O dispositivo
Com o advento do telefone celular usado como máquina fotográfica/filmadora o “registro" de imagens se banalizou, todo mundo se acha fotógrafo/cinegrafista. Antes fosse isso somente, existem outras implicações mais sérias. Primeiramente notamos que o fotografar/filmar passou a ser utilizado como uma documentação de alguma altercação, o telefone usado como uma arma de defesa. É extremamente intimidante surrar alguém e ser fotografado/filmado. Certamente isso alterou o comportamento dos agressores, seja abandonara as agressões públicas, seja agredir o fotógrafo/fimador além do objeto primevo da agressão. Muito antes da existência do celular muitos paparazzi tiveram suas máquinas destruídas, isso não é novidade. Outro uso “maligno" do celular é o utilizar para fotografar/filmar acidentes/incidentes dando mais importância para o evento que ajudar os possíveis envolvidos. Alguém postou, alhures na internet, um quase acidente no qual um idoso escorregou e caiu nos trilhos de um metro enquanto o trem estava chegando e, somente uma pessoa ajudou o idoso a se safar, os outros estavam a fortografar/filmar a possível morte daquela pessoa. A morbidez humana é abjeta.
Telefone é para dar recados, com voz; com o celular pode-se enviar mensagens sem precisar estabelecer um protocolo de conversa, possibilitando uma certa isenção em relação ao próprio assunto e objetivo da mensagem, é como uma carta curta, um telegrama (telegram?). Me parece que é uma maneira de evitar confrontos, a mensagem é enviada e quem a enviou não está ali no momento, sem olho no olho, sem ouvido no ouvido (se fosse uma chamada telefônica). Acho que isso é medo de confronto e as pessoas dizem que é comodidade. Gente mentirosa. Estamos nos afastando cada vez mais. Já disseram que o facebook (alguém ainda usa isso?) aproxima os distantes e afasta os próximos. Creio que isso se aplica a qualquer software (hoje “eles" chamam de app) de mensageria, as pessoas só ouvem/lêem aquilo que corrobora os seus próprios valores. É muito perigoso dizer aquilo que meu interlocutor não quer ouvir, pode-se ser, como dizem, “cancelado”. Não precisamos da aprovação de TODOS, na realidade não precisamos da aprovação de ninguém, isso é coisa de adolescente que está “procurando a sua turma”.

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