Mas como assim? Tenho observado um comportamento bizarro entre a “intelectualidade" de Pindorama que me assusta, uma inocência que imagino ser inexperiência. Em muitas entrevistas e bate papos que encontramos no internet, seja em podcasts ou no Youtube, existe um assombro em relação à insurgência do pessoal, dito pela "esquerda festiva”, da extrema direita. Num desses podcasts dois pretensos “especialistas" (na internet só encontramos especialistas) estavam atônitos ao constatarem que, mesmo que seu candidato tivesse perdido as eleições, esse grupo não desistiu de suas convicções. Fico pensando que espécie de raciocínio é esse. Essa gente não é capaz de se olhar no espelho e lembrar, ao menos, que agem da mesma maneira. Não são esses mesmos que, em outras ocasiões, perderam as eleições mas continuavam ainda às ruas reafirmando suas posições políticas? Mas para os adversários não existe essa possibilidade. Definitivamente, gente é algo muito engraçado.
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Sem censura Na metade da década de 80 apareceu um programa de entrevistas na TV chamado “Sem censura”. O governo revolucionário estava nas últimas e, para quem não viveu aqueles dias, os anos 80 foram mais “lights" e então “se podia” muita coisa que antes era impensável, daí o nome do programa. Assistindo, nesta semana, um programa em que se falou sobre o tema, alguns jovens foram entrevistados, ao acaso na rua, para saber se eles eram contra ou a favor da censura. Para a surpresa daqueles que conduziam o programa e, com certeza para os que viveram o governo militar, TODOS os entrevistados disseram, com todas as letras “sou a favor da censura” e explicavam suas razões. Fico pensando se essa geração sabe realmente o que é censura. Falaram muito em “fake news” (eu acho simplesmente ridículo esse termo) e refrear a liberdade de expressão para “certos temas” que sabemos ser as pautas das ditas “minorias”. Num mundo de 8 bilhões (!) de pessoas, muitas delas (menos do que se pensa) ...
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AWE Num mundo em que está (literalmente) pegando fogo e que existe uma preocupação maior com os animais que com as pessoas, apesar do benefício da pandemia, que despertou muita gente para a realidade de morte (ou da fragilidade da vida), fico pensando se a priorização de "assuntos aleatórios" é uma fuga ou uma realidade que não alcanço. A experiência sempre é pessoal, mas eu acredito que existem coisas que acontecem para todos, em maior ou menor grau e, é isso que influencia as pessoas a fazerem suas escolhas. O passar dos anos nos ensina, por bem ou por mal, a fazer escolhas um pouco mais sensatas e talvez, acertadas. A possibilidade de aprender errando é proporcional ao quanto podemos bancar os erros, como tudo, existe luxo nisso também. Por outro lado, essa abordagem de aprender errando custa, muito mais que dinheiro, tempo. É preciso estar atento ao passar do tempo pois podemos gastar nossas vidas "experimentando" sem nunca fruir a vida e, de repente, nosso ...
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E se … Muitas vezes caímos na tentação de nos perguntar como as coisas seriam se algo que quase aconteceu acontecesse. Mais intrigante, pelo menos para mim, não é o que teria acontecido mas o “quase”. Nos acode imediatamente o Rei: “mas quase também é mais um detalhe”. Esses limites que não ultrapassamos muitas vezes me escapam à lembrança, procuro me consolar em pensar que foi a conjunção de muitas coisas que levaram ao cabo aquela solução mas, muitas vezes desconfio que eu, e somente eu, fui o responsável por tal reviravolta. Já ouvi muita gente se entregar à fantasia de imaginar como seria a vida delas com o "se" … Talvez o “se" mais sério que pensei foi se eu não estivesse aqui e agora. Isso faria alguma diferença para aqueles que deixei para trás? O que mudaria nas pessoas que me conhecerem e que, de uma maneira ou outra, fiz diferença para elas? Durante a pandemia perdi dois amigos de infância sendo que um deles foi o coração, não foi o vírus. Os conheci quando ...
