Quem ouvimos?




Penso que cada vez mais ouvimos nossos próprios instintos. Toda e qualquer autoridade foi desqualificada como tal, de uma maneira ou outra nesses últimos 150 anos. Desqualificamos nossas crenças e nossas instituições por não satisfazerem nossos desejos. E  a “modernidade" nos diz que "quem sabe mais do que desejamos que nós mesmos"? Talvez até não saibamos tanto assim mas temos nosso orgulho de sermos quem somos e isso, nos faz querer ser senhores de nós mesmos. Mas esse instinto de auto-satisfação pode estar desafinado com os acidentes que tivemos durante o período em que nosso caráter se formou ou pior, nosso caráter foi deformado por esses acidentes: toda a qualquer vicissitude que, novamente, veio frustrar nossos desejos. Mas é isso somente “o sentido da vida”, a satisfação dos nossos desejos? Talvez um sentimento mais nobre veio provocar a busca de um sentido “maior" para a nossa existência mas, não seria esse “sentimento mais nobre” um sentimento não tão nobre assim que visava classificar as pessoas para que esses, de “nobres sentimentos” se colocassem numa posição de opressor daqueles de “vis sentimentos”? É fácil alimentar o “lobo mau” que temos dentro de nós ao invés do “lobo bom”, se é que seja possível ter-se esse discernimento. Já se foi o tempo em que as pessoas se valiam da experiência daqueles que, por viver mais, sabiam mais - "não vou me rebaixar em pedir ajuda, afinal é errando que se aprende, não é mesmo? E tem mais, o mundo que as gerações passadas engendraram e nos deixaram é esse lixo que vemos aí, as gerações passadas não têm nada a nos oferecer, vamos, com a ajuda da ciência, construir um mundo melhor”. Já se ouviu isso anteriormente, muitas vezes, direta ou indiretamente, não vai dar certo, na realidade já deu errado a muito e não queremos admitir, afinal somos os bons, não somos?




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