E se …



Muitas vezes caímos na tentação de nos perguntar como as coisas seriam se algo que quase aconteceu acontecesse. Mais intrigante, pelo menos para mim, não é o que teria acontecido mas o “quase”. Nos acode imediatamente o Rei: “mas quase também é mais um detalhe”. Esses limites que não ultrapassamos muitas vezes me escapam à lembrança, procuro me consolar em pensar que foi a conjunção de muitas coisas que levaram ao cabo aquela solução mas, muitas vezes desconfio que eu, e somente eu, fui o responsável por tal reviravolta. Já ouvi muita gente se entregar à fantasia de imaginar como seria a vida delas com o "se" … Talvez o “se" mais sério que pensei foi se eu não estivesse aqui e agora. Isso faria alguma diferença para aqueles que deixei para trás? O que mudaria nas pessoas que me conhecerem e que, de uma maneira ou outra, fiz diferença para elas? Durante a pandemia perdi dois amigos de infância sendo que um deles foi o coração, não foi o vírus. Os conheci quando tínhamos 9, 10 anos. Estudamos juntos, ouvimos música juntos, crescemos juntos, trabalhamos, viajamos e eles não estão mais aqui. É algo estranho para mim, é um tipo de solidão muito particular, talvez mais que solidão, abandono.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog