O Zen e a arte de ouvir música





Todos sabemos que a música “desperta" sentimentos e pensamentos que não sabemos ao certo de onde vieram. Aquela coisa se pegar sorrindo ao ouvir uma música. Como o processo é através do célebro obviamente a música toca memórias e vivências de várias maneiras, sejam memórias “completas" ou fragmentos que nos evocam imagens ou sensações. No campo das sensações o Proust nos ensina, no “Em busca do tempo perdido” (quem não leu ainda, leia, é uma leitura árdua porém dignificante), que todos os sentidos nos trazem lembranças, nos fazem recuperar “o tempo perdido” que, aparentemente, não foi perdido mas, esquecido. Me restringirei à audição e, audição de música. Assim como o paladar é ensinado e desenvolvido na medida em que a pessoa se desenvolve fisicamente, a audição, ou melhor, o ouvir e ouvir música, pode ser ensinado e é desenvolvido da mesma forma que desenvolvemos a nossa musculatura. Uma criança não gosta do sabor de cerveja ou vinho não porque não gosta do que experimentou mas, porque ainda não desenvolveu o paladar completamente. Seu paladar ainda é algo que só separa o que é doce, salgado, azedo ou amargo, as misturas desses sabores básicos não é compreensível para o seu cérebro e isso é fato. Com música é a mesma coisa, claro que é possível criar uma criança ouvindo Bach e Beethoven desde que nasceu mas isso é para poucos privilegiados que nasceram numa família musical (ninguém precisa de rock para ser feliz mas “ele" é bem divertido). Pois então, quando bebês somos embalados com cantigas de ninar (ainda fazem isso?) e nos ensinam cantigas de roda (mais uma vez, isso ainda existe?) e ouvimos as músicas que ouvimos em casa (ou o uso de earphones acabou com isso também?) e com os amigos (acho que os hábitos de ouvir música da minha geração estão a morrer com a minha geração). Tá bom, eu entendo (mesmo sem concordar que isso é saudável) que os hábitos de ouvir música mudaram mas creio que de uma forma ou outra, existe um certo ensino e desenvolvimento do ouvido musical. Esse aprendizado do ouvir afeta outras regiões do cérebro e sabemos que quanto mais complexa é a música fruida, mais o cérebro se desenvolve em termos de raciocínio abstrato, raciocínio espacial e criatividade. De certa forma a música desenvolve o raciocínio assim como o estudo da matemática, não a matemática aplicada mas, a “de verdade”. A música pode nos levar a lugares “onde ninguém jamais esteve”. Ouçam de tudo e retenham o que agrada a vocês. Não sejam como aquelas crianças que dizem “não ouvi e não gostei”, gaste um pouco de tempo com vocês mesmos, para vocês mesmos, vale a pena ouvir de novo e algo de novo.


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