Arte e música, expressão e forma
(Re)lendo o prefácio de “O retrato de Dorian Gray” fiquei mais uma vez pensando (isso às vezes acontece) no papel da música em termos de arte. Talvez isso possa parecer paradoxal mas, sabemos que nem toda música é uma expressão artística, assim como uma pintura de parede não pretende ser uma expressão gráfica de um Van Gogh. Mas voltando ao Oscar Wilde, a música é, em termos artísticos, a arte que apresenta a melhor “forma” e ainda, o artista pode expressar tudo (“The artist can express everything”). Leia o prefácio se ainda não o conhece. “Forma" é algo simples de entender, é a gramática da música, o arranjo de se construir uma sonata ou um poema sinfônico; vejam como a “expressão" musical e de linguagem estão entrelaçadas. Mas o que diferencia a “forma" da música erudita (dita “séria”) da música “não erudita”? Se levarmos em consideração o privilégio da "expressão total” do artista, segundo o Wilde, então a expressão do "artista sério” seria a universalidade dessa expressão. Considerar música, como qualquer outra forma artística, a simples consequência do zeitstag é, no mínimo, ingenuidade. De certa forma somos tão envolvidos e conduzidos pelos nossos próprios problemas e mazelas que pensamos não haver nada mais importante que nosso próprio umbigo. Essa é uma grande diferença entre os músicos e os não músicos que, algumas vezes são platéia, “concert goers” como se diz na America (não na América de verdade). Para os músicos a única coisa que importa é a música, cada um no seu papel de torná-la real, seja como musicista, seja como compositor; tanto o intérprete como o compositor são importantes mas, sem compositor a música não existe. Então nos voltamos ao compositor como um artista que tem a música como sua expressão final e absoluta com a chancela do Oscar Wilde: “o artista pode expressar tudo”. Isso é óbvio, o escritor questionou a “censura" de sua época que, sabemos não ter acabado mas, mudou sua “forma”, assim como a música. Sempre teremos aqueles que, em nome de defender algum “direito”, por inveja, tentam destruir os que são realmente livres.

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