Urgente, atualize-se!
Nossos dias são marcados pela pressa, pelo imediato: se não for agora, não quero mais! Esssa urgência nos foi imposta pela automatização dos processos, pela automatização das nossas vidas. Ou entramos nesse jogo ou somos deixados para trás. “Ah mas você precisa se atualizar!”. Já me disseram isso muitas vezes, o novo é absolutamene necessário. “Necessidades” foram criadas para, como sempre, abastecerem a economia, seja como consumidor seja como consumido. A automação foi fruto da revolução industrial que veio livrar as pessoas de trabalhos repetitivos para atividades mais “nobres”. O problemas é que essas atividades “mais nobres” ou não foram identificadas (“indentificadas" como dizem atualmente) ou não são remuneradas o suficiente para alguém se ocupar delas. Então resta-nos nos deixar engolir pela urgência do processo produtivo. Lembram do filme “Tempos Modernos” do Chaplin, onde ele, como operário numa fábrica semi-automatizada é literalmente engolido pela máquina? Pois então. Sabemos que o marketing é impiedoso para com o consumidor mas não sabemos como reagir à essa impiedade pois as premissas desse ofício são tão asquerosas como aquelas garotas que alugam bebês para pedir esmola nos semáforos: precisamos “fazer alguma coisa” para resolver aquele problema caso contrário a nossa consciência nos acusa. Da mesma forma muitas campanhas de marketing nos lembram que se não consumirmos tal produto, estaremos “fora do grid” e seremos tão desafortunados como aquela “mãe" com o bebê no semáforo: “buy and be happy” (essa é do filme THX11138); estaremos marginalizados, deixados de lado pela sociedade, isolados e, finalmente encontrados mortos na sarjeta com a boca cheia de formigas. Somos gregários por natureza, os eremitas são aberrações. E essa é a ameaça que o marketing nos impõe: caso não façamos parte do “mainstream" seremos rejeitados por todos, afinal TODOS compram tal produto ou pior, AGEM uniformemente. “Nove entre dez estrelas do cinema usam sabonete Lux, seja uma delas”. Não sei se todos aqui têm idade suficiente para lembrar disso. Outra que saiu na edição impressa do jornal “O Planeta Diário”: “Assine O Planeta Diário e coma muitas mulheres”. São os mesmo apelos, idênticos. Não sei quantos assinaram o Planeta Diário mas sei que muitas compraram o sabonete na esperança de, ao menos, ficaram cheirosas como as atrizes de Hollywood da década de 50 e 60. A busca pelo novo é a busca de sermos aceitos, medo da rejeição. É claro que nem todos consomem as novidades por medo de serem rejeitados pelos pares da tribo mas, muitos o fazem. Demora um certo tempo para percebermos que não é nada disso mas esse tempo chega, infelizmente não para todos.

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