Os mais iguais
"A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos sendo iguais aos seus olhos são igualmente elegíveis para todos os cargos, lugares e empregos públicos, de acordo com a sua capacidade, e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e talentos".
Declaração dos direitos dos homens e dos cidadãos, artigo 6 (1789)
Surgiu, a alguns anos, uma discussão sobre as oportunidades, de estudo e trabalho, para os "cidadãos" e, através de um discurso de "reparação", criou-se as "cotas" de participação nas vagas de universidades e alguns concursos públicos. Pedir desculpas pelos erros dos nossos antepassados é algo nobre, mas é um risco esperar que as pessoas sem um preparo básico possam corresponder às exigências do ensino superior ou de uma função profissional especializada. É claro que o risco de uma má performance se dá entre cotistas e não cotistas, as cotas são uma oportunidade, não uma certeza: o tempo dirá se o candidato se dará bem ou não. Temos visto que a evasão nos cursos superiores mais "técnicos" atinge 36% dos estudantes até o segundo ano do curso, isso se deve à uma formação básica insuficiente. Não sei se existe um estudo em termos das vagas ocupadas por cotistas no mercado de trabalho profissional. Eu digo "profissional" pois essas vagas (20%) são impostas em concursos públicos e assemelhados. Devido à uma série de acontecimentos, onde se usou farta e inapropriadamente a palavra "meritocracia" a mesma se tornou algo para acomodar os meus amigos e, isso a criminalizou. O merecimento vem de serviços prestados através de suas "virtudes e talentos" (segundo a "Declaração dos direitos do homem e do cidadão") mas, sabemos que a atrás da glória e virtude, vem a inveja ("gloriae et virtutis invidia est comes"). Veja que isso não é um fenômeno devido ao "uso" da meritocracia, mas uma consequência natural do comportamento humano: " o que é que ele tem que eu não tenho?" Quantas vezes, desde crianças, nos sentimos preteridos? Seja pelos nossos irmãos, seja por colegas na escola. Achamos injusto não sermos "escolhidos" pelo que somos porque fomos achados "piores" que os outros. Talvez seja mais simples demonstrar esse mecanismo quando, por exemplo, contratamos um engenheiro para construir uma ponte: contrataremos um que 1% das pontes caíram ou outro que todas as pontes se mantem através dos anos? O "merecimento", neste caso parece ser claro, mesmo que seja somente 1% de possibilidade de um acidente, obviamente escolhemos aquele que possui, no seu curriculum, 100% de sucesso. Não basta alguém existir para ser. Na " vida real", não fazemos nossas escolhas por cotas, mas por fatos.

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