Mais uma vez… Música!!!





São numerosos os canais dedicados à música erudita (dita “clássica”) no Youtube e, alguns desses canais tratam do desinteresse crescente na música clássica. Sabemos que o maior fator é a educação ou, a falta dela. Mas eu vou um pouco adiante e penso que, apesar de “todo mundo” estar ouvindo mais música atualmente, graças às facilidades de acesso, via streamings e, à conveniência dada pelo acesso aos conteúdos da internet via telefone celular, ainda há quem não goste de música o suficiente para investir tempo com ela. Houve um tempo em que havia uma ideia romântica de que se a humanidade tivesse acesso livre e total à informação, isso nos tornaria “melhores”. Obviamente a possibilidade de acessarmos as informações e conteúdos depende da nossa necessidade e curiosidade. Em termos da música, isso também depende do gosto do ouvinte. Como a música é a expressão de sentimentos que não conseguimos expressar com palavras, é de se esperar que nossas escolhas variem de acordo com o nosso humor. Mas porque escolhemos um determinado estilo e não outros? Se conhecemos muitos estilos fazemos nossa escolha por gosto baseado na nossa experiência passada mas, se nos é apresentado um novo estilo podemos ou não o escolher levados pela curiosidade. Então ouvimos falar na música “clássica" ou somos expostos à ela muitas vezes indiretamente, seja numa trilha sonora de um filme, seja na música do caminhão entregador de gás. Normalmente esse primeiros contatos são com músicas “consagradas”, tenho muita certeza que todos conhecem os primeiros compassos da sinfonia 5 de Beethoven ou do “Aleluia"de Haendel. Mas quantos de nós nos interessamos em conhecer mais dessas peças? Creio que aí entramos no campo da curiosidade e tempo dispendido para satisfazer essa curiosidade. Me parece que existe uma competição entre diversas coisas que gostaríamos de  saber e talvez saber que Beethoven foi um compositor alemão e não um cão da raça São Bernardo seja algo relevante. Talvez não. 


A primeira experiência, com música erudita, para quem ouve e gosta e música popular, pode ser frustrante na medida que os parâmetros utilizados na composição são um tanto diversos e mais complicados que na música popular. Estamos tão acostumados a ouvirmos música “cantada" que quando ouvimos uma música instrumental podemos ficar pensando porque aquela música não tem letra: porque a sua “mensagem" é dada através da música somente, sua melodia, seu encadeamento harmônico, o timbre dos instrumentos, sua textura tonal apresentada, não precisa de letra. Obviamente uma “ideia musical” ecoa em nós de acordo com o nosso estado emocional, muito diferente de uma letra que pode ser muito direta. Creio que podemos agora começar a compreender a complexidade envolvida na audição de música instrumental. Um bom exercício é ouvir uma versão instrumental de uma música “com letra” que conhecemos. Vamos pegar “Garota de Ipanema” do Tom Jobim. Mesmo sendo a mesma música, temos “experiências" diferentes nas duas versões, a instrumental e a “com letra". Ouça quais instrumentos você identifica e perceba suas interações, como os sons “combinam" (isso é harmonia). Harmonicamente, “Garota de Ipanema” é uma música bem complexa mas, não nos parece pois estamos acostumados à ela. Na medida em que o conjunto de instrumentos aumenta e diversifica, aumenta a complexidade expressiva da música. A abordagem da música erudita pode ser tomada da mesma forma, sem pressa e com a mente e o coração aberto, procurando descobrir o que e como o compositor nos propõe sua música. 


A música erudita nos abre todo um universo que pode nos ocupar por toda a nossa vida. Não estou aqui para ensinar mas para dar a todos uma oportunidade de ouvir “coisas" diferentes e que podem ser muito prazerosas.     




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