Articialidade


Os primeiros artefatos artificiais que conheci foram rosas de plástico, isso nos anos 60 e, não me lembro de algo ter me chamado a atenção pela sua artificialidade até o advento do CD e depois da câmera fotográfica digital. O CD me encantou, como a muitos naqueles anos mas a fotografia digital me deixou um tanto perturbado. Eu tinha, na casa da minha mãe, um laboratório fotográfico no qual revelava e copiava filmes branco-e-preto e tirava as fotos com um Pentax Spotmatic, eu usava normalmente uma lente de 28mm ao invés das 50mm e, para retratos uma objetiva de 100mm. Sem precisar mais de um laboratório para revelar fotos a coisa se vulgarizou. Bastava clicar e imediatamente ver o resultado, se não ficou bom, faz outra. Isso não é mais fotografia mas, um registro digital de imagens. Obviamente a novidade foi acolhida de braços abertos tanto pelo público leigo como pela comunidade dos profissionais da imagem. Nunca mais fotos fora de foco ou fora de quadro. As grandes marcas também aderiram à nova tecnologia e hoje temos Nikon digitais. Os princípios se mantiveram, é possível regular a abertura da lente, focar manualmente, alterar a velocidade do obturador mas não temos mais filme. É como feijoada de milho ou pior, feijoada com feijões de plástico, como as rosas da minha infância. Em nome da praticidade desdenhamos da criatividade, afinal qualquer um pode tirar uma foto.    




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