Às vezes você me pergunta porque é que sou tão calado
Não se se o Raul estava se referindo ao Roberto (na verdade a música é do Tim Maia) mas lembrei que “há muito tempo eu vivi calado, mas agora resolvi falar”. Não creio que nada que eu fale possa ser relevante a não ser para mim (este WebLog é uma catarse) e para as poucas pessoas que têm algum interesse em me conhecer melhor decriptografando o que escrevo. Vivemos tempos conturbados por pessoas perturbadas. Creio que sempre foi assim, não posso medir nem comparar com a minha geração o grau de desconforto que nossos pais sentiram ao olhar o mundo à volta deles. Talvez a diferença é que eles passaram por um menor número de mudanças de comportamento social entre seus 40 e 60 anos que seus filhos. Não sei o que foi para eles as consequências da pílula anticoncepcional. Muitas coisas que atualmente estão sedimentadas, na década de 69 e 70 estava nascendo e eram consideradas bizarras. Até a década de 70 (e não foi no começo) só atletas se exercitavam, não existiam academias de fitness. Até a década de 80 não se discutia ecologia (e tudo o que veio junto com isso), não haviam todas essas pautas sociais. Me parece que, mesmo que todas as discussões, mesmo justas, foram cooptadas por um marketing muito eficiente que bota na cabeça das pessoas se elas fizerem (ou não fizerem) isso ou aquilo, teremos um mundo melhor, num futuro próximo. O mesmo marketing nos mostra que existe um esfôrço por muita gente para que isso aconteça. Sabemos que “isso” não acontece e nunca vai acontecer pois são ações que somente nos livram da culpa de desastres anunciados que nunca acontecem. Existe uma busca desesperada em trazer sentido para a vida e, esse “sentido da vida” é buscado em lugares errados, motivações erradas. Nossa sociedade, calcada no capitalismo, vive em função dele. Porque a crise climática não acaba? Porque o petróleo não acba? Porque as guerras não acabam? Porque a crise política (está acontecendo isso ou é assim mesmo?) não acaba? Porque, como disse o Woody Allen, “o mundo é um grande restaurante”, um come o outro (e isso tem um preço). E não adiante querer proteger “o último da espécie” pois se for para matar a fome de alguém, esse será o último da espécie a ser comido.

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