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  Perdido em Abbey Road Comprei o “Abbey Road” em Dezembro de 1969, ainda está comigo. Trinta anos depois eu cruzei aquela rua. Não sei quando isso começou a acontecer, imagino que foi logo que descobrimos exatamente onde a “Travessia" aconteceu. Existe uma webcam ( https://www.earthcam.com/world/england/london/abbeyroad/?cam=abbeyroad_uk ) onde podemos ver (e ouvir) os fãs sendo fotografados, já fiz observações em vários horários e o pessoal chega cedo e sai tarde, todos os dias, já vi gente lá durante a noite e durante a chuva também; a última vez que fiz uma observação a câmera já havia sido “visitada" mais de 80 milhões de vezes, não sei quando esta webcam foi ativada. Estar onde eles estiveram é coisa de fã mas tirar uma foto em Abbey Road, onde eles “atravessaram" é algo místico, posto que não são somente fãs que tiram tal foto. Existe um “algo mais" ali, sei disso porque eu fiz esse cruzamento. Se observarmos a foto, tirando as referência do mito “Paul est...
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  Música erudita e música popular ... Como muitas outras coisas, adquirimos um certo conhecimento sobre música se a estudamos ou simplesmente, a ouvimos. Esse conhecimento é mais ou menos aprofundado dependendo da função que escolhemos para a fruição e da nossa curiosidade. Esta característica de uma música funcional é algo antigo, a música nasceu funcional, função religiosa, a música sacra. Isso acompanhou a música formal uma vez que o profano não tinha importância alguma para ser preservado, mas é obvio que as manifestações folclóricas e populares estavam lá, expressas em forma de música. E a música profana foi levada à Côrte, como uma forma de entretenimento mas, para ter uma música exclusiva, contratou compositores para produzir música de concerto ou para bailes. Nessa época a música sacra já possuía uma forma de ser preservada através da notação musical, música escrita. Então a notação musical passou a ser utilizada para a música produzida para a Côrte. Isso obrigou aos inst...
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  O fim do Stones, 3/7/69 Há quem acredite que os Stones seja o conjunto mais antigo em atividade (não muita, desde a morte do baterista), mas quem eles eram realmente? O “cerne" do grupo sempre foi, inegavelmente, a dupla Jagger/Richard. Mas somente os dois representam a “assinatura sonora” dos Stones? Originalmente, além deles, tínhamos o Bill Wyman, o Ian Stewart (como session man somente), o Charlie Watts e o Brian Jones, como vocês podem ver na foto. Destes, o Brian Jones foi quem fez diferença para que os Stones não fossem outro grupo qualquer, existiam muitos outros bons grupos de rythm’n’blues em Londres naqueles dias. Brian Jones trazia sempre alguns detalhes que fazia os Stones se destacarem, como a marimba que ele gravou em “Under my thumb”, por exemplo. Desta forma os Stones construíram, durante os anos 60 uma carreira sólida com uma “legião de fãs” muito leal. Foi essa “lealdade" e o fim dos Beatles que alavancaram a continuidade deles. Quando ficamos sem Beatle...
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  Música democrática? Talvez essa discussão tenha nascido da ideia que, se tratando de uma manifestação cultural, ela deve ser fruída por todos. Essa ideia é recorrente desde a revolução industrial e trazida à pauta por pensadores de esquerda. Ao longo do tempo naturalmente surgiram músicos e compositores de esquerda e não foi por isso que a música erudita se popularizou, se é que houve essa possibilidade. Quando o compositor e seus intérpretes deixam de depender totalmente do mecenato, na segunda metade do século 19 (talvez o último tenha sido Wagner), passam a ter seus proventos vindos de aulas de música e concertos. Na Viena do século 19 a valsa de Strauss era apreciadíssima ... nos salões frequentados pela alta burguesia! A modernidade possibilitou que a pequena burguesia usufruísse de alguns prazeres dos nobres e da alta sociedade onde, conheceram a música erudita, seja nos salões de baile, seja nas salas de concerto. Entretanto, a tradição não considera a existência de um "...
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  A música erudita ainda faz sentido? (Parte 2/2) Se analisarmos o contexto histórico do desenvolvimento da música, é óbvia a evolução em termos de função e depois, forma, pelo menos até o começo do século 20; a finalidade da música mudou o seu formato. A música nasceu, como uma manifestação religiosa e não como entretenimento e, como tal deveria ser reverente e sem muita complicação pois servia para "elevar" a alma e o espírito humano para um estado de contemplação mística. Tarefa tal que não permita acordes dissonantes que distraíssem o intérprete e o público. Porém isso não impedia que houvesse música profana que sempre teve uma função de entretenimento, independente da sua "qualidade".  Na medida em que a música profana se estabeleceu na corte, os nobres passaram a contratar, primeiramente, músicos que fossem exclusividade deles e, posteriormente, compositores que passaram a integrar a corte - era mais uma maneira de ostentar poder e riqueza. Foi nesse ponto ...
