Do K7 ao Mini Disc: o que vocês perderam …
Houve um tempo em que tudo era de verdade: dos meninos e meninas até a música que ouvíamos na Rádio Ouro Verde. Hoje “namoram" no celular e nos computadores (?), ouvem música através de “streamings” em coisas que chamam de “playlists”. Muito tempo antes de asfaltarem a República Argentina eu ganhei um gravador portátil de fitas K7 (ou casséte, para não confundir com porrete). Era um Toshiba, naquela época eletrônicos eram japoneses unicamente. Veio com duas fitas, um microfone, um earphone mono pois o gravador era mono obviamente. Mesmo ele tendo uma entrada para gravar o rádio não tinha uma saída então eu gravava com o microfone. Quando ganhei meu toca-discos, consegui gravar dele. Era muito prático poder “carregar" música que eu escolhia para compor a fita, não deixava de ser uma “playlist" real, não um ponteiro para carregar um arquivo que está num servidor alhures na internet. Ao longo do tempo apareceram os decks domésticos que eram muitíssimo bons, com auto-reverse (invenção maravilhosa), busca da próxima música, stereo (!) e enfim, o deck duplo e mesmo changers com até 10 ou 20 fitas. As fitas de cromo eram muito boas , as de ferro, melhores. Fita de 60, 90 e 120 minutos. As fitas K7 embalaram muitas festinhas através do mundo. Isso durou quase 30 anos quando a digitalite assolou o mundo e, a partir da segunda metade da década de 70 o uso da tecnologia digital desembocou nos CDs e em gravadores digitais, os DAT. Essa tecnologia foi desenvolvida pela holandesa Philips como o desenvolvimento “natural" da fita K7. Então a Sony apresentou ao mundo o minidisc. Chegamos onde eu queria. Os disquinhos têm (ainda são fabricados somente pela Sony e no Japão somente) um terço do tamanho de um CD e são regraváveis (além de não enrolarem dentro do aparelho como as fitas faziam). A tecnologia deveria substituir as fitas K7, a qualidade de som é melhor que as fitas K7 e quase o som de um CD. A capacidade de gravação é de 60, 74 e 80 minutos, sendo que somente de 80 minutos são fabricados atualmente. É possível colocar o nome do disco e das “faixas" (olha aí a herança dos LPs) individualmente. É possível editar as faixas de todas as maneiras possíveis: mudar a ordem das músicas, juntar músicas contíguas, separa uma música em “pedaços" e juntá-los em qualquer ordem. A estrutura de dados do disco é igual a um disco magnético para computador, tem uma área, perto do centro do disco onde é armazenado um índice das músicas (Table Of Contents). Enfim, a coisa só tem vantagens sobre as fitas K7 MAS não teve o sucesso esperado, exceto no Japão (sempre o Japão). No lançamento o gravador/reprodutor era muito caro, era US$ 750,00 e não era tão portátil assim. Os discos eram mais caros que as fitas K7, bem mais caros. Para consumidor “normal”, acostumado com as fitas K7, não havia muitos atrativos na nova tecnologia e como a coisa estava ali para substituir o K7, os audiófilos preferiam os CDs … E foi o preço extorsivo do CD no Japão (custavam o dobro do praticado nos EUA) que o levou a abraçar o MD: os CDs eram alugados (lembram que havia locadoras de CDs?) e gravados em casa nos MDs. Mas isso foi lá, aqui chegou a haver a substituição dos toca-fitas de carro por MD, os carros novos vinham com MD e não mais com toca-fitas K7, afinal era uma nova tecnologia … Foi em vão. O povo, além de conservador (essa palavra atualmente tem uma conotação pejorativa) era pobre.
Comprei meu Sony JE-520 aqui em CWB mesmo, acho que foi na Stier, era ali na praça Osório. Isso foi em 1998, o ano em que desativei meu Technics double deck (mais tarde comprei um portátil, ainda o tenho e uso) … Copiei algumas fitas pois eu já possuía uma coleção bem grande de CDs. Aos poucos os disquinhos começaram a rarear até não haver mais. Creio que quando isso aconteceu eu devia ter uns 60, 70 discos gravados. “Voltei" a me dedicar aos LPs e desativei o deck de MDs por mais de 15 anos e, num delírio saudosista, o reativei alguns meses atrás devido a assinatura que fiz do Youtube: a qualidade de som dos videos está excepcional atualmente. Passei a gravar MDs do Youtube: meu MAC tem uma placa de som de 196KHz e ligo, através da conexão USB no meu DAC e, deste para o MD com conexão analógica (o cabo desta conexão eu o confeccionei), o som é muito bom. Acabei de comprar (ainda não chegou) um conversor de USB para ótico (meu deck MD só possui conexão ótica e analógica), desta forma terei gravações digitais no MD com qualidade de CD …

Comentários
Postar um comentário