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Te dou tudo que tenho por um pouco de paz Como se não bastasse o dia a dia, ainda nos exigem que sejamos felizes. Felicidade é algo tão relativo que essa palavra não aparece na Bíblia, talvez apareça na tradução para “os dias de hoje” onde tentam dourar a pílula com a desculpa que as pessoas não sabem o significado das palavras. “Tem gente que não tem nem isso”, já cansei de ouvir isso, como se o que falta aos outros aplacasse os nossos desejos e, tentando fazer que nos sintamos culpados por querer o que queremos. A inveja chama nossas aspirações de futilidade. Como disse o Joãozinho Trinta: “quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”. Essa cobrança que somos submetidos todos os dias é uma maneira de tentar nos enlouquecer. A paz e tranquilidade que alguns têm é motivo de inveja daqueles que vivem só pensando em desgraça. Lembram dos profetas do Apocalipse no tempo da pandemia: “agora irão morrer milhões”. Há quem se compraza com a desgraça alheia, só está b...
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Enquanto corria a barca Há os que acham que irão fazer diferença e, por mais que tentem, nunca irão conseguir, devido à sua arrogância em ter essa ideia absurda. Há outros que só querem sobreviver sem incomodar os outros, esses são os que fazem diferença porque não atrapalham e, na sua simplicidade, acabam impedindo dos malucos fazerem estrago. Houve um tempo em que querer fazer diferença era algo narcisista, hoje é uma tentativa pífia de se aceitar através da aprovação dos outros. Quando se coloca essa perspectiva as pessoas reagem com aquele “mas se cada um fizer a sua parte” … Se isso fosse verdade as mazelas que se combate com essas “partes" teriam, ao menos, diminuído e, sabemos que a coisa aumenta a cada dia que passa. Essa ilusão de “cada um fazer a sua parte” é mais uma tentativa de nos redimir do que fazemos com nossas próprias vidas e não como dizem, com o planeta. A consciência das nossas limitações não se cauteriza com aparência de “bom mocismo”, para que os outros ...
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Tenho alma de artista e tremores nas mãos Entre os medos do nosso tempo paira monstruosa, a sombra do Alzheimer. É claro que isso "não passa pela cabeça” dos mais jovens mas essa coisa é algo muito próximo dos veteranos … Com a expectativa de vida aumentando dia a dia e a possibilidade desse mal nos acometer, de nada vale viver mais tempo assim, na expectativa. Precisamos largar essa mania de sofrermos por antecedência e aproveitar o dia que se chama hoje pois, não temos garantia alguma de estarmos amanhã aqui, isso não tem idade. Um artigo, escrito por uma senhora que não lembro o nome, defende bravamente que as veteranas assumam a sua idade "sem medo de ser feliz”. Esse discurso é totalmente válido pois houve um tempo no qual a vida acabava aos quarenta, o restante, mesmo que fossem mais quarenta, era para esperar a morte. Tenho muita certeza que essa alegria de viver se intensificou após a pandemia, as pessoas perceberam que a juventude não é garantia para que cheguemos ...
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Pavane Ravel é o que há de bom. Estou ouvindo, num LP é claro, o arranjo que o Deodato fez da Pavane. Existem músicas que transcendem aqueles rótulos que impomos para nos diferenciar dos “outros" que não são da nossa turma. Essa necessidade de pertencimento é, obviamente, um traço da nossa natureza gregária. A música, a boa música, a música “séria”, dita erudita, me parece ser aqueles que mais “agrega valor” social. É algo que permeia nossas vidas mesmo quando nunca fomos a um concerto ou sentamos para ouvir uma sinfonia. A concepção formal das escalas, normatizadas por Bach no “Cravo bem temperado”, bem como o contraponto e as sequências harmônicas, estão entranhadas no DNA humano a séculos. Ontem mesmo, conversando com um amigo, ele relatou um concerto no qual uma “orquestra de violões” interpretou uma adaptação de uma peça do Philip Glass, em que ele deixa o final “aberto” e, isso causou grande comoção entre a plateia. Ora, sabemos que isso é herança, ou melhor, um uso daquil...
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A identificação do gerúndio e outros vícios vernaculares I n dentificação. Tenho ouvido muito isso, mesmo na mídia “culta" (que é uma falácia). Me causa espécie esse discurso de que "a linguagem é um fenômeno vivo e em constante evolução” pois, entende-se que “evoluir" é melhorar quando na verdade, é adaptar. Creio que esse fenômeno ocorra por ser mais fácil falar desta forma. Isso se observa em outras línguas, comprovando a existência de duas línguas, a escrita e a falada (não quero entrar no mérito da Gramática). Outra coisa engraçada é a omissão da letra “d" no gerúndio: “falano”, “cumeno" (isso é nome de elemento de química orgânica) e assim vai. Creio que essa é a única “evolução" que podemos notar nas pessoas, comunicar mais facilmente as bandalheiras cotidianas.