade”. Grafiteiro na rua é tido como bandido, na galeria, artista. Isso nos remete à mesma discussão que eu trouxe aqui quando tratei de música erudita e, as conclusões, as mesmas. Talvez a discussão não seja sobre a produção artística, mas sim, a fruição dela. O que leva alguém a ir, espontaneamente, à uma galeria de arte ou a um museu? Creio ser o mesmo que atrai um torcedor a assistir uma partida de futebol. Afinidades eletivas ...
Afinal, "a plateia só deseja ser feliz" ...

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