Mãe
Ser filho foi para minha uma experiência fantástica, sempre me dei muito bem com minha mãe, apesar de jovem (ela tinha 20 anos quando eu nasci) era sábia e sensata. Naqueles dias isso era preciso, não existiam as comodidades acomodantes atuais, talvez porque a vida era mais curta e menos urgente. Uma das coisas que me marcou profundamente foi uma frase que um dia ela me disse. Antigamente, media-se a saúde das pessoas pelo seu peso, os gordos eram saudáveis e os magros doentes. Isso tem uma explicação: a gripe Espanhola que seguiu a Grande Guerra, que chamaram depois de Primeira Guerra Mundial, deixou muitas sequelas nas pessoas, matando-as bem jovens, a pessoa definhava e ficava bem magra, esse era o “diagnóstico visual” do leigo, os magros eram magros por falta de saúde. Revenons à nous moutons. Com muita certeza minha mãe foi criada com esse medo da magreza e toda uma geração tentava engordar seus filhos, desta forma, passei minha infância indo ao médico para que fosse tratada a causa da minha magreza. Hoje sabemos que crianças gorda é uma disfunção mas eles não sabiam disso. Obviamente minha mãe me preparava refeições que eram consideradas “engordantes” e numa dessas ocasiões, rejeitei o prato que ela havia preparado. Creio que eu deveria ter uns 5 ou 6 anos. Ela me perguntou porque eu não estava comendo e eu disse que “estava ruim”. Ela olhou bem para mim e disse: “Você acha que eu faria algo ruim para você comer?”. Desmontei e comi por amor.

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