O segundo movimento da sétima
A primeira vez que ouvi a sétima sinfonia de Beethoven fiquei tão extasiado como quando ouvi a sexta. Na minha curiosidade infantil, após ouvir a sexta sinfonia no desenho “Fantasia" do Walt Disney, me deparei com algo mais complexo, pelo menos para os meus ouvidos : a sexta sinfonia sempre me pareceu obvia no seu desenvolvimento, talvez devido ao seu caráter programático extremo, o que era acessível para os meus oito ou nove anos de idade. Buscando “o que viria depois”, ouvi na casa do meu tio a sétima. O LP tinha (e ainda tem) dois movimentos da peça de cada lado, o que é natural. Quando acabou o lado A, eu estava paralisado, "com os olhos no infinito” como dizem, o braço do toca-discos alcançou o dead wax e meu tio se levantou da poltrona para virar o disco. Ele notou o meu êxtase e não me interrompeu. Ouvimos o lado B. Pedi para ouvir novamente, desde o primeiro movimento. Voltei para casa, eram umas oito ou nove quadras, aquele segundo movimento havia grudado nos meus ouvidos. Naquele mesmo dia pedi o disco de presente. Não lembro qual era a orquestra ou o regente mas a música estava lá. Depois disso é impossível saber quantas vezes a ouvi, da mesma maneira que tantas outras músicas as quais passamos as nossas vidas ouvindo e reouvindo. Já ouvi muita coisa, mas muita coisa mesmo e, nada, mas nada mesmo superou o segundo movimento da sinfonia número 7 em lá maior, opus 92. O Tesla nos ensinou que os mistérios do universo estão escondidos nas vibrações - Beethoven também sabia disso, antes do Tesla.
P.S.: a interpretação que mais gosto é do Claudio Abbado com a Filarmônica de Berlin. Vocês podem ouví-la neste endereço: https://youtu.be/rPrka6jKgek

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