Pavane
Ravel é o que há de bom. Estou ouvindo, num LP é claro, o arranjo que o Deodato fez da Pavane. Existem músicas que transcendem aqueles rótulos que impomos para nos diferenciar dos “outros" que não são da nossa turma. Essa necessidade de pertencimento é, obviamente, um traço da nossa natureza gregária. A música, a boa música, a música “séria”, dita erudita, me parece ser aqueles que mais “agrega valor” social. É algo que permeia nossas vidas mesmo quando nunca fomos a um concerto ou sentamos para ouvir uma sinfonia. A concepção formal das escalas, normatizadas por Bach no “Cravo bem temperado”, bem como o contraponto e as sequências harmônicas, estão entranhadas no DNA humano a séculos. Ontem mesmo, conversando com um amigo, ele relatou um concerto no qual uma “orquestra de violões” interpretou uma adaptação de uma peça do Philip Glass, em que ele deixa o final “aberto” e, isso causou grande comoção entre a plateia. Ora, sabemos que isso é herança, ou melhor, um uso daquilo que os impressionistas nos mostraram desde Van Gogh: o cérebro faz compensações e “fecha" essas coisas que deixamos, propositalmente, em aberto para que ele (o cérebro), complete. Mesmo sem saber nada de música, todos sabem se a música terminou pois, normalmente, existe um acorde final que a completa e, se ele não aparece, o “ouvimos" com o nosso cérebro. Quem nunca ouviu, vá até o Youtube e procure por “Pavane Ravel”, é uma melodia que me acompanha a muito, muito tempo.

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