Fazendo cada dia do ano Vivemos uma era onde tudo é urgente, acreditamos que sempre estamos atrasados e, o maior medo é o de estar “desconectado”: medo de estar sozinho. Nunca se teve tanto medo, nem mesmo entre os trogloditas. Medo de perder o que está acontecendo, medo de perder uma mensagem e respondê-la, o mais rapidamente possível, com inteligência e graça. E o feedback são “likes" ou um emoji estúpido: as pessoas estão a perder a capacidade de ler, de escrever. Estive a observar, no trabalho, ninguém, exceto este escriba, usa uma caneta (tinteiro) para anotações. Uso um caderno pequeno, é um "diário de bordo”, com anotações, desenhos, lembretes e devaneios do percurso, seja trabalho sejam notas pessoais: me perco dentro de mim mesmo. Este WebLog é a minha janela, para ver de fora para dentro, day by day, travessia.
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Qual o caminho devo tomar? Perguntas devem ser bem formuladas, especialmente se você está se dirigindo a um maluco pois existe o risco de que ele não seja tão perturbado assim. Perguntas como esta não devem ser lançadas ao ar para que qualquer um responda, nossos caminhos são nossos caminhos, os escolhemos porque não é possível ficar “sentado à beira do caminho”. A vida é feita de escolhas, Kierkegaard que o diga. Mesmo que nos pareça não termos opção, escolhemos o chão que pisamos, antes de chegar na encruzilhada que, muitas vezes é aquela que Robert Johnson escolheu em Clarkesdale. Minha escolha foi outra.
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Peguei a conta e Rita a pagou Sou do tempo em que só havia meninos e meninas. Sou do tempo em que os meninos, andando com as meninas, eles ficavam do lado externo da calçada, para que elas tivessem mais chance no caso de um carro se desgovernar. Sou do tempo em que os meninos deixavam a menina passar à sua frente. Sou do tempo em que as meninas tinham preferência aos assentos. Sou do tempo em que os meninos perguntavam o que as meninas queriam. Sou do tempo em que os meninos ajudavam as meninas a subirem, oferecendo a mão para tal. Sou do tempo em que os meninos abriam as portas para as meninas. Sou do tempo em que era natural os meninos serem gentis para com as meninas. Sou do tempo em que meninos e meninas simplesmente se amavam.
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Como lágrimas na chuva Não há nada que possamos fazer para aumentar os dias das nossas vidas, um segundo sequer. A grande lição da pandemia foi que somos mortais, por mais que frequentemos uma academia, por mais que nossa alimentação seja saudável. A vida é tudo e nada ao mesmo tempo. O que nos move é a nossa arrogância e é o que também nos mata, andamos a passos largos para a beira do precipício crendo que somos passarinhos e poderemos mergulhar, voando no espaço vazio das nossas almas. “Acordei de um sonho estranho”, era a minha vida que deixei escorrer pelo vão dos dedos. Como discernir o que é importante das nossas fantasias? Ou a realidade sempre é insuportável? Já que é tão difícil assim, talvez encontrar a finalidade da vida seja perda de tempo e, o que importa é simplesmente, viver.
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Sim, perto da borda A música do YES é de todos mas não é para todos. Estou me referindo ao período de rock-progressivo deles e não ao pop-progressivo pós “Tormato" de 1978, onde começou aquela mistura de “gente de fora” que acabaram com a produção mais elaborada do grupo até então. O Yes tem muitos detratores pois suas composições não são tão simples como a música do Pink Floyd, por exemplo. Algumas pessoas já disseram que “não entendem” ou que a música do Yes é desencontrada e caótica. Talvez seja a mesma abordagem do impressionismo, assim como os quadros eram para ser visto “à distância”, a música do Yes, também. É claro que a música deles, como toda música, é o resultado da soma do que os instrumentos e vozes estão a fazer num dado momento e a progressão que segue. Se você prestar atenção a cada instrumento em separado, pode compreender cada um mas, assim como a música do século 20, a harmonia e sequências harmônicas nem sempre são as tradicionais. “Entender" a música...