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  Curitiba, imperialismo ou doutrina Monroe? Pois então. Pertencendo ao remanescente nativo (60% da população de Curitiba são “estrangeiros”) tenho um sentimento ambíguo em relação ao desenvolvimento urbano-social da nossa cidade, quando se nasce-cresce-morre numa mesma cidade, se estabelece um caráter mais, digamos assim, conservador, esse comportamento, atualmente, é anátema mas, como diz o nosso prefeito, “cada um cai do bonde como pode”. Gosto de assistir no Youtube, os testemunhos daqueles que vêm morar aqui. Os testemunhos são muito diversos, dependendo a origem dos migrantes. Os cariocas são aqueles que mais se espantam e gostam do que a cidade oferece. Num desses videos um rapaz estava grato por estar aqui pois quando chegava do trabalho, ao comprar pão na esquina, não era assaltado no caminho e o padeiro não o enganava no troco. Que horror! Para uma situação dessas, qualquer coisa diferente  é o paraíso. Vivemos numa época onde “egoístas são aqueles que não pensam ...
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  A música erudita ainda faz sentido? (Parte 1/2) Discute-se, no meio acadêmico, a "morte" da música erudita, dita "clássica", se na modernidade ela ainda é relevante. Esta discussão, direcionada à tradição musical ocidental, me parece vazia. Imagino que existe contra, os apreciadores de música erudita, um certo sentimento misto de desprezo e inveja, como se gostar de música erudita fosse uma forma de se colocar numa posição superior. Mas isso pode ser somente a minha imaginação. É consenso que a música, como qualquer outra manifestação artística, é uma forma de expressão, às vezes mais, às vezes menos sofisticada, mais ou menos compreendida, de um "momento sócio-econômico-cultural”, o tal do "zeitgeist". Adorno rejeitava o termo “apreciação musical” pois julgava ser algo superficial, preferia “compreensão”, o que era de se esperar de um discípulo de Alban Berg. Se tomarmos essa abordagem adorniana, assumimos que existem dois estágios na fruição da ...
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  Yggdrasil: a copia conforme (o filme) e a prensagem fiel (de discos) Desde que me lembro, existem audiófilos que ouvem o seu equipamento e não música. Pode ser qualquer tipo de música ou de som, desde que mostrem a sua capacidade de reprodução. Nos primórdios da alta-fidelidade era possível encontrar discos com “sons" para demonstrar o sistema de audio, coisas como barulho de trem passando, jatos decolando, explosões. E não eram poucos esses discos. Com o advento dos sistemas multicanais, a coisa ficou mais bizarra, existem pessoas que acham que todos os filmes são documentários. Lembro de estar numa loja e um cliente interessado num “home teacher” (sic), perguntou se aquelas caixas acústicas eram capazes de reproduzir perfeitamente o “rugido" de um dinossauro. Não lembro o que o vendedor respondeu. Vocês sabem como é o tipo, é o mesmo que quer mostrar como o carro é potente e fica acelerando com o veículo parado. E estão soltos por aí. Quando Vangelis morreu, numa convers...
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  O violinista no telhado: sua vida foi salva pelo rock’n’roll A vida é algo a ser saciada. Quando jovens temos mais fome e sede de descobrir como é viver e ao longo dos anos, após ter um vislumbre do que pode vir, tentamos administrar a coisa toda, da melhor maneira possível. Essa sede de viver nem sempre é dada a saciar devido as imposições das normas sociais que variam ao longo dos tempo, os “mores" como diziam os gregos. Sabe-se que a criança deve ser ensinada e corrigida e, esse processo pode frustrar as expectativas do indivíduo quanto aquilo que ele esperava conhecer e experimentar; desta forma as reações conhecidas são a revolta, se ele reagir e, o tédio, se se conformar com as restrições. As mudanças dos “usos e costumes”, morais e éticos, são, eventualmente mudados, devido ao processo de viver e conviver, simples assim. Essa fome de viver é conduzida pelo curiosidade e pela necessidade da satisfação dos desejos do indivíduo, desejos esses que, na medida em que são satis...
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  A música erudita contemporânea Alguns amigos, procurando apreciar música erudita reclamaram que não conseguiram ouvir "Pássaro de Fogo" do Stravinsky por ser uma composição "muito longa". Essa dificuldade é devida à complexidade da peça e, convenhamos, a estrutura do ballet pois, mesmo sendo algo muito inovador face à música que se fazia na época, nos parece atualmente algo muito simples. A dificuldade de fruirmos a música erudita pós período romântico é compreensível pois muito mais que um "desenvolvimento", foi uma ruptura. Na segunda metade do século 19, a revolução industrial trouxe para todos um mundo completamente diferente e desafiador, os compositores passaram a questionar o sistema musical estabelecido. Não existiu um 'movimento", as coisas foram acontecendo aos poucos. As últimas composições de Liszt nos trazem uma certa angústia que são claramente percebidos com soluções inusitadas. Mas o determinante foi o cromatismo wagneriano. Iss...