"Você morrerá, eu não"
Um processo mental é uma característica natural aos seres vivos e mesmo assim, nem todos. Quando um processo, levado à cabo por um ser vivo, é operacionalizado artificialmente (hoje está na moda chamar isso de "algoritmo"), foi dado o nome (infeliz) de Inteligência Artificial e, me parece que isso é um nome "fantasia" do produto, com uma grande probabilidade de ser realmente algo fantasioso. É a mesma fantasia de alguém, e não são poucos, que dizem que sua vida depende do telefone celular (em última análise, da Internet). Se de repente perdêssemos a energia elétrica, haveria um colapso mundial, mas isso não exterminaria a humanidade. Dependência tecnológica é uma estratégia de mercado fabulosa e, como todas as técnicas e procedimentos capitalistas (agora a moda é dizer "sociedade de mercado”), estão pouco se lixando para os consumidores, dado o foco dado ao aumento da produção em detrimento do próprio consumidor. Automatizar para liberar as pessoas para "tarefas mais nobres" (ou "mais criativas") implica obviamente, em existir postos de trabalho para atividades nobres e criativas que, mesmo existindo, os "liberados" não têm capacitação ou habilidade para tanto. Essa constatação foi feita quando se estabeleceram as primeiras fábricas "automatizadas" na segunda metade do século 19 e os "liberados" passaram a sabotar as máquinas com seus tamancos ("sabots"). Vã tentativa, botaram todo mundo na rua. Quando, aqui em Curitiba (agora no século 21), substituíram os cobradores de ônibus por uma leitora de cartões, aumentou o número de "recicladores" e de moradores de rua.
A mídia, os meios de comunicação que informam (mas não educam) os avanços tecnológicos, o fazem de uma forma que as pessoas não conseguem mais discernir o real do imaginário. As informações que, muitas vezes nos são apresentadas como "notícias" são mescladas, no imaginário do público, com ficção científica e, os profetas do Apocalipse se aproveitam disso tudo para nos prevenir que seremos todos exterminados por andróides assassinos. É muito mais fácil acusar "algo" ao invés que "alguém". Enquanto o descontrole (se é que isso existe) for tratado como arestas a serem tratados no percurso, o desenvolvimento da A.I. irá acontecendo e a ferramenta será utilizada com a finalidade devida, porém, se botarem na cabeça que a coisa "criou consciência", como aconteceu com aquele colaborador do Google, ninguém conterá a turba ensandecida a caminho da Bastilha. É muito mais simples e, melhor delirar que pensar. Os programas que se utilizam de técnicas de auto aprendizado (machine learning), mesmo autogerenciáveis possuem limites ditados pelo objetivo: um programa que tem o objetivo reproduzir ou "criar" um quadro no estilo do Van Gogh não pegará em armas, porém não é adequado programar uma drone "inteligente" a ter como alvo "tudo o que se mova". A personificação de possíveis andróides induz as pessoas a pensarem que eles possuem os mesmos processos mentais humanos. Talvez a grande dificuldade quando se trata de machine learning seja o objetivo final, entre o processo para se obter uma cópia da Mona Lisa e o processo de "inventar um quadro", o último é uma proposta, insolúvel para tal algoritmo pois para a mente humana esse "inventar um quadro", mesmo sendo um pedido vago, é factível, para um "programa pintor" é algo impossível pela falta de informações objetivas pois "inventar" não é exatamente a mesma coisa que "pintar" e por aí vai.

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