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Indispensáveis O cinema francês The Beatles O teatro de Nelson Rodrigues A obra de Guimarães Rosa As peças de Shakespeare A Bauhaus Os concertos de Brandenburgo As sinfonia ímpares de Beethoven “O nascimento de Vênus” de Sandro Boticelli A poesia de Fernando Pessoa Os contos de Jorge Luis Borges O filme “Casablanca" Um “filé Oswaldo Aranha” Uma garrafa de Mouton Cadet Rothschild O colo de minha mãe
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Muzak É sabido que o processo de difusão da música, desde a invenção do gramofone até o streaming via internet, serviu, ao mesmo tempo, para aumentar a sua divulgação e. ao mesmo tempo, reduzir o seu "consumo", digamos assim. Seja por questões culturais ou socioeconômicas, a música está sendo colocado numa função secundária, como se fosse uma trilha sonora das nossas vidas. Me parece que, de maneira geral, as pessoas não gostam mais da música por ela mesma. Usa-se música para dirigir um veículo, para fazer exercícios físicos, para passear, para correr no parque. Essa "funcionalização" da música tirou o seu caráter expressivo para ser um ritmo que coordena nossas atividades, e isso a reduz a uma pulsação sem a necessidade de uma melodia. Como todo aprendizado, a percepção musical começa com algo simples que se desenvolve. Esse "algo simples" pode ser apresentado na escola ou ouvindo emissões no rádio, TV e, hoje, na internet. A percepção e compreensão d...
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O homem do coração do tamanho de um trem Não sei quando isso começou mas a dupla de compositores se reunia todas as noites, no apartamento do Rei, na Urca, para compor ou dedilhar o violão na esperança de uma nova música. Era uma maneira muito carinhosa de dois amigos trabalharem por tantas décadas. Em Dezembro saía o disco, propositadamente para o Natal. A devoção do Roberto sempre foi corroborada pelo Erasmo. Talvez ele se sentisse à sombra do sucesso do amigo mas ele sempre esteve presente, seja nas canções, seja nas letras. Eles foram os nossos Lennon & McCartney, nossos Simon & Garfunkel, nossos Lauren & Hardy, nossos Tom & Jerry. Eles estiveram na minha infância e adolescência, naquelas tardes de domingo, nas “flores do jardim de nossa casa”, enquanto tanta gente estava "sentada à beira do caminho”. Agora o Erasmo está lá naquele grande show no Céu, cantando para os anjos.
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Parece que foi ontem Todos os meus problemas parecem distantes? Não sei. Normalmente damos mais atenção ao que não importa e, isso era o aceitável e obrigatório naqueles dias, o que menos importava eram os seus problemas e não adiantava espernear, ninguém dava atenção. Hoje cremos que os “direitos" pessoais são, se não respeitados, pelo menos debatidos. Bobagem. É aquela coisa de não usar sacolas descartáveis achando que todo mundo está fazendo isso e, pior, achando que isso vai “salvar o mundo”. É claro que tudo o que se faz ou se omite gera consequências mas essas consequências são, no dia que se chama hoje, uma simples previsão e, por mais que exista um embasamento “científico" previsões, na maioria das vezes não se realizam e são sempre causa de riso daqueles que não vivem o tempo previsto. Esperamos muito da ciência para a solução de TODOS os nossos problemas e, como todos sabem, a esperança é a última que morre porque os esperançosos morrem antes. A ciência pode dar...
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Era um garoto que como eu amava os Beatles E os Rolling Stones Essa é do Gianni Morandi, gravada aqui em Pindorama pela primeira vez, em 1967 (o ano do “Verão do Amor”), pelos Incríveis. Muitos nunca ouviram falar desses senhores, e acham que os Incríveis são personagens de desenho animado. Já me acostumei a isso, “tolerar” (esta palavra também está na moda) a desinformação daqueles que nasceram num mundo informatizado. A música era um protesto contra a Guerra do Vietnã. Minha geração cresceu vendo soldados morrendo na TV e terroristas explodindo bancos, sequestrando embaixadores americanos, o programa espacial americano, a corrida para pousar na Lua “ainda nesta década”, conforme a promessa do presidente Kennedy. Esse era o Mundo, dito “livre”, onde esta liberdade nos era imposta por motivos da economia mundial, como sempre. Estávamos do lado do 007 pois, do outro lado da “cortina de ferro”, estavam os comunistas comedores de criancinhas (se lembrarmos do período de Stal...