A seda azul do papel
Existem coisas que não existem mais e que isso é bom, como o Orkut e existem coisas que não existem mais que sentimos uma nostalgia ao nos lembrarmos, como “a seda azul do papel que envolve a maçã”. Naqueles dias heróicos, em que se amarrava cachorro com linguiça, as maçãs que comíamos em Pindorama eram importadas de Argentina e, eram envolvidas no tal papel azul, uma a uma, para não estragarem no transporte. Muito civilizado. Depois de comer o pomo, brincávamos com o papel de seda: encontrávamos uma pedra chata um pouco menos que o papel, envolvíamos a pedra com o papel e a arremessávamos para o alto, de forma que lá em cima, o papel se desprendia da pedra, que eventualmente caía na vidraça do vizinho, e o papel caía lentamente, sendo muitas vezes levado pelo vento, era algo muito bonito de se ver. Tal brincadeira, tenho muita certeza, nunca brotaria na cabeça de uma geração que acha que frango não tem cabeça e nascem nus, nos freezers dos supermercados. Hoje em dia exportamos (não muitas) maçãs e, não temos mais o papel azul. Lembranças de infância são sempre marcadas de uma simplicidade atordoante.

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