Máibi Talvez. Talvez exista um lugar, Talvez exista um tempo, Talvez exista alguém, Talvez exista alguma coisa. MAS TALVEZ não seja nada disso. Talvez.
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Mãe Ser filho foi para minha uma experiência fantástica, sempre me dei muito bem com minha mãe, apesar de jovem (ela tinha 20 anos quando eu nasci) era sábia e sensata. Naqueles dias isso era preciso, não existiam as comodidades acomodantes atuais, talvez porque a vida era mais curta e menos urgente. Uma das coisas que me marcou profundamente foi uma frase que um dia ela me disse. Antigamente, media-se a saúde das pessoas pelo seu peso, os gordos eram saudáveis e os magros doentes. Isso tem uma explicação: a gripe Espanhola que seguiu a Grande Guerra, que chamaram depois de Primeira Guerra Mundial, deixou muitas sequelas nas pessoas, matando-as bem jovens, a pessoa definhava e ficava bem magra, esse era o “diagnóstico visual” do leigo, os magros eram magros por falta de saúde. Revenons à nous moutons. Com muita certeza minha mãe foi criada com esse medo da magreza e toda uma geração tentava engordar seus filhos, desta forma, passei minha infância indo ao médico para que fosse t...
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Personal fighter Para vocês verem onde chegamos. Assim como existem “personals" de muitas modalidades esportivas e de fitness, pode-se pensar que a ideia de um “personal fighter” seja totalmente compreensível. Porém o “uso" dessa ferramenta, como todas, pode ser “diversificado”. Assistindo uma reportagem com uma “facilitadora" de relacionamentos interpessoais (hoje se ganha dinheiro com tudo mesmo) soube da existência desses profissionais da luta que “treinam" as pessoas a lutarem. Como disse anteriormente, até aí a coisa é compreensível porém, foi constatado que a grande maioria dos contratantes são mulheres que escolhem personal fighters homens. Entrevistando esses personal fighters os mesmos relataram que a maioria dessas mulheres está mais interessada em bater neles que aprender técnicas de luta. Pelo que vi ao longo dos anos, existe de fato essa “guerra" entre homens e mulheres, e já que não posso bater no meu parceiro (por vários motivos), pago para ...
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Corra por sua vida Houve um tempo … Eu gosto de começar com “houve um tempo” pois me sinto com mais autoridade por parecer que vivi esse tempo, algumas vezes sim. ,Então, houve um tempo em que as coisas eram mais simples, porém não necessariamente melhores, e viver era menos complicado. Não havia essa urgência artificial do tempos atuais. Mas todos “corriam pela sua vida”, afinal isso é inevitável, o viver. Não como uma fatalidade mas como um fato, estamos aqui e agora? Me parece que essas urgências para tudo é uma tentativa de não enfrentar os problemas reais, substituindo-os por situações a casos “construídos” (está na moda falar de “construção social” ao invés de “costume”). Junto com a pressa de construir um futuro provável (mesmo que destruindo o mundo) nos enquadramos no que o Umberto Eco dizia ser os “apocalípticos" e os “integrados” (quem não lei, leia, ainda há tempo). Os “integrados" se adequam, ou se conformam, com o que lhes é dito como “adequado" e os “a...
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O ódio espelhado "O que você mais odeia no outro é aquilo que você odeia em si mesmo”. Me perguntaram se eu já tinha ouvido isso. Ouvi. Não me parece que as pessoas se odeiam, podem se sentirem desconfortáveis, tristes até, no máximo achando que precisam mudar um pouco mas odiar a si mesmas? Não, nem um pouco. O que acontece é um mecanismo no qual as pessoas são denunciadas a si mesmas pelo comportamento o outro. Uma coisa é você se descobrir, outra é ser apontado. O possível “ódio” pode ser uma reação à denúncia e nunca devido a semelhança. Esse fenômeno se repete quando num meio onde “todo mundo está usando isso” e aparece alguém que não usa e apesar disso continua vivo e feliz; também é sentido como uma denúncia de que todos foram enganados e, como ninguém gosta ser exposto como sendo um idiota, morte ao denunciante. Como poucos lêem, façam um esforço hercúleo e leio “O lobo da estepe” do Herman Hesse afinal, nunca é tarde para amar.
