Demo(?)cracia
Houve um tempo em que a alternância do poder (público) era ditada simplesmente pela economia, as pessoas elegiam seus representantes de acordo com aquilo que esperavam de seus salários, se achavam que estava bom, continuavam a votar na situação, caso contrário, votavam na oposição. Simples assim. Não havia preocupação com o meio ambiente, com pets ou com os "gêneros" (naqueles dias pensávamos que só existiam meninos e meninas). Considerar outras "pautas" é coisa nova. Pelo que me lembro, a primeira pauta não voltada à salários apareceu nos anos oitenta com os defensores da ecologia, o tal do "partido verde" (que não era dos marcianos). Aqui em Pindorama chegaram a concorrer pela presidência, tendo como candidato o Fernando Gabeira. Na época ele reeditou o famoso livro "O que é isso, companheiro" com direito a um poster do autor vestido de sunga. A votação para os verdes foi pífia, não sei se por falta de vegetarianos ou se o povo não queria um presidente de sunga. O fato é que naquela primeira eleição em tantos anos, elegemos um candidato moribundo que morreu antes de assumir o cargo. Coisas de Pindorama. Isso me leva a pensar no que dizem, que "os bons morrem antes". Porém nunca pudemos avaliar algo que nunca aconteceu, ficamos na fantasia. Mas a coisa começou a ficar mais complicada dez anos depois, nos meados dos anos 90 com a invençao americana (sempre eles!) do "politicamente correto". Imagino que vocês que me lêem já estão saturados dos meus lamentos em relação aos estros do politicamente correto - de boas intenções o inferno está repleto. Do conceito da defesa dos direitos dos oprimidos, passou a ser uma manual inquisitório que, em muitos países, se tornou lei. Me causa espécie legislar moral, uma vez que esse conceito é puramente pessoal. Houve um tempo em que a expressão "moral e bons costumes" era algo que se entendia como "boas maneiras", ao menos. Talvez o descontrole catártico de alguns "setores da nossa sociedade" tenha sido despertado exatamente pelo conceito politicamente correto de "liberdade". Isso foi um tiro no próprio pé. Como todas as ferramentas mal utilizadas, desembocamos num debate básico do "nós contra eles". Para satisfazer os desejos mais ocultos e inenarráveis, hoje ser branco de classe média é motivo de crime e castigo. Creio existir uma crescente inveja de tudo que desejamos e sabemos que nunca teremos e, desta forma o mais simples é eliminar aqueles que tem ou são o que desejamos. Muitas vezes a existência de alguns grupos parece ser o impedimento da realizaçãos desses desejos, então é preciso eliminar esse grupo, basta ler as notícias de guerra mundo afora. Este é o progesso social que logramos com toda a nossa civilidade. Estamos de parabéns!

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