Inovações tecnológicas
Sobre a valorização do moderno, numa ótica totalmente estúpida, já discutimos isso anteriormente. Quero mostrar algumas reações que tenho observado já a algum tempo e que, de certa forma, me incomodam. Quando não temos bases de sustentação para os nossos valores, projetamos nossas ações e reações nos feitos tecnológicos, afinal sempre contribuímos (cof, cof) para o desenvolvimento tecnológico, ativa ou passivamente. Ativamente se estivermos envolvidos no projeto e, passivamente como consumidores. Precisamos no afirmar como indivíduos participantes do desenvolvimento da humanidade (olha aí os narcisos). Desta forma todo progresso é aplaudido e devidamente consumido para nos arvorarmos como parte desse processo: consumimos o bem para sermos aceitos no "coletivo" como diz o pessoal da esquerda festiva. E isso é feito com muita seriedade e reverência, afinal TODO MUNDO tem um celular de última geração, uma TV "inteligente" de trocentas polegadas com uma definição e reprodução de cores que nem um espectrógrafo seria capaz de discernir. Até aí o comportamento é identificável, coisas de adolescente. O que me causa espécie é como esses avanços tecnológicos são zombados quando se tornam obsoletos, como se alguém descobrir que os utilizamos, seremos alvos de chacotas. Quando nos reunimos para jogar conversa fora e o assunto esbarra nas nossas memórias e preferências de um dado período, invariavelmente a comparação da performance de itens tecnológicos daquela época com os atuais, causa riso, como se rindo de nós mesmo nos promovesse à um desenvolvimento pessoal nas nossas escolhas, afinal SEMPRE escolhemos produtos de ponta, como dizem (somos "modernos"). Me parce que muita gente carece de informação histórica das "coisas". Achar engraçado o uso de controle remoto com fio é tão engraçado como saber que antes de existirem carros as pessoas andavam à cavalo. Talvez exista um necessidade de se justificar por termos pertencido à uma época em que as coisas eram como eram e as considerávamos "tecnologia de ponta". Algo como rir das travessuras de uma criança. Consideramo-nos tão espertos que negamos nosso próprio passado como algo inadequado e fadado ao esquecimento. Gente é algo muito complicado.

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