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Vai valer a pena ter amanhecido Dificuldades? Me parece que reclamamos muito de tudo, mas isso sempre foi assim. Não prestar atenção aos desejos é negar a vida, querer satisfazer a todos é impossível, se não, perigoso. Mas o que nos refreia é o medo. Eu falo muito de desejos e medos, eles andam juntos, nas paralelas da vida, na transversal do tempo. Pois então, medo de não conseguir vencer as dificuldades, medo de descobrir outras ameaças durante o processo. É o tal do “deixa quieto”, vamos continuar assim para ver o que acontece. Essa coisa de “enfrentar" pode ser fatal. Já fiz isso algumas vezes e teria sido MUITO MELHOR se eu tivesse simplesmente virado as costas e ignorar a coisa. Como dizem, cada caso é um caso (sério). Para sobreviver é preciso conhecer nossos próprios limites e isso talvez seja muito mais difícil que pensemos, sempre vai existir “coisas" que nos limitam de alguma forma e estão “lá no fundo”, muitas vezes impossíveis de trazer à tona. O que nos resta...
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O segundo movimento da sétima A primeira vez que ouvi a sétima sinfonia de Beethoven fiquei tão extasiado como quando ouvi a sexta. Na minha curiosidade infantil, após ouvir a sexta sinfonia no desenho “Fantasia" do Walt Disney, me deparei com algo mais complexo, pelo menos para os meus ouvidos : a sexta sinfonia sempre me pareceu obvia no seu desenvolvimento, talvez devido ao seu caráter programático extremo, o que era acessível para os meus oito ou nove anos de idade. Buscando “o que viria depois”, ouvi na casa do meu tio a sétima. O LP tinha (e ainda tem) dois movimentos da peça de cada lado, o que é natural. Quando acabou o lado A, eu estava paralisado, "com os olhos no infinito” como dizem, o braço do toca-discos alcançou o dead wax e meu tio se levantou da poltrona para virar o disco. Ele notou o meu êxtase e não me interrompeu. Ouvimos o lado B. Pedi para ouvir novamente, desde o primeiro movimento. Voltei para casa, eram umas oito ou nove quadras, aquele segundo m...
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Memórias Depois de tanto um certo (longo) tempo que vivemos e fazemos e acontecemos, as lembranças acabam truncadas, misturadas com fantasias e outros artefatos psíquicos que servem para preencher os gaps. Somos o que vivemos mas especialmente o que lembramos, consciente ou inconscientemente. Fomos o que pensamos ter sido e somos sem nunca ter sido. Somos somente aqueles momentos em que olhamos dentro dos olhos de quem amamos. Eu estava no jardim de infância, hoje chamam de “pré-escola” (perdeu toda a poesia), tinha três anos de idade. Era nas dependências de um clube, tínhamos uma piscina (proibida) e uma pista de salto de cavalos. Tenho algumas outras lembranças pontuais, como o cheiro da sebe que cercava o clube e brincávamos de esconder: era cedro. O recreio era dividido em duas partes, o lanche e brincar no pátio. A sala onde lanchávamos possuía mesinhas e cadeirinhas onde sentávamos com nossos colegas. Um dia, não sei bem porque, voltei para a “sala de lanche” e encontrei...
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Com cada erro certamente estamos aprendendo Há quem acredite nisso piamente. Mas a impiedade nos confunde e aquilo que queremos fazer “certo" acabamos fazendo errado. E “erro" inicial deve ser algo que teve consequências muito danosas para lembramos dele e tentar não repetirmos. Mas assim como Siegfried, às vezes tomamos a poção do esquecimento sem sabermos e entregamos o ouro ao bandido achando que ele é nosso amigo. Esquecer quem somos é muito diferente do “perder a identidade”, esquecemos quem somos quando nos entregamos àquelas paixões vis e infames que nos tornam levam à sarjeta onde acordamos com um cachorro lambendo nossa cara - então será tarde demais.
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Marketing pessoal Houve um tempo em que as pessoas, ao usar uma sacola não descartável achavam que estava salvando o mundo. Hoje elas continuam fazendo isso mas por medo. Medo de serem acusadas de não serem “progressistas”, mais uma vez o medo de serem rejeitadas, serem “canceladas" como dizem os “progressistas”. Cada vez mais nos afundamos nos temores criados por nós mesmos. Quando o foco é o medo de cair no buraco, a queda é inevitável. E o medo gera fantasias, o buraco, muitas vezes é mais razo que tememos, dá para sair dele sem problema algum. No entanto é preciso ter uma certa segurança e maturidade para não cair sob o peso dos dedos apontados: “ele não gosta de Nutella!!! Ele não usa Blue jeans!!! Ele não tem um celular!!! Ele … Os valores de massa são adotados por falta de valores pessoais e, quando alguém é encontrado com valores pessoais, diferentes dos socialmente aceitos, é visto, naturalmente, como um leproso. Criou-se um modus operandi no qual a aceitação total e ...