Sem censura





Na metade da década de 80 apareceu um programa de entrevistas na TV chamado “Sem censura”. O governo revolucionário estava nas últimas e, para quem não viveu aqueles dias, os anos 80 foram mais “lights" e então “se podia” muita coisa que antes era impensável, daí o nome do programa. Assistindo, nesta semana, um programa em que se falou sobre o tema, alguns jovens foram entrevistados, ao acaso na rua, para saber se eles eram contra ou a favor da censura. Para a surpresa daqueles que conduziam o programa e, com certeza para os que viveram o governo militar, TODOS os entrevistados disseram, com todas as letras “sou a favor da censura” e explicavam suas razões. Fico pensando se essa geração sabe realmente o que é censura. Falaram muito em “fake news” (eu acho simplesmente ridículo esse termo) e refrear a liberdade de expressão para “certos temas” que sabemos ser as pautas das ditas “minorias”. Num mundo de 8 bilhões (!) de pessoas, muitas delas (menos do que se pensa) “conectadas”, recebendo e enviando mensagens através de um número incomensurável de computadores e celulares (não existem mais “telefones”, dispositivos pelo qual as pessoas conversavam à distância) como seria possível haver um filtro para mensagens “inadequadas”? É preciso lembrar que toda a parafernália tecnológica que liga (eles dizem “conecta”) as pessoas são simples ferramentas que facilitam a comunicação e que o “perigo" reside no que o Estado pode fazer com o conteúdo das mensagens que correm por aí. Com a chancela dos eleitores, aprovando e pedindo censura, “aqueles" dias podem voltar. Em nome do “bem comum” o Estado, que tem o direito legal e usar de mecanismos de coerção sobre os cidadãos, pode controlar a seu bem prazer esses mesmo eleitores. Ser “inimigo do Estado” é bem mais fácil que se pensa pois, o próprio pensar pode ser considerado traição. Pensem nisso, se ousarem.




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