K7
Depois de 50 anos de usar equipamentos de som (era assim que denominávamos o sistema, o “som”) conheci gente que dava mais atenção à qualidade do equipamento e outras menos ou nenhuma atenção, isso não é coisa dos dias de hoje. O desenvolvimento da indústria trouxe muitas comodidades para os usuários na medida em que foi facilitando o uso, foi dimuindo o número de botões no painel do equipamento. E esse desenvolvimento da indústria, ao se servir das tecnologias vigentes, acobou por eliminar muitos dos botões até eliminar (ou substituir) o próprio equipamento, reduzindo a uma das muitas funções do telefone celular (que deixou de ser canal de voz a muito). Dentre aqueles que têm, e usam o celular como “fonte" de música, existem ainda os que, por vários motivos, possuem um sistema de som. Creio que um desses motivos, é o lado lúdico, uma certa vontade de interagir com a música de alguma forma e, isso pode ser alcaçado através dos botões que se tornaram obsoletos. Indo um pouco mais longe, esse desenvolvimento na indústria do audio aconteceu com as mídias e, a fita K7 foi aos poucos, destronada com o advento do PC quando passamos a ter “música grátis” e “digital" (sempre precisamos nos “modernizar"). Os players continuaram a ter “botões" mas agora, virtuais, uma imagem em que se clica. Quando o celular passou a ter essas possibilidades, os players físicos portáteis deixaram de ter utilidade e veio o streaming. O lúdico foi completamente destruído. Esse fenômeno pode ser comparado à “automatização" dos brinquedos, existem crianças que se contentam em ligar um brinquedo e vê-lo funcionando, outras gostam de brinquedos com os quais interagem. Me parece que é isso que está levando ao “renascimento" da fita K7, interação. Sabemos que outras mídias possuem maior qualidade e praticidade mas não é isso que se busca. A interação com mídias “físicas" nos traz uma percepção de realidade da música, além de ouvir, gostamos de “pegar" na fita, no CD, no LP, no MD além de operar o equipamento; é uma maneira de “retomar o controle” que nos foi tirado em nome da comodidade. Dá trabalho? Claro que dá trabalho mas é sempre bom ouvir uma fita que nós mesmo gravamos, nos libertando do “controle" que o algoritmo do streaming exerce.

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