Alarmes




A modernidade nos trouxe novos paradigmas de segurança residencial, os alarmes (quando criança isso não era utilizado). Em volta do condomínio em que moro há uma infinidade de alarmes, inclusive no meu condomínio. Como toda a qualquer instalação de um componente elétrico que pode ser regulado, assim são os alarmes. Usados para espantar e denunciar os arrombadores muitas vezes esses dispositivos disparam sem causa aparente, provavelmente fruto de uma má regulagem, suponho. Ao lado da minha janela, do outro lado do muro, há uma casa que sedia um escritório de advogados, profissionais togados e ilibados, segundo a natureza do ofício. Mas o alarme que instalaram no escritório não compartilhava da sobriedade dos donos: invariavelmente, na sexta-feira depois que o escritório era fechado, o dito disparava escandalosamente. Na primeira vez que isso aconteceu a esperança que o barulho parasse se desvaneceu depois de segunda hora daquela tortura chinesa (espero não estar ofendendo os naturais daquele país distante). Fui instado a recuperar o número do telefone da central de segurança, responsável pela monitoração do imóvel protegido. Liguei, atendeu uma mocinha com voz de personagem de desenho animado. Expliquei a situação e ela, depois de algum tempo disse que não havia registro algum de alarme para aquele endereço. Rebati a desculpa dela dizendo que independente disso o alarme estava a soar, o que ela mesma poderia constatar pois o som lhe era audível. Ela disse que não saberia reconhecer esse alarme com um alarme da sua central. Comecei a espumar.  A estupidez bovina desses "colaboradores" que atendem reclamações lhes precede.  Agradeci pela atenção da guria e, segundos depois de desligar, o alarme magicamente parou. A maioria desses alarmes não são desligados remotamente pois é a garantia que o segurança vá até o local para verificar o possível arrombamento. Não deu outra, dois minutos depois o alarme voltou com a mesma intensidade e teimosia. No meu sistema de áudio coloquei os concertos Brandemburgo com o volume suficiente para não ouvir o alarme. Meus vizinhos ouviram Bach e Beethoven até segunda-feira quando o alarme cessou. Deixei meus vizinhos advogados cientes do ocorrido no que eles ficaram sensibilizados ao problema. Em vão. A situação se repetia com frequência, sem saber porque às vezes disparava e às vezes não. Meses depois descobriram (não me perguntem quem) que era uma planta que, movida pelo vento, balançava suas folhas o suficiente para disparar o alarme.  Mistérios da natureza.


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