Sou uma ilha?
I am a rock (Paul Simon)
A winter's day
In a deep and dark December
I am alone
Gazing from my window to the streets below
On a freshly fallen silent shroud of snow
I am a rock I am an island
I've built walls
A fortress deep and mighty
That none may penetrate
I have no need of friendship, friendship causes pain
It's laughter and it's loving I disdain
I am a rock I am an island
Don't talk of love
Well I've heard the word before
It's sleeping in my memory
I won't disturb the slumber of feelings that have died
If I never loved I never would have cried
I am a rock I am an island
I have my books
And my poetry to protect me
I am shielded in my armor
Hiding in my room safe within my womb
I touch no one and no one touches me
I am a rock I am an island
And a rock feels no pain
And an island never cries
A música de Simon & Garfunkel me foi apresentada numa aula de inglês quando eu tinha 11 anos, não me recordo exatamente. Foi a primeira vez no meu colégio que foi usado um recurso audiovisual, junto com a música eram projetados slides doa artistas. A música era, me lembro bem, "The 59th street, bridge song (feelin´ groovy)", que fomos desafiados a traduzi-la. Naqueles dias só tínhamos o dicionário para tanto e é claro, nos deparamos com expressões idiomáticas e gírias que o dicionário não contemplava. O curioso é que o professor não nos deu uma possível transliteração ou nos explicou as expressões idiomáticas, o ensino de línguas naqueles dias era algo muito hermético. Independente disso gostei muito da música e acabei ganhando o disco. Como só vim aprender inglês anos mais tarde e, não tínhamos as facilidades de obter informações como hoje, era muito difícil conseguir as letras de música. Anos mais tarde, quando soube do conteúdo das letras, percebi o quanto eram profundas e, na maioria das vezes, tremendamente pessimistas, que não é o caso de "Feelin' groovy". Fico pensando o que acontece que muitos de nós não conseguem reagir às dificuldades, é claro que é uma pergunta retórica, todos os dias lutamos com adversidades. Talvez esmurrar pontas de faca seja uma maneira de aprendermos que quase tudo é muito diferente do que pensávamos e desejávamos. Essa insistência tem um limite que alguns podem chamar de teimosia, mas na realidade, é orgulho. isso permeia todos os tipos de interação interpessoal e me parece ser a causa de muitas dificuldades. Muitas vezes é difícil entender porque as pessoas agem e sentem e pensam de uma maneira que para nós é algo impensável. Se, num dado momento não conseguimos lidar com essa nossa limitação, de aceitar que TODO MUNDO é diferente de nós, o que nos resta é se afastar de tudo e de todos para a nossa própria proteção. Pode parecer algo extremo mas isso sempre aconteceu, não é um fenômeno dos "tempos modernos". Jovens no Japão não saem de casa a vinte anos ou mais assim como os monges na idade média se retiravam do convívio humano para se "santificarem". O quanto julgamos deletéria a existência dos outros? Nesse exato momento tem gente se matando mundo a fora porque são "diferentes" e, mais uma vez, isso não é novidade. Numa realidade dessas, a saída é ser uma rocha, é ser uma ilha. Até quando?

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