Prisioners of our own device


O quanto realmente temos escolha? Me parece que essa nossa “liberdade de escolha”, o tal “livre arbítrio”, está atrelado ao nosso “eu interior” que podemos chamar de caráter. Os cínicos poderiam dizer que isso é auto-censura. Somos e agimos como fomos ensinados e como experimentamos o que vivemos, absorvendo e julgando nossas experiências na medida que elas acontecem ao longo do tempo, isso chamamos de maturidade. Porém me parece claro que maturidade é algo um pouco diferente que sabedoria, que é o conhecimento aplicado. Dada a diversidade (essa palavra, que está na moda, é erroneamente utilizada, como tudo que está na moda) de experiencias e realidades é obvio que um mesmo assunto ou discussão tenha abordagens, premissas e conclusões também diversas. Para tentar um convívio “civilizado”, temos o “Contrato Social”. Ou tínhamos. Ninguém mais tem o direito de ser o que é pois a probabilidade de ser marginalizado é muito grande. Somos uma espécie gregária mas está cada vez mais difícil se agregar. Os jovens querem se agregar para “serem alguém”, os adultos, para continuarem sendo pois acredita-se que o grupo, qualquer grupo, será um meio para a satisfação dos nossos desejos. Essa condição é o cerne do capitalismo: nos agregamos para vender nossos produtos seja lá o que for, às vezes nós somos o produto (como já foi dito). Daí a necessidade de ser “atraente" de alguma forma e, sabemos ser impossível agradar a todos no grupo que participamos. Nunca o grupo nos acolhe pelo que somos individualmente mas sempre pelo que podemos contribuir para o grupo se manter. Os objetivos sempre são claros mesmo que, muitas vezes, inconfessáveis, há que sem manter as aparências. Manter a persona sempre é impossível especialmente quando essa persona é para nós mesmos, isso nos torna delirantes. Isso me lembra a cena final do filme “Sunset Boulevard”: a frustração, quando nos revela quem somos realmente, leva à loucura.